terça-feira, 17 de janeiro de 2006

Palavras


Na minha revisão constante à obra discográfica de Neil Hannon e dos The Divine Comedy, tenho parado por estes dias no seu Casanova e embora tenha sido o disco que mais me custou a apreciar, com o tempo e, obviamente, com a qualidade que possui, foi-se entranhando, qual coca-cola nas palavras de Fernando Pessoa. Por isso deixo aqui dois excertos de duas canções muito belas que integram essa obra:

de Middle-Class Heroes:
"My words fly up to heaven, my thoughts remain below.
Words said without feeling never to heaven go..."

e em Songs of Love:
"Fate doesn't hang on a wrong or right choice,
fortune depends on the tone of your voice.
So sing while you have time, let the sun shine down from above
and fill you with songs of love"

Mais uma vez obrigado Neil...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

Flower Power


Sempre tive algum fascínio pelos anos 60. Talvez por ter nascido nessa década, talvez por terem sido anos de mudanças radicais.
Novas formas de cultura surgiram, a música popular mudou, os conceitos transformaram-se, a juventude tornou-se irrequieta e muitas coisas que hoje temos como adquiridas foram conquistadas então. E, não menos importante que o resto, os cabelos cresceram, os hippies apareceram, fugazes é certo, mas com certezas inabaláveis e uma necessidade ímpar de se tornarem mais pessoas. Desapareceram tão rapidamente como surgiram mas ainda hoje algumas das suas vontades continuam a ser necessárias. E depois quem se bate pelo poder das flores merece, no mínimo, algum reconhecimento.
Make love, not war!!

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

Boa Disposição


Passam hoje 7 anos que assisti, pela primeira vez, a um concerto dos The Divine Comedy. Foi no CCB e foi um excelente espectáculo. Foi também nesse dia que conheci os The Gift, que aí fizeram a primeira parte.
Os The Divine Comedy são a minha banda preferida. E são-no, não só pela inequívoca qualidade musical e poética, mas igualmente e, se calhar sobretudo, pela boa disposição que me transmitem, pela esperança que me comunicam, pela vontade de cantar que me dão.
Naquele dia vieram apresentar o seu último albúm do século XX, chamado, obviamente, Fin de Siècle. Deixo aqui algumas breves palavras de duas canções incluídas nesse disco.

de National Express :

"(...) When you're sad and feeling blue
With nothing better to do
Don't just sit there feeling stressed
Take a trip on the National Express"

e de Sunrise :

"(...) The church-bells ring, the children sing
"What is this strange and beautiful thing?
"It's the sunrise
Can you see the sunrise?
I can see the sunrise
It's the sunrising"

ENJOY!

Dos 7 aos 77


Tintin faz hoje 77 anos!
Como sentida homenagem a este "herói" que tanto maravilhou (ainda o faz) a minha infância, deixo aqui um breve texto que escrevi há alguns anos a este propósito.

Um círculo maior para a cara, dois pequenos pontos para os olhos, uma vírgula para o nariz, um semicírculo para a boca e uma característica popa no alto da testa. Eis os ingredientes necessários para criar um mito.
Primeiro entre as crianças e os adolescentes belgas, mais tarde na vizinha França e expandindo-se pelo resto da Europa e pelos outros continentes.
As crianças e os jovens dos primeiros anos cresceram e o mito conquista a geração adulta.

Duas breves sílabas com o mesmo som dão-lhe o nome : TIN TIN.
Hoje quase toda a população da Europa Ocidental e grande parte do resto do mundo está familiarizada com este nome.
Sinónimo de aventura, de humor, de coragem, de inteligência, de valentia, de amizade, de descoberta, de solidariedade, de bravura e sobretudo de encanto; este nome fez, faz e obviamente fará sonhar milhões de jovens em todo o mundo, jovens esses que, conforme o lema da própria série, se situam etariamente entre 7 e os 77, mas que convictamente, acreditamos nós, se deverão realmente situar entre o momento em que se consegue folhear o primeiro livro e aquele em que já nem para isso há força.

