terça-feira, 28 de março de 2006

Las Ramblas Rojas


Com votos muito sinceros de que, para a semana, possamos passear pelas Ramblas com o maior sorriso do mundo! Com molhos de papoilas, vermelhíssimas e saltitantes, nas mãos!

segunda-feira, 27 de março de 2006

Efemérides


Ontem foi o Dia do Livro Português. É mais um dia daqueles em que se pretende comemorar algo que se deve, por principio, comemorar todos os dias e os livros, ainda para mais portugueses, são, exactamente, daqueles objectos que não se pode falhar um dia sequer.
Deixo aqui uma imagem óbvia do livro português, não sei se será o melhor, nem isso interessa, é apenas mais uma forma de se afirmar a necessidade da leitura, de escritores e de leitores. Leiam, leiam muito!
Ah, e hoje comemora-se o Dia Mundial do Teatro!

sexta-feira, 24 de março de 2006

Monte dos Vendavais


Em 1978 uma nova voz, com características únicas, surgia no éter. Wuthering Heights se chamava a canção que a deu a conhecer e rapidamente se tornou um sucesso.
Kate Bush cedo se tornou numa certeza da música popular, provou ser mais que uma voz diferente. Foi publicando trabalhos após trabalhos, como o The Dreaming (1982), e o excelente Hounds of Love(1985), que se tornou num ponto de viragem na sua carreira. Enveredando também por caminhos mais experimentalistas, incluindo canções inesquecíveis como, Cloudbusting, Running up that Hill e o próprio Hounds of Love. Mais tarde fez um dueto brilhante com Peter Gabriel, com o tema Don't Give Up, materializado num tele-disco muito bonito. Em 1993 publica um trabalho soberbo, Red Shoes e depois foi-se mantendo calada até que agora resolveu dar nova voz à sua voz com o duplo álbum Aerial. Regresso que se saúda, muito!

quinta-feira, 23 de março de 2006

Cai chuva...


Na onda revivalista que muitas vezes perpassa nas notas que aqui vou deixando, lembrei-me de uma banda muito conceituada nos primeiros anos da década de 80 e que, aproveitando um trocadilho fácil, também nos deixou uma imensa chuva, tal como a que hoje nos cai em cima, sobretudo com aquele que, considero eu, foi o seu álbum maior, Ocean Rain.
Falo, claro, dos Echo and the Bunnymen que nos entregaram cancões memoráveis, como a própria Ocean Rain, mas também My Kingdom ou Seven Seas. Serão sempre marcos eternos da boa música e das boa memórias que nos chegam dos inquietos anos 80.

quarta-feira, 22 de março de 2006

Tóquio em Lisboa


Há já algum tempo que não ponho os pés (e o resto) numa discoteca, aliás nunca fui grande frequentador destes locais. Nos anos 80, no entanto, as minhas visitas às diversões nocturnas foram mais assíduas. Desde as chamadas discotecas para os mais jovens, como o Archote, ou o Browns, ou o alternativo Rock Rendez-Vous, passando pelo Alcântara Mar, ou o Frágil do Bairro Alto.
Mas houve uma que mais me marcou, na zona, pouco afamada, do Cais do Sodré, ao lado do Jamaica e do Shangri-Lá, ficava (e creio que ainda fica) uma sala não muito grande mas que passava da melhor música da cidade. Bons tempos e boas recordações das noites de Tokyo!

terça-feira, 21 de março de 2006

Porto Covo


Eram as férias da Páscoa, com o aparecimento dos primeiros dias de calor. Acampar nas dunas, com saída directa para o mar, com grandes "piqueniques" na areia, com jogos e brincadeiras e muitas cantorias ao luar, e jogos de matraquilhos também.
Foram assim os meus tempos de Porto Covo, lugar mágico do, na altura, ainda pouco explorado litoral Alentejano.
Rui Veloso já o cantava, mas eu nunca descobri o pessegueiro na ilha, embora tenha descoberto outras coisas, nesse lugar de Porto Covo.

