quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Tocam sinos!


Na época do Natal há um filme que costuma fazer as minhas delicias, um filme que representa, de alguma forma, o espirito que essa época deve transmitir, o da esperança e da crença na pessoa, na sua importância junto daqueles que lhes estão próximos e também na rejeição de pensamentos e atitudes menos positivas perante a vida.
É um filme de Frank Capra, realizado em 1946, protagonizado por um James Stewart deliciosa e "fanhosamente" canastrão. It's a Wonderful Life, Do Céu caiu uma Estrela, na versão portuguesa, é o seu título.
E, se mais não fosse, a ideia de tocar um sino cada vez que um anjo ganha as suas asas, parece-me brilhante.
Como alguém diz nesse filme:
"They're making memories tonight!"

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

Admirável mundo da fantasia

Quando começou a descer as escadas deu de caras com Sam Gamgee que vinha a correr. Tinha o cabelo revolto e olhava nervosamente para o relógio gritando que estava atrasado. Desapareceu esbaforidamente por entre a luminosidade do espelho mais próximo, deixando atrás de si grandes gotas de suor que, ao caírem no chão, se transformavam em pequenos círculos brilhantes, semelhantes a anéis e que desapareciam após breves segundos.
Continuou o caminho por entre as grandes árvores daquele enorme pomar, não deixando de pensar no trabalho que Edena tivera para construir um jardim tão belo como aquele.
Ao longe o Sol brilhava intensamente, sorrindo por entre as pontas das colinas do Este.
Não resistiu e apanhou uma maçã da árvore mais próxima, onde Adão e Eva costumavam passar os dias em companhia da serpente.
Continuou a andar saboreando cada dentada, pensando que, cada vez mais, este lugar lhe parecia um verdadeiro paraíso.
Foi então que, em grandes passadas, surgiu Passo de Gigante, acenou-lhe e com um grande sorriso desejou-lhe um bom dia, dirigindo-se ao espelho mais próximo.
Quando chegou à praia lá estavam Gulliver e os liliputianos, faziam pequenos castelos na areia e pareciam divertidíssimos.
Então preparou-se para voar e abriu calmamente as asas. Quando começava a levantar vôo apareceu Pippin Took que lhe pediu para o levar ao espelho. Assim fez e apeteceu-lhe também nele entrar, mas lembrou-se do que lhe dissera Alice e decidiu-se pelo vôo já planeado e lá foi, gozando plenamente cada planagem com uma leve brisa acariciando-lhe as faces.
Chegou ao alto da montanha onde se sentou a contemplar toda a grande planície. Foi então que ouviu uma música bonita lá ao longe e viu muitos Elfos a dançarem por entre as folhagens da pequena floresta. Dela vinham saindo Merry Brandybuck e Frodo Baggins que também se dirigiram ao espelho.
Resolveu descer e esperar por Gandalf e por Bilbo, de certeza que iriam também para o espelho. Ei-los que chegam e para lá se dirigem. Passaram ao seu lado saudando-o amigavelmente.
Foi andando até Macondo, onde, certamente, o Coronel Aureliano Buendía estava sentado, sózinho, à porta de sua casa como fazia nos últimos cem anos, olhando sonhadoramente os caminhos por onde o Rei passava quando ia, com o seu amigo Conde, às putas.
No rio, ali perto, Lúcia continuava imperturbável com os seus olhos caleidoscópicos, julgando estar no céu e continuando a contar os seus diamantes.
Do outro lado do rio ouviam-se os "enormes" gritos do Capitão : "Com mil raios e trovões" e sempre a mesma resposta surgia : "Um pouco mais a Oeste". O Professor nunca chegara a descobrir que, de facto, era surdo.
Resolveu então voar um pouco mais e seguindo o rio chegou à costa. A aldeia surgiu então perante os seus olhos, continuava irredutível e os romanos “voavam” ainda por entre as árvores. No centro da aldeia o druída mexia uma estranha poção dentro dum caldeirão perante uma longa fila de homens que o olhavam expectantes.
Desde o ano 50 A.C. QUE NADA TINHA MUDADO.
Enquanto olhava para a aldeia aproximou-se, silenciosa, a Passarola, lá dentro Bartolomeu conversava animadamente com Blimunda e com o soldado maneta. Quando o viram sorriram e Blimunda gritou-lhe : "Ninguém escreveu ainda ao Coronel !"
Voltou ao chão e resolveu caminhar até Camelot, os cavaleiros iam reunir-se nessa noite e haveria grandes festejos. Merlin também lá estaria e eram muito agradáveis os momentos de conversa com ele.
Antes disso, porém, tinha de ir encontrar-se com o Carolino, prometera levá-lo a ver o Pássaro do Tempo que estaria na cidade naquele dia.
Tal já não acontecia desde que os Porcos tinham sido derrotados. Ao pensar nisso sentiu-se aliviado, não tinha sido nada bom o triunfo dos porcos; Molero havia-lo dito e todos estiveram de acordo.
Teve, no entanto, de se apressar, os cavaleiros não esperavam e para mais Valérian tinha prometido que lá iria hoje também. Bravo Valérian, sempre galante com os seus amigos habitantes do céu.
À noitinha quando voltava a casa, parou para contemplar as estrelas. Orion sorriu-lhe e ele retribuiu-lhe a simpatia.