Surgiu em 1929 acompanhado unicamente por um pequeno fox-terrier completamente branco e com a faculdade única de saber falar. Foi conquistando, com o passar dos anos uma “sui-generis” e heterogénea “família”, basicamente composta por :

Dois detectives de fato e chapéu de coco negros, inseparável bengala e cuja única diferença visível na sua falsa “gemealidade” se traduz no formato dos seus bigodes, de pontas caídas para DUPOND, de pontas arrebitadas para DUPONT. Perfeitamente imbecis. Incapazes de resolverem por si sós qualquer mistério que se lhes depare, são exemplos acabados da atrapalhação, da confusão e da má interpretação dos factos; têm como característica muito própria o seu verbalismo, de que se destaca a célebre frase : “je dirais même plus...”

Outro importante elemento da chamada “família de papel” é a cantora lírica italiana BIANCA CASTAFIORE, também chamada “o rouxinol milanês”. Figura de porte altivo e voz poderosíssima, tem na ária das Jóias da ópera Fausto de Gounod a sua mais brilhante interpretação. Surgindo muitas vezes como um “empecilho” ao bom termo da acção que decorre, esta personagem caracteriza-se muito pelo “bom coração” que possui e pela ajuda que várias vezes presta aos outros elementos desta “família”. Uma nota de humor é dada através da constante troca do nome do Capitão Haddock. A esta figura é, aparentemente, dedicado um álbum da série. Esse livro passa por ser o mais intimista e introvertido de todos e é muitas vezes citado como o exemplo da anti-aventura, sendo por muitos considerado a obra-prima de toda a série.

A terceira personagem a entrar para a “família” tem por nome ARCHIBALD
HADDOCK. Com a entrada do Capitão, no “Caranguejo das Tenazes de Ouro”, Hergé cria uma das personagens mais ricas de sempre no mundo da banda desenhada. Eterno apreciador de whisky, vociferador ímpar, truculento imparável , mas com um coração maior que o mundo, este capitão de longo curso é uma figura inconfundível, com a sua camisola de gola alta de cor azul escura enfeitada com uma âncora, o seu chapéu de oficial marinheiro e o inseparável cachimbo. Torna-se o melhor amigo de Tintin e consequentemente o melhor amigo de todos nós. É ele que personifica a faceta extrovertida, impulsiva e mais divertida de toda a série.

Depois dele surge o professor TRYPHON TOURNESOL, vestido de verde, óculos redondos, pêndulo na mão direita e guarda chuva na esquerda, este sábio caracteriza-se por uma inteligência tão grande quanto o é, inversamente, a sua surdez e distracção. Obreiro de grandes feitos, é graças a ele que se irão desenvolver duas das histórias máximas da série, o duplo álbum “As Sete Bolas de Cristal / O Templo do Sol” e “O Caso Girassol”.
Depois de “lhe ter piscado o olho” em dois volumes anteriores ao seu surgimento, em “Os Charutos do Faraó” com P. Siclone e em “A Estrela Misteriosa” com H. Calys, Hergé fá-lo aparecer, definitivamente, em “O Tesouro de Rackham o Terrível”, de forma abrupta, como que impondo-se, ele mesmo, à entrada na série.
Sempre no “mundo da Lua” (talvez por isso tenha sido o grande impulsionador da viagem a esse satélite), o Professor Tournesol é símbolo da sabedoria e da distracção, sendo ele que congrega unanimemente a amizade, a admiração e a inveja de todos os outros, amigos e/ou inimigos.