sexta-feira, 17 de março de 2006

Éire - A terra verde


Hoje comemora-se o dia de S. Patricio, dia Nacional da República da Irlanda.
Nunca fui à Irlanda, mas sempre senti um fascínio especial por aquela ilha, pela lendária coragem dos seus habitantes, pelas histórias de fadas e duendes que dela saem, pelos poetas que têm, pela famosa e saborosa Guiness, pelos pubs onde se cantam as memórias da terra, pelos seus escritores, pela sua luta de "libertação" e também pela sua muita e boa música. Pelas excelentes bandas que de lá sairam para conquistar o mundo, os U2, os Cramberries, a Sinead O'connor, o Van Morrison e o meu favorito Neil Hannon e os seus Divine Comedy, que, apesar de ser natural da Irlanda do Norte, escolheu como local de residência a cidade de Dublin.
Para celebrar este dia em honra do patrono da terra dos trevos de quatro folhas, recordo aqui um excelente filme de Alan Parker, passado nas ruas de Dublin e onde um grupo de jovens entusiastas e fatalistas, tenta formar uma banda de soul music, recriando as melodias mais famosas desta área musical. Falo de The Commitments, por onde passa muito da alma urbana irlandesa e da sua juventude irrequieta.
Go mbeannai Dia duit

A jóia


Em 1963 era publicada aquela que considero a obra prima das Aventuras de Tintin.
Primeiramente publicada na revista Tintin, entre 4 de Julho de 1961 e 4 de Setembro de 1962, As Jóias da Castafiore é a anti-aventura, antítese de tudo o que Hergé fez antes e fará depois. O autor deixa, neste caso, de lado, as regras que ele próprio criou em termos de aventuras em banda desenhada.
Esta obra intimista, toda ela passada em ambiente doméstico, no castelo de Moulinsart, cria, a todo o momento, falsas situações de suspense que dão em nada, falsos índicios e pistas que se revelam infrutíferas. Nesta "aventura" não existem "maus", elementos essenciais em qualquer outro livro da série.
Embora não tenha sido um sucesso de público, como o foram quase todas as outras, é a mais aclamada pela crítica, considerando-a uma obra de mestre, na tradição teatral da comédia e da farsa.
Sempre que a leio sinto-me em casa com esta família de papel. Hergé encontrou aqui um óptimo espaço de descanso e repouso. Houve quem dissesse que seria, talvez, um final perfeito para as Aventuras de Tintin, mas elas continuaram, para gozo de todos nós.
Sintomático é, também, o facto de Tintin nos surgir na capa com o dedo indicador em frente dos lábios, sugerindo-nos o silêncio que devemos, sempre, respeitar perante as grandes obras de arte!

quinta-feira, 16 de março de 2006

Das Caldas

Há exactamente 32 anos atrás, uma coluna militar saiu das Caldas da Rainha e veio bater à porta da Liberdade. Sem sucesso!
Não só não lhe abriram a porta, como a fecharam a sete chaves.
Felizmente que 40 dias depois as portas foram escancaradas!

A lua continua aqui!


Há pouco tempo, ao fazer zapping, parei na SIC Radical, onde passava uma série que fez as minhas delicias algures pela adolescência.
O comandante Koenig, a Dr.ª Russel, o Prof. Bergman, o Alan e os outro todos viviam extraordinárias histórias de antecipação científica. A lua tinha saída da órbita terrestre e vagueava ao sabor dos ventos espaciais. Na base lunar Alpha a vida era uma constante surpresa e as naves Águia iam sobrevoando aqueles céus negros, cheios de milhares de estrelas e novos planetas prontinhos a serem descobertos e explorados. Em 1976 antecipava-se o dia 13 de Setembro de 1999, dia em que a lua decidiu partir à aventura.
O Espaço 1999, criado por Gerry Anderson foi, e parece-me que continua a ser, uma das séries de maior culto que o universo televisivo nos ofereceu e sendo de ficção cientifíca tudo lá nos soava a novidade, mesmo que, aos olhos de hoje, algumas coisas estejam, de facto, muito datadas e não cumpridas. Lembro-me, por exemplo, do enorme computador de bordo, que ocupava uma parede da sala de comando e debitava compridas folhas de papel esburacado e espanto-me, sobretudo, com facto de, hoje, 2006, a lua não ter cumprido esse seu fadário de errância.