Nova onda


Quando comecei a ouvir música, com ouvidos de ouvir, dediquei-me, quase exclusivamente ao chamado rock progressivo ou sinfónico, Genesis, Yes, Pink Floyd, Jethro Tull, Van der Graaf Generator e por aí fora. Foi numa época em que o fenómeno punk começava a dar cartas um pouco por todo o lado e por aqui também. Mantive-me, no entanto, quase irredutível nessa minha "aldeia" progressiva. Quando a New Wave começa a surgir dos destroços do punk, decidi espreitá-la, quiz experimentar a nova música que ia surgindo e que já se distanciava dos famosos "três acordes" próprios do punk, onde predominavam os Sex Pistols ou os Ramones.
Este álbum que aqui vos mostro, foi quem me abriu as portas dessa nova onda e fiquei rendido à voz de Crissie Hynde e aos seus Pretenders, embora nunca renegasse, tal como não o faço agora, à música grandiosa dos "sinfónicos".
Em 1980, no entanto, com Brass in Pocket, Precious, Kid, Lovers of Today e esse fabuloso Stop your Sobbing, novas ondas musicais vieram colorir as minhas audições.
"Kid what changes your mood..."

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

O mundo é um jardim!


Em 1979 Hal Ashby realizou Being There, Benvindo Mr. Chance, na versão portuguesa, protagonizado, brilhantemente diga-se, pelo excelente e enigmático Peter Sellers.
Uma parábola aos tempos modernos, em que um simples jardineiro, intelectualmente debilitado, a quem, erradamente, deram o nome de Chauncey Gardiner, é despejado da casa e do jardim onde sempre viveu. Nas ruas, com o seu fato antiquado e com um comando de televisão por único pertence, Mr. Gardiner vai subindo nas boas graças de um dos magnatas mais poderosos dos E.U.A., falando sempre daquilo que mais gosta, as flores do seu jardim e a televisão. "I like to watch" é a sua frase preferida, dita a pensar, simplesmente, na televisão, mas entendida de muitas maneiras por aqueles que o vão bajulando. Com um discurso simples e directo, tudo o que diz é entendido como metafórico para a sociedade que o rodeia. Os poderosos já o vêem como sério candidato à Casa Branca, a ele, que acaba o filme andando sobre as águas.
Brilhante!