A última figura da família (que se pode designar como básica) é o “impossível” SERAPHIN LAMPION. Vendedor de seguros da Companhia Mondass, é uma figura típica da cidade de Bruxelas, com todos os seus defeitos e inconvenientes, tal como é referido por Hergé.
Surge pela primeira vez no álbum “O Caso Girassol” e depois disso (com excepção no “Tintin no Tibete”) a sua presença, indesejada e incómoda é sempre garantida.
Pai de uma numerosa família, não hesita em levá-la para o Castelo de Moulinsart quando neste se encontra apenas o mordomo Nestor, o que origina um verdadeiro pandemónio. Apesar da sua inconveniência, esta figura ganhou lugar de destaque e a sua negatividade deu-lhe a necessária estatura para ser das personagens mais importantes da série.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

Parabéns Princesa


Há sorrisos que nos iluminam a alma!
Há vozes que nos aquecem e abraços que nos confortam!
Que se mantenham sempre assim!
Hoje a minha princezinha faz anos!
MUITOS PARABÉNS!!!!!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2006

Dia de Reis


HOJE É DIA DE REIS!!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

Happy Birthday J.R.R.Tolkien


Passaram ontem 114 anos que em Bloemfontaine, África do Sul, nasceu John Ronald Reuel Tolkien. Responsável pelos mais belos momentos de leitura que já tive, eu e muitos milhões de outros entusiastas do seu mais famoso escrito, O Senhor dos Anéis.
Por todo o encantamento e magia que nos ofereceu o meu muito obrigado e a certeza que o seu trabalho irá continuar a maravilhar muitas gerações de ávidos leitores através das próximas eras do mundo.
Muitos parabéns Tolkien!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2005

Para que as crianças possam sorrir (todos os dias)


Nos últimos dias tenho vindo a ouvir com frequência o último albúm dos The Divine Comedy, "Absent Friends" de seu nome.
Nos últimos posts tenho vindo, como é notório, a fazer várias referências aos meus pequenos.
E, aproveitando este quase fim de ano e uma música muito bonita que Neil Hannon dedicou à sua filha, vou deixar aqui um pequeno excerto desse excelente "Charmed Life", para eles e para todas as crianças do mundo; para que as vossas vidas possam ser boas e para que no(s) próximo(s) ano(s) não tenhamos que ouvir histórias sobre crianças que não tenham finais felizes, tal como todas elas merecem.

"(...)
Well sometimes this life is like being afloat
on a ranging sea in a little row-boat,
just trying not to be washed overboard.
But if you take your chances and you ride your luck,
and you never, never, never, never, never give up
those waves will see you safely to a friendly shore

When I hold you in my arms,
I know that this is a charmed life,
A charmed life"

quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

Boas Festas

O Natal é uma quadra que me agrada, desde pequeno que me agrada. Gosto do ambiente, gosto das luzes, das prendas, das comidas. Com o passar dos anos a magia apagou-se um pouco, mas lá no fundo sabe-me sempre bem o Natal, mesmo quando, como agora, parece ser apenas mais um dia feriado.
No entanto, quando vemos e ouvimos as gargalhadas dos pequeninos e descobrimos a sua cara de satisfação ao desembrulhar cada presente, volta-nos o doce sabor do Natal da nossa infância e neste que já passou aconteceu-me isso outra vez.
A minha infância agora reflecte-se na infância dos meus pequenos, por eles todos os Natais são bons, o Pai Natal existe mesmo e cada embrulho traz uma surpresa maravilhosa.
"Jingle bell, jingle bell, já não há papel, não faz mal, não faz mal, limpa-se ao jornal...", como gosta de cantar a minha menina. Gosto também de cantar com ela esta "heresia" natalícia.
Estas são, de facto, as boas festas!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2005

Bada Sonora nº12


Da América, às vezes, também nos chegam coisas boas. A Dave Matthews Band é, claramente, uma delas. Descobri-os há uns anos, por acaso, e nem pelo facto de serem pouco difundidos por estas bandas, os deixei de acompanhar assiduamente. São uma autêntica banda de culto do outro lado do Atlântico e alguns privilegiados vêm ouvindo as suas músicas deste lado.

"(...) it's crazy i'm thinking,
just knowing that the world is round
here i'm dancing on the ground,
am I right side up or upside down,
is this real or am I dreaming(...)"

