quinta-feira, 27 de março de 2008

O que há-de ser de nós?


Considero o Sérgio Godinho como um dos maiores compositores da chamada Música Popular Portuguesa, melhor, de toda a música portuguesa, melhor ainda, um dos maiores compositores!
Sobretudo, mas claramente não só, pelas palavras que cria e que tão sabiamente acompanha com sons.
Cantor da resistência, mas também do amor, de intervenção sim, mas de intervenção ao nível dos sentidos, das vontades, das necessidades.
Dele são algumas das palavras mais fortes que a poesia musicada nos oferece.
Fortes e sábias, eivadas de uma lucidez que ultrapassa o tempo, de uma pontaria sem mácula que nos fere, nos atinge com uma crueldade feliz, porque nos alertam para uma vida que, por vezes, nos esquecemos de viver.
Soubessem ouvi-las aqueles que nos mandam e, certamente, a nossa vida seria outra, a nossa esperança seria mais esperançosa e, estou em crer, não passaríamos por estes dias como cegos condenados a esta eutanásia lenta e inevitável que parece ser aquilo que nos espera em cada outro dia que vamos vivendo.
Ouvíssemo-lo com atenção e saberíamos, de certeza, que força é esta que só nos manda obedecer e que nos põe de mal connosco.
Ouvíssemo-lo com atenção e seríamos capazes de saber quando é, de facto, o primeiro dia do resto das nossas vidas.
Assim! Simplesmente! Com um brilhozinho nos olhos!!!

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