histórias da História


Gosto de romances históricos, gosto de romances históricos temperados com a ficção necessária para que sejam romances. Há um escritor que os faz na perfeição, é certo que todos eles andam à volta da História de Inglaterra, é natural, já que é essa a sua nacionalidade, mas numa das séries que deu à estampa, a presença do seu herói em terras portuguesas dá-nos uma visão, no mínimo, curiosa sobre o nosso país na época das invasões francesas. Estou a referir-me à série dedicada a Sharpe, que percorre grande parte das chamadas guerras napoleónicas.
Bernard Cornwell dá-nos saborosas visões da construção de Stonehenge, das lendas Arturianas, das invasões Vikings, da Guerra dos Cem Anos, das Guerras Napoleónicas, entre outras muito bem congeminadas histórias da História. Com descrições pormenorizadas de batalhas, de vivências, de paisagens, tudo é tão bem urdido, que é perfeitamente natural visualizarmos tudo aquilo que nos é, assim, mostrado.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

O Usinho Pu


Embora tenha descoberto o Winnie the Pooh ainda durante a minha infância, só conheci os seus filmes quando os comecei a ver com a minha filha. Creio que são a melhor adaptação que a Disney alguma vez realizou. Falo das longas metragens, mas falo sobretudo dos pequenos filmes que têm vindo a ser editados em vídeo e dvd desde há alguns anos. Os bonecos são muito engraçados, as histórias são deliciosas e os diálogos são brilhantes, de um surrealismo desconcertante e alegremente contagiante. Aconselho vivamente a todos aqueles que gostam de boa animação e dispensam a violência gratuita que, usualmente, grassa em quase toda a animação televisiva e outra.
O meu filho, que tem dois anos, lá anda todo contente com o último dvd do "Usinho Pu" debaixo do braço!

Mind the gap


Começo esta nota como costumava começar as minhas redacções na escola primária.
Gosto muito de Londres!
É uma cidade orgulhosa da sua história, que sabe guardar e mostrar devidamente. É uma cidade onde se respira (às vezes mal é certo) ancestralidade e modernidade, tudo muito bem conjugado e com bom gosto. É uma cidade onde se pode encontrar de tudo o que o consumismo nos pode oferecer, o consumismo económico, cultural, artístico.
É uma cidade enorme, a mais cosmopolita da Europa sem dúvida, mas ao mesmo tempo acolhedora, onde é possível sentirmo-nos muito bem.
E acabo da mesma forma.
Gosto muito de Londres!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

Crime, disse ela!


Quando me falam em literatura de mistério ou policial, lembro-me sempre de grandes escritores desta área que nos deixaram a sua marca em tantos livros que escreveram e em personagens que se tornaram icónicas na sua arte de desvendar mistérios quase insondáveis.
Simenon com o seu Maigret; Stanley Gardner com o seu Perry Mason e, elementar, Conan Doyle com o seu Sherlock Holmes.
Mas, ainda ninguém me conseguiu satisfazer tanto como a "mestra do crime", Mrs. Agatha Christie, o fez. Com Poirot, Miss Marple e outros, deu-nos as mais "saborosas" páginas de crimes extremamente preparados e brilhantemente resolvidos. A bem das nossas célulazinhas cinzentas!

A voz da razão


Em 1964, ao cidadão argentino, Joaquín Salvador Lavado foi encomendada uma personagem desenhada que integrasse a publicidade, creio, a uma máquina de lavar. Ele assim fez, e embora a campanha publicitária nunca viesse a ver a luz do dia, a personagem criada tornou-se um fenómeno universal, espalhando aos quatro ventos a sua veia contestatária, dando opiniões irónicas, mordazes, mas, sobretudo, muito certeiras, ao mundo que a rodeava então.
Quino deixou de publicar as tiras de "Mafalda a Contestatária" cerca de dez anos depois de a criar, mas, ainda hoje, nelas encontramos as respostas adequadas aos problemas que vão apoquentando a nossa realidade. Mafalda, Filipe, Miguel, Manelito, Susaninha, Liberdade e Gui, são, exactamente, os mais fiéis espelhos do nosso quotidiano.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

Morrison Hotel

Não, não vou falar dos Doors, a quem, aliás, não acho muita graça. Vou só recordar um dos melhores programas de rádio que passaram na antiga Rádio Comercial, ainda antes da proliferação das chamadas "rádios livres".
Rui Morrison era o seu autor, na altura em que ainda havia autores de rádio. A sua voz inconfundível, que já não anda à solta no éter, segundo parece, dáva-nos todos os dias uma hora, da meia noite à uma, de boa música, calma, tranquila e de grande qualidade, com poucas mas certeiras palavras. Assim valia a pena ouvir rádio.