À la carte


Há alguns uns anos era frequentador assíduo do cinema Quarteto, ia lá quase todos os fins de semana e via todos os filmes que estavam em cartaz. O Quarteto era mais que uma (ou quatro) sala de cinema, era um local de passagem e estadia obrigatórias, muitas vezes só para beber um café.
Lembro-me de um dia, chuvoso por sinal, ir sózinho ao Quarteto, comprar o bilhete para uma das suas quatro salas, sentar-me na primeira fila, não havia lugares marcados, e ver um dos filmes que mais me impressionou, O Cozinheiro, o Ladrão, a sua Mulher e o Amante.
Com ele descobri a arte de Peter Greenaway, que até aí desconhecia. Fiquei estarrecido com este filme, perfeitamente colado à cadeira com a sua beleza barroca, com as suas cores fortes, com a sua crueza hipnotizadora. Cada cena era como de uma tela se tratasse, com os cenários do restaurante Le Hollandais, as suas cozinhas imensas, as suas salas esplendorosas; com os fatos desenhados por Jean Paul Gaultier; com a enormíssima música criada por Michael Nyman; com o extraordinário desempenho dos actores, destacando-se a brilhante Helen Mirren.
Quando saí da sala ia "cheio" daquele filme, que me incomodou maravilhosamente, nem dei pela chuva que continuava a cair.

quarta-feira, 15 de março de 2006

Mundos paralelos


Mundos paralelos, dos quais muito poucos têm conhecimento, que se podem aceder através de uma faca especial que corta o espaço e abre janelas que permitem entrar noutros mundos, alguns semelhantes ao nosso, outros completamente diferentes.
Histórias densas e perturbantes, em que a eterna luta entre o bem e o mal está mais vincada que nunca, mas onde esses valores não estão tão definidos que sejam facilmente perceptíveis.
Pessoas que têm os seus alter egos materializados em génios, normalmente em forma de animais, que os acompanham para todo o lado, sem génio é impossível sobreviver.
Ursos do Norte que falam e lutam; anjos diabólicos que tudo fazem para alterar o curso da vida e do(s) mundo(s); criaturas fantásticas que é impossível concebê-las por inteiro; a descida ao inferno, ao mundo onde "vivem" os mortos; a decadência evidente de Deus. Tudo isto e muito mais nos é oferecido por Philip Pullman, autor consagrado por vários prémios, na sua trilogia His Dark Materials, conhecida em Portugal como Mundos Paralelos: Os Reinos do Norte; A Torre dos Anjos e o Telescópio de Âmbar.
Misto de mito clássico, thriller, conto de fadas, história fantástica, tratado de filosofia e teologia, esta obra em que Lyra e Will, dois adolescentes de mundos diferentes passam pelas mais incríveis aventuras, consegue maravilhar e incomodar ao mesmo tempo. Quem os lê não consegue ficar indiferente, são, por isso, de leitura obrigatória.

Mais Harry Potter


Na minha tardia e já longa infância, também fui apanhado na onde Potteriana, sou, por isso, um entusiasmado e ávido leitor da saga de Harry Potter em boa hora saída da imaginação fértil de J.K.Rowling.
Li com prazer, como aliás o fizeram tantos milhões de outros jovens e menos jovens como eu, todos os volumes publicados atá agora. E, como tantos outros leitores, também não acredito que Albus Dumbledore tenha, de facto, morrido na última aventura da série.
Por isso aqui deixo uma página da web em que nos são apresentadas várias e fundamentadas razões para que tal não tenha acontecido. Em www.dumbledoreisnotdead.com a própria autora poderá ir buscar ispiração para a resolução final da sua obra.
Entretanto vamos esperando, impacientemente, por todas as surpresas que Joanne Rowling está a preparar para nosso deleite.