De Crush a #41, de If I Had it All a Up Up and Away e a tantas, tantas outras, DMB valem bem todas as audições que lhes possamos dispensar

terça-feira, 13 de dezembro de 2005

As enormes vozes pequeninas

Na vida que vamos percorrendo subimos montanhas enormes e descemos vales profundos; enfrentamos tempestades e furacões e também temos dias de um sol brilhante.
E é tão doce quando há sorrisos que nos aquecem a alma; quando há gargalhadas que nos erguem até ao azul de um céu muito limpo.
Quando vozes pequeninas nos enchem os ouvidos das mais bonitas palavras que podem existir.
- Pápá! diz-me ele quando me beija a face e me faz uma festa no cabelo.
- Tu és o papá mais lindo! diz-me ela dando-me um abraço apertado.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

Leitura de sempre


A Terra Média é uma Terra onde o fantástico vive todos os dias, a cada minuto que passa. É uma Terra onde tudo parece possível, é uma Terra muito próxima da terra, das árvores, dos bosques e das grandes florestas, da natureza em todo o seu esplendor. A Terra Média é também um lugar onde encontramos os mais estranhos seres, desde os muito belos aos mais horrendos, dos muito amigáveis até ao mais malévolos.
A Terra Média é sobretudo local de encantamento, de aventura, de sonho até.
E é nela que existe o Shire, o último recanto onde a paz gosta, também ela, de descansar.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

Banda Sonora nº 11


Estou agora a ouvir uma música que me agrada bastante. Canta-se em inglês e o nome da banda é também ele inglês, mas os amigos são de Alcobaça e soam muito bem.
Creio que a melhor definição para a sua música está mesmo no seu nome, um autêntico GIFT que nos é oferecido com sonoridades que extravasam o mero bom gosto, são eles que dizem : "I did it for music, I did it for love, I did it for everyone around me", digo eu, continuem a fazê-lo!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

Levanta-te e Ri !


Não, não vou fazer nenhuma stand up comedy, até porque tenho dúvidas que consiga fazer rir muita gente e depois também não acho piada à maior parte daqueles comediantes que fazem rir à custa dumas quantas parvoíces sem nexo e com terjeitos de Herman José em fim de carreira, que é, de facto, onde ele está.
Levanta-te e ri é, sobretudo, uma constatação de que aquilo que de mau nos assalta por vezes os dias, é tão efémero quanto os dias assaltados e que de cada vez que tropeçamos e caímos, outras tantas nos podemos levantar e evitar, ou pelo menos tentar, quedas futuras. E porque não conseguirmos rir das coisas que nos rodeiam e até de nós próprios, parece-me um bom remédio, às vezes dificil de encontrar mas, creio, com resultados garantidos. Então quando temos coisas e pessoas que nos encantam as horas, aproveitemo-las e façamos do nosso dia uma canção, um céu azul e um sol brilhante.
Como Neil Hannon nos diz em mais uma canção notável, das inúmeras que ele vem escrevendo :
"I'm too young to die..."
Isso sim, é a DIVINA COMÉDIA!!! Levantemo-nos pois e com sonoras gargalhadas, já agora!

Banda Sonora nº 10


A música portuguesa tem, nos últimos anos, conseguido chegar a patamares elevados em termos de novas sonoridades, de projectos inovadores, capazes de rivalizar com quaisquer outros vindos de qualquer ponto do globo. Hoje apeteceu-me recordar um projecto já com alguns anos e que, entretanto, já fechou em termos criativos, embora eu creia que o prazer que nos transmitiu e transmite não tenha acabado, muito longe disso.
Trovante era o seu nome e as suas canções são das melhores que a chamada música popular portuguesa nos ofereceu. O seu "trio maravilha", Represas, Faria e Gil continuam por aqui a cantar, a produzir, a compor, mas a sua fase Trovante foi, sem dúvida, a que melhores frutos musicais e poéticos nos ofereceu.

Com os Trovante nos disseram há que ter "saudades do futuro".