sábado, 21 de janeiro de 2012
O Homem ao Contrário (I)
Estava sentado num banco do jardim, comia distraidamente uma sanduíche mista, o tempo estava ameno naquela tarde de inicio de Outono, algumas folhas iam cumprindo já a sua função e tornavam-se amareladas, encarniçadas e algumas delas tinham começado a formar o tapete que, todos os anos pela aquela altura, davam ao jardim um aspecto de sala de estar acolhedora, numa mistura de cores confortáveis que iam dum amarelo quase vivo a um castanho forte e vigoroso.
Eu sentava-me por ali muitas vezes, lia um qualquer livro que tirava da estante lá de casa, bebia um refrigerante, comia uma sanduíche mista, que era o que fazia hoje e deleitava-me a olhar para as pessoas que passavam ou que iam ficando.
Naquele dia viu-o passar e, por muito estranho que, aparentemente, se parecesse, não estranhei. Ele aproximava-se devagar, com um sorriso rasgado na cara, mas isso eu só vi depois, quando ele já tinha passado por mim, porque, daí a estranheza que afinal não era, este homem andava ao contrário.
Não, não andava a fazer o pino, de cabeça para baixo, up side down, como tinha ouvido uma vez numa canção de que gostava muito, andava simplesmente para trás. Cria eu que ele andava para trás, pelo menos era assim que o via, ele talvez acreditasse que andava para frente, a frente dele podia não ser, não seria com certeza, a mesma que a minha.
Mas era isso, ele dava passos para trás, ao contrário, embora isso não lhe dificultasse o andar, pelo menos assim me parecia, o seu caminhar era desenvolto, decidido, próprio de quem sempre andou daquele modo, de quem aprendeu a andar assim e nunca o soube fazer de outra maneira.
Quando passou por mim sorriu, vi-lhe um sorriso rasgado, ou amplo, ou bonito, que não sendo sinónimos servem aqui para descrever a mesma coisa, um sorriso que me agradou. Que me fez sentir bem perante aquela espécie de estranheza que era ver um homem feliz, aparentemente feliz e que andava ao contrário, para trás.(...)
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
O Senhor dos Anéis não ganhou o prémio Nobel

Via Blogtailors:
«Documentos que foram recentemente tornados públicos mostram que J. R. R. Tolkien terá sido nomeado, há 50 anos, para prémio Nobel de Literatura pelo seu colega e amigo C. S. Lewis. O júri rapidamente recusou a nomeação, afirmando que O Senhor dos Anéis não teria qualidade suficiente para concorrer(...)»
Mas que importância tem um prémio, mesmo que seja Nobel, quando temos a magia mais pura ao alcance da mão?
Tolkien não precisou do aval duns quantos senhores altos e louros para provar que a Terra Média é muito mais apetecível que a Escandinávia.
Graças a Deus é sexta feira
Hoje vou recuar muitos anos, até aqueles tempos em que todos éramos muito novos. Depois digo-vos...
Bom fim de semana.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Estudo democrático (?)
pedaços de infância
...lembro-me então que o Manel era a tasca onde comprava os rebuçados que vinham embrulhados nos bonecos da bola. Ou que o Duarte era a mercearia ali ao lado. Ou que o Alto era o pequeno jardim em frente à escola. Ou tantas outras palavras que têm o seu significado próprio, mas que para alguém em particular, assumem uma outra significação, um outro conceito, ou outra lembrança, a de uma palavra que se colou à memória e que, para sempre, trará de volta cheiros, sons, regozijos até! Porque é essa a cola dos dias, aquela que nos mantém vivos e nos dá consistência!...
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
O Glorioso
sábado, 14 de janeiro de 2012
Neil Hannon (again)
Acho muito engraçada esta pequena homenagem a Neil Hannon, em especial a espreitadela das capas dos discos que vão surgindo, discretamente, na parede de fundo.
táxi

- Táxi. Gritou ele apontando para o céu.
-Porque apontas para o céu? Perguntou a rapariga que estava a seu lado.
- Não apontei, levantei apenas o braço, para o taxista me ver.
- Achas que o taxista te vê melhor se apontares para o céu?
- Já disse que não apontei para o céu. Gritei táxi e levantei o braço. É o que se faz nestas circunstâncias, não é?
- Não! Respondeu a rapariga
- Não? Surpreendeu-se ele. – Então como fazes quando queres chamar um táxi?
- Nada.
- Nada?! E com o consegues apanhar um táxi?
- É simples. Respondeu ela. – Fico junto às pessoas que gritam e apontam para o céu, tal como tu fizeste.
- Tu és um pouco louca, não és?
- Porquê? É apenas um método, tal como o teu.
- Mas assim nunca consegues um táxi, porque a primeira pessoa fica com ele e tu ficas apeada.
- Nunca fiquei apeada. Respondeu a rapariga.
- Nunca? Como nunca?
- As pessoas que chamam táxis, na verdade, não gostam de ir sozinhas, só o fazem porque não têm companhia.
- Achas?
- Tenho a certeza.
- Olha, vem aí o táxi, sobes comigo?
- Claro, também tu não gostas de estar sozinho. Talvez por isso tenhas apontado para o céu. O que procuravas não era um táxi, era alguém que te acompanhasse no teu caminho. Entramos?
- Para onde? Perguntou o taxista.
- Para onde? Disse ele virando-se para ela.
- Está a falar com quem? Perguntou o taxista virando-se para trás.
- Comigo próprio, respondeu ele, esboçando um sorriso ao confirmar que o lugar ao seu lado estava vazio.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
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