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Pôs o dedal no dedo para não se picar.
Para poder colher as rosas que quisesse sem se espetar. Para poder segurá-las e levá-las consigo, sem sangramentos inúteis, não mais do que aqueles que, com a sua vermelhidão escura, iam enchendo a paisagem.
Olhou-as contraluz e reparou na sua fina translucidez, que ia deixando passar fios de uma luminosidade ténue e rubra, pingando sobre a sua mão onde o dedal ainda jazia.
Foi enchendo os caminhos de pétalas vermelhas, deixando que cada uma voasse ao sabor dos ventos que começavam a soprar.
Pousou o dedal no fim do caminho.
Ainda o sangue pingava quando a última pétala o sobrevoou, levada pela derradeira brisa do dia.
Quando a lua assomou, já há muito que os caminhos estavam limpos. Na sua cadência infinita o tempo não esperou e quando o sol acordou na manhã seguinte já o dedal tinha desaparecido…
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