O Camaleão


Nasceu em Brixton no dia 8 de Janeiro de 1947. Deram-lhe o nome de David Robert Jones. Ao longo da sua vida, no entanto, assumiu muitas outras identidades. Destacamos a de Ziggy Stardust, por exemplo. Mas destacamos ainda mais a sua já longa carreira de músicas e versões excepcionais e valorizamos muito a sua versatilidade e capacidade de acompanhar os novos tempos e as novas tendências sem nunca cair no "facilitismo". Cada novo trabalho deste senhor é garantia de boa audição.
E claro que destacamos a sua identidade de sempre: David Bowie - o senhor Camaleão!

SE7E

Hoje, a propósito da estreia do filme de Spielberg, Munique, e do lançamento do 2º volume do Dicionário do Cinema Português de Jorge Leitão Ramos, apercebi-me da falta que faz, neste país, um orgão de comunicação social dedicado à cultura, aos tempos livres, ao lazer. E lembrei-me que já existiu um que era, de facto, muito bom.
Todas as quartas feiras, religiosamente, eu comprava o jornal SE7E, que nos dava uma panorâmica fundamental do que se ia passando no mundo da música, do cinema, da literatura, das artes plásticas, além de um excelente roteiro de tudo o que ia acontecendo. Hoje, na revista Visão, existe um pequeno roteiro que recuperou o nome, mas falta-lhe muito para recuperar o espírito.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

Leituras de sempre


Uma das leituras preferidas nos tempos da minha infância, eram as Aventuras dos Cinco da profícua escritora Enid Blyton. Como antes tinham sido as Aventuras dos Sete e depois foi a Colecção Mistério, todos da mesma autora.
Lembro-me de ler cada volume, por mais de uma vez, e de me deixar enredar de uma forma emocionante com a Zé, o Júlio, o David, a Ana e o Tim. Lembro-me de viver cada aventura como se fosse um deles e recordo com particular gozo o prazer que me davam cada uma das refeições, especialmente os lanches, que com eles ia tomando. E tenho muito presente a tristeza que senti quando me apercebi que um dia não iria ler mais aquelas aventuras, por deixar de lhes achar piada. De facto há já muitos anos que as não leio, mas hoje lembrei-me delas e deu-me uma vontade de lhes pegar novamente e de me deliciar outra vez!

Em espiral


Os anos 80 foram pródigos em boa música. Grandes canções e excelentes bandas surgiram ou confirmaram-se nessa altura. U2, Waterboys, Cure, Smiths e tantas outras. Também foi uma época em que, alguma dessa música era cognominada de "urbano-depressiva", com contornos de "negritude", exemplo foram as magníficas canções de David Sylvian pós Japan (lá iremos noutra oportunidade). Hoje trago aqui a memória de um colectivo imaginado e organizado por Ivo Watts-Russel da editora 4AD, responsável por nomes como Cocteau Twins ou Dead Can Dance, exemplos supremos daquela arte. Os This Mortal Coil ofereceram-nos 3 álbuns, "It'll end in Tears" de 1984; "Filigree & Shadow" de 1986 e "Blood" de 1990. Em todos eles a densidade das canções e das vozes trouxeram-nos momentos inesquecíveis. Juntaram vozes de excepção, como a de Elisabeth Fraser, por exemplo, e apesar da melancolia que nos fizeram sentir, a beleza era permanente.
Com letra de Van Morrison uma das músicas incluídas no 2º disco dizia assim:

"I'd like to fly away spend a day or two, just comtemplate the fields and leaves about nothing"

Caso de policia

Então quando é que o "sôr" agente Bush começa a a bater com o cassetete na cabeça dos iranianos? Vontade não lhe falta, lá isso não!