sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

De regresso




Quando saiu de casa teve a certeza de que jamais voltaria. Vivia sozinho desde que a sua família tinha sido assassinada pelo outro.


O dia ia ser longo, tão longo que não teria fim. As suas certezas eram, hoje, mais certas que nunca. Por isso levou o chapéu à cabeça, ajustou o cinturão e assobiou baixinho. Depois começou a descer a rua com passos lentos, compassados, decididos. Quanto chegou à porta do outro chamou-o com um grito seco e forte.

Nem tempo teve de se virar, o outro, traiçoeiramente, como era seu uso, disparou primeiro, pelas costas. Ao cair teve ainda tempo de ver o céu e percebeu, naquele instante, que não importava ser ali, naquele mundo onde as injustiças imperavam. Fechou então os olhos e voltou a sorrir, há tanto tempo que não o fazia.

Quando recuperou a vontade, pouco depois, sentiu-se livre como nunca sentira e foi com uma agradável sensação de leveza que voltou a casa. Entrou pela porta das traseiras e chamou a mulher e os filhos.

Agora sim, disse-lhes, agora podemos ser felizes.

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