domingo, 12 de fevereiro de 2012
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Graças a Deus (ontem foi) é sexta feira
Rodrigo Leão e Neil Hannon e depois não me venham dizer que não existe a perfeição.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Rock em Stock
De repente veio-me à memória a rádio, daquele tempo em que a rádio era a sério, em que havia, de facto, programas de rádio e onde podíamos ouvir os autores, aqueles autores que sabiam comunicar, fazer rádio, deleitar-nos com os seus conhecimentos e com as músicas que nos ofereciam, daquelas a sério, daquelas que valiam a pena, sem playlists, sem concessões ao comercialismo, sem artificios manhosos, tudo puro, tudo para todos os gostos, tudo para que os ouvintes se sentissem presos aos seus programas, daqueles que nos faziam bem, que nos faziam querer ficar agarrado ao aparelho de rádio porque ele nos acompanhava, nos mostrava aquilo que queríamos conhecer, naqueles que eram, verdadeiramente, os dias da rádio. Nessa altura um dos meus programas era o Rock em Stock do saudoso Luis Filipe B(e)arros.
Abaixo podemos ouvir (nos primeiros 40 s. da canção) o genérico que nos abria as portas do sonho.
Graças a Deus (ainda) é sexta feira
É tão bonito que chega a doer, ou então é a dor transformada em beleza, «mas é mesmo assim o amor».
Bom fim de semana outra vez.
Graças a Deus é sexta feira
Depois do fim do dia de ontem ter sido passado em tão boa companhia, aqui vos deixo um cheirinho daquilo que vi e ouvi e que tão bem me soube.
Bom fim de semana.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Piegas?!
Passos pede aos portugueses para serem “mais exigentes” e “menos piegas”
Ó senhor Passos e se fosse bardamerda?
Ó senhor Passos e se fosse bardamerda?
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Um canto escuro
Havia um canto qualquer no seu cérebro que lhe ia indicando o caminho a seguir, se bem que, na maior parte das vezes esse canto estivesse muito pouco iluminado, quase sempre às escuras. Uma vez por outra os seus olhos desviam-se para lá, para o sitio onde a escuridão quase sempre imperava e então ele conseguia distinguir quais os passos que deveria encetar. Mas, por ser tão raro, as mais das vezes ele andava em círculos, dando voltas e mais voltas sobre si próprio, fazendo com que os seus dias se repetissem até à exaustão. Tanto que já nem lhe desagradavam, passavam apenas e ele quase nem dava por eles, a noite e o dia, a chuva e o sol confundiam-se sem que ele conseguisse perceber onde acabavam uns e começavam outros.
Entretanto o resto do cérebro ia trabalhando, obrigando-o às tarefas rotineiras do dia-a-dia, sem nunca chegar a perceber que, naquele canto escuro estaria, porventura, a sua salvação. Às vezes, quando dormia, uma luz irradiava forte, do canto escuro e ele sonhava com coisas impossíveis, com saltos enormes, com aventuras fantásticas, com momentos inolvidáveis, mas depois, quando acordava, rapidamente se esquecia de tudo, foi apenas um sonho, pensava e nunca mais lhe dava atenção.
Os dias continuavam a passar e os círculos que os preenchiam eram cada vez mais apertados. Doía-lhe o coração e ele quase nem dava por isso, o cérebro estava demasiado preenchido a mostrar-lhe como se devia curvar perante as horas que lhe escureciam a vida.
Um dia adormeceu, esqueceu-se de acordar à hora de todos os dias e mesmo depois de abrir os olhos não viu onde estava. O sonho era mais forte que a vontade da rotina. Apesar de tudo levantou-se e preparou-se para tomar os caminhos usuais. Mas a luz que irradiava do canto escuro do seu cérebro era forte demais para ser ignorada. Voltou a deitar-se e assim ficou, sem saber por quanto tempo.
Mais tarde, quando vieram bater à porta de sua casa, não respondeu, não se levantou do sítio onde estava, a luz continuava a iluminá-lo e ele sabia que não precisava de mais nada para ser feliz.
Passado ainda mais tempo, quando os dois bombeiros conseguiram finalmente abrir a porta de sua casa, encontraram-no na mesma posição, deitado, ignorando tudo, excepto a luz que lhe que lhe explodia no cérebro. Sorria.
Antes de fechar o saco preto onde o embalavam, o primeiro bombeiro não se conteve e comentou para o outro:
- A julgar pela cara, este deve ter morrido satisfeito.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
O livro
Caminhava de cabeça baixa, absorto com as palavras que lia no livro aberto à sua frente. Nunca um livro lhe tinha despertado tanto prazer, nunca as palavras lhe tinham trazido tantas certezas, tantas dúvidas também, tanto gozo em ser atirado de um lado para o outro, porque era assim que se sentia. Abanado. As ideias chocalhavam na sua mente, agitavam-no e isso era tudo o que sempre procurara nos livros e ele já lera muito, aliás era tudo o que fazia, pelo menos tudo o que fazia por gosto, com vontade.
Ao caminhar de cabeça presa no livro que lia, não se apercebeu de todo o reboliço que estalava à sua volta. Não via que outras palavras eram atiradas sem nexo, sem regresso, sem vontade, ou então com vontade retorcida, maligna. Não se apercebeu também das correrias, dos bastões e até dos tiros que voavam por perto.
O seu caminho era feito pelo livro que lia, nem mais à esquerda, nem menos à direita. Não se apercebia do que acontecia à volta, nem isso lhe importaria se se desse conta, porque o que interessava, o que lhe moldava os dias e o fazia caminhar, estava ali naquelas páginas.
Ali por perto já jaziam vários corpos, mortos, feridos, inconscientes, ou simplesmente disfarçados disso tudo, por medo, ou precaução, por estratégia ou por não saberem estar doutro modo. Do outro lado da rua havia barricadas, fumo e explosões e nada disso ele via, porque não queria, não precisava, não sabia como.
Os gritos eram estridentes, de um lado e do outro, fúrias incontidas, raivas escancaradas, ódios adivinhados.
Foi então que chegou à última página e fechou o livro. Olhou então o que estava à sua frente e com uma calma natural ergueu o livro no ar.
Imediatamente se viraram para ele e recuando preparam as espingardas.
Cuidado, ouviu ao longe, ele tem um livro na mão!
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