quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Piegas?!
Passos pede aos portugueses para serem “mais exigentes” e “menos piegas”
Ó senhor Passos e se fosse bardamerda?
Ó senhor Passos e se fosse bardamerda?
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Um canto escuro
Havia um canto qualquer no seu cérebro que lhe ia indicando o caminho a seguir, se bem que, na maior parte das vezes esse canto estivesse muito pouco iluminado, quase sempre às escuras. Uma vez por outra os seus olhos desviam-se para lá, para o sitio onde a escuridão quase sempre imperava e então ele conseguia distinguir quais os passos que deveria encetar. Mas, por ser tão raro, as mais das vezes ele andava em círculos, dando voltas e mais voltas sobre si próprio, fazendo com que os seus dias se repetissem até à exaustão. Tanto que já nem lhe desagradavam, passavam apenas e ele quase nem dava por eles, a noite e o dia, a chuva e o sol confundiam-se sem que ele conseguisse perceber onde acabavam uns e começavam outros.
Entretanto o resto do cérebro ia trabalhando, obrigando-o às tarefas rotineiras do dia-a-dia, sem nunca chegar a perceber que, naquele canto escuro estaria, porventura, a sua salvação. Às vezes, quando dormia, uma luz irradiava forte, do canto escuro e ele sonhava com coisas impossíveis, com saltos enormes, com aventuras fantásticas, com momentos inolvidáveis, mas depois, quando acordava, rapidamente se esquecia de tudo, foi apenas um sonho, pensava e nunca mais lhe dava atenção.
Os dias continuavam a passar e os círculos que os preenchiam eram cada vez mais apertados. Doía-lhe o coração e ele quase nem dava por isso, o cérebro estava demasiado preenchido a mostrar-lhe como se devia curvar perante as horas que lhe escureciam a vida.
Um dia adormeceu, esqueceu-se de acordar à hora de todos os dias e mesmo depois de abrir os olhos não viu onde estava. O sonho era mais forte que a vontade da rotina. Apesar de tudo levantou-se e preparou-se para tomar os caminhos usuais. Mas a luz que irradiava do canto escuro do seu cérebro era forte demais para ser ignorada. Voltou a deitar-se e assim ficou, sem saber por quanto tempo.
Mais tarde, quando vieram bater à porta de sua casa, não respondeu, não se levantou do sítio onde estava, a luz continuava a iluminá-lo e ele sabia que não precisava de mais nada para ser feliz.
Passado ainda mais tempo, quando os dois bombeiros conseguiram finalmente abrir a porta de sua casa, encontraram-no na mesma posição, deitado, ignorando tudo, excepto a luz que lhe que lhe explodia no cérebro. Sorria.
Antes de fechar o saco preto onde o embalavam, o primeiro bombeiro não se conteve e comentou para o outro:
- A julgar pela cara, este deve ter morrido satisfeito.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
O livro
Caminhava de cabeça baixa, absorto com as palavras que lia no livro aberto à sua frente. Nunca um livro lhe tinha despertado tanto prazer, nunca as palavras lhe tinham trazido tantas certezas, tantas dúvidas também, tanto gozo em ser atirado de um lado para o outro, porque era assim que se sentia. Abanado. As ideias chocalhavam na sua mente, agitavam-no e isso era tudo o que sempre procurara nos livros e ele já lera muito, aliás era tudo o que fazia, pelo menos tudo o que fazia por gosto, com vontade.
Ao caminhar de cabeça presa no livro que lia, não se apercebeu de todo o reboliço que estalava à sua volta. Não via que outras palavras eram atiradas sem nexo, sem regresso, sem vontade, ou então com vontade retorcida, maligna. Não se apercebeu também das correrias, dos bastões e até dos tiros que voavam por perto.
O seu caminho era feito pelo livro que lia, nem mais à esquerda, nem menos à direita. Não se apercebia do que acontecia à volta, nem isso lhe importaria se se desse conta, porque o que interessava, o que lhe moldava os dias e o fazia caminhar, estava ali naquelas páginas.
