quinta-feira, 29 de abril de 2010

(...) - 21

(...)Lembro-me bem do liceu.
Dos colegas, dos professores. Das salas apinhadas. Das carteiras riscadas. Do cheiro a giz e de todas as gramáticas, matemáticas, tabelas periódicas. Do Auto da Barca do Inferno e das suas samicas de caganeira que puseram toda a turma a rir.
Lembro-me dos primeiros cigarros, dalgum beijo fugidio, das conversas de quem tinha a certeza que ia marcar diferenças e das longas discussões sobre música.
Outra vez a música. Era ela quem nos libertava e aprisionava também.
Naqueles tempos em que descobríamos as primeiras namoradas a quem se jurava amor eterno que durava uma semana, uma semana que era uma eternidade.
No tempo em que o tempo corria mais devagar.
(...)

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