terça-feira, 14 de março de 2006

As Fantásticas Sardinheiras


Mário de Carvalho é, de entre os escritores contemporâneos portugueses, um dos que mais gosto de ler. Recordo com agrado as leituras de Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde ou Era Bom que Trocassemos umas Ideias sobre o Assunto, só para citar alguns exemplos.
Quero, no entanto, lembrar aqui um pequenino, mas muito saboroso livro de contos que dá pelo nome de Casos do Beco das Sardinheiras, onde num qualquer beco, de um qualquer bairro popular de Lisboa, cujo nome saí das sardinheiras que lhe dão cor, os seus sui-generis habitantes vivem casos dignos de figurarem numa dimensão fantástica, só possível graças à imaginação fervilhante deste autor.
Citando :
«E então aconteceu aquilo da Lua.
Deslocou-se um bocadinho assim como quem se desequilibrou, entrou a descer devagar, ressaltou numa ponta de nuvem que por ali pairava feita parva, e foi enfiar-se inteirinha na boca do Andrade que só fez “gulp” e esbugalhou os olhos muito. No sítio da Lua, lá no astro, ficou um vinco esbranquiçado como dobra em papel de seda que logo se apagou e o céu tornou-se bem liso e escorreito. O Beco ficou um tudo nada mais escuro e um gato passou a correr, pardo, da cor dos outros.
Diz o Zé Metade, no fim duma estrofe: “Ina cum caraças!”
Vai o Andrade lá de cima e atira o maior arroto que jamais se ouviu naquele Beco.
Era o Zé Metade a berrar para dentro: “`nha mãe, venha cá, senhora, co Andrade engoliu a Lua!” e o Andrade a olhar para nós, limpando a boca com as costas da mão, um ar azamboado. (...)
No dia seguinte, a Humanidade toda estranhou muito o desaparecimento da Lua e deu-se a grandes especulações. Era com algum orgulho que a população do Beco via passar o Andrade. Sempre gaiteiro, apenas um pouco mais gordo.»

E como aí também é referido, não há memória de que algum dos do beco tenha emigrado de livre vontade, talvez por isso aconteça esse fabuloso encontro entre o autor e as personagens no fim do livro, em que as figuras criadas vão em grupo a casa do autor pedir-lhe que continue a contar as suas histórias.
Ah, só mais uma coisa, é preciso ter sempre presente que "importa sobremaneira não confundir o género humano com o Manuel Germano"!

A Lisboa de Molero


Pouco tempo depois do 25 de Abril, quando muita da literatura feita em Portugal tinha ainda ecos do chamada neo-realismo, o jornalista multi-facetado Dinis Machado, dá à estampa um livro que foi, por muitos, considerado a mais universalizante obra da literartura portuguesa até então.
Nas palavras do autor, O Que diz Molero : "É uma soma não completa de coisas vividas, imaginadas e observadas, que têm a ver com a representação como espectáculo. É uma mistura de experiências literárias , musicais e cinematográficas ".
Dinis Machado foi influenciado por todas as suas vivências na Lisboa popular do século XX, pelas suas experiências jornalísticas; ele que foi, entre outras coisas, chefe de redacção da Revista Tintim; e igualmente pelas suas incursões no romance policial, sob o pseudónimo de Dennis McShade.
Surge-nos assim esta obra que, no essencial se passa em torno da conversa entre as duas personagens principais, Austin e Mister Deluxe, que pertencem a uma certa Organização não especificada, e que vão lendo e comentando um relatório elaborado por Molero (um investigador que nunca aparece), acerca de um cidadão anónimo, apenas chamado de rapaz.Este relatório, que se inicia na infância do rapaz, na Lisboa dos anos 40, revela, incontestavelmente, muitos retalhos da vida do autor, profundamente ligado ao Bairro Alto.
O Que diz Molero foi adaptado ao teatro e protagonizado por António Feio e José Pedro Gomes, tendo sido, tal como o livro, um êxito de público.
É mais uma leitura recomendada e recomendável para quem gosta de passar os olhos e a mente por imagens que nos fazem revisitar uma Lisboa, talvez, já desaparecida, com todo o seu popular pitoresco, numa trama excelentemente urdida e numa linguagem que, provavelmente, mais ninguém conseguiu.