Ali por perto já jaziam vários corpos, mortos, feridos, inconscientes, ou simplesmente disfarçados disso tudo, por medo, ou precaução, por estratégia ou por não saberem estar doutro modo. Do outro lado da rua havia barricadas, fumo e explosões e nada disso ele via, porque não queria, não precisava, não sabia como.
Os gritos eram estridentes, de um lado e do outro, fúrias incontidas, raivas escancaradas, ódios adivinhados.
Foi então que chegou à última página e fechou o livro. Olhou então o que estava à sua frente e com uma calma natural ergueu o livro no ar.
Imediatamente se viraram para ele e recuando preparam as espingardas.
Cuidado, ouviu ao longe, ele tem um livro na mão!
Graças a Deus é sexta feira
Uma canção que me leva aos tempos duma infância sonhadora e feliz. Há tantos anos que não a ouvia.
Bom fim de semana.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Histórias com Música (52)
Lembro-me muito bem de me falarem dele, do papão que vivia no telhado e que comia criancinhas. Do homem do saco.
Lembro-me até de o ver quando, no fim da tarde, o ardina, o pobre ardina, vinha bater à porta da casa dos meus avós, para lhes trazer os jornais vespertinos. Era ele o homem do saco, um enorme saco onde trazia os jornais mas que, para mim, era o saco onde ele levava as criancinhas. O homem do saco era ele, o papão que vivia no telhado e que comia criancinhas. Mal sonhava o pobre homem que era assim que eu o via, que é assim que o vejo ainda hoje, tantos anos depois, quando agora ele não deve ser mais que um fantasma, uma espécie de fantasma negro dos meus sonhos, um rosto que ainda ligo ao terror infantil, aquele que fica, o único que fica ao longo de toda a vida, porque é o único real, o verdadeiro, porque é aí que as coisas se manifestam com mais rigor, com maior verdade, naquela idade em que aprendemos que, apesar do sol que brilha, há muita escuridão no mundo, naquele mundo que ainda não conhecemos mas que vamos intuindo, que se vai abrindo à nossa frente, como um papão que vive nos telhados, como um homem do saco que vem bater, todas as tardes, à nossa porta.
Parece que, depois, nos esquecemos disso, mas não, cá bem dentro de nós sabemos que ele existe, mesmo que o queiramos esconder, o homem do saco, o papão, está sempre lá, à nossa espera e mesmo que vá adoptando outras formas, mesmo que vá utilizando outros sorrisos, quando menos esperamos ele toca-nos no ombro e sorrindo amavelmente diz-nos: Não me esqueci de ti…
Lembro-me até de o ver quando, no fim da tarde, o ardina, o pobre ardina, vinha bater à porta da casa dos meus avós, para lhes trazer os jornais vespertinos. Era ele o homem do saco, um enorme saco onde trazia os jornais mas que, para mim, era o saco onde ele levava as criancinhas. O homem do saco era ele, o papão que vivia no telhado e que comia criancinhas. Mal sonhava o pobre homem que era assim que eu o via, que é assim que o vejo ainda hoje, tantos anos depois, quando agora ele não deve ser mais que um fantasma, uma espécie de fantasma negro dos meus sonhos, um rosto que ainda ligo ao terror infantil, aquele que fica, o único que fica ao longo de toda a vida, porque é o único real, o verdadeiro, porque é aí que as coisas se manifestam com mais rigor, com maior verdade, naquela idade em que aprendemos que, apesar do sol que brilha, há muita escuridão no mundo, naquele mundo que ainda não conhecemos mas que vamos intuindo, que se vai abrindo à nossa frente, como um papão que vive nos telhados, como um homem do saco que vem bater, todas as tardes, à nossa porta.
Parece que, depois, nos esquecemos disso, mas não, cá bem dentro de nós sabemos que ele existe, mesmo que o queiramos esconder, o homem do saco, o papão, está sempre lá, à nossa espera e mesmo que vá adoptando outras formas, mesmo que vá utilizando outros sorrisos, quando menos esperamos ele toca-nos no ombro e sorrindo amavelmente diz-nos: Não me esqueci de ti…
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
...like a work of art...
«(...)We need to live in a state of suspended animation, like a work of art; in a state of enchantment... detached. Detached»
in THE DIVINE COMEDY - THE CERTAINTY OF CHANCE
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