terça-feira, 31 de janeiro de 2012
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
sábado, 28 de janeiro de 2012
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Cascais, 6 de Março de 1975
Gostava de ter ido a Cascais naquele dia 6 de Março de 1975. Não fui, na realidade não fui. Mas apesar de tudo acabei por conseguir ir, algum tempo depois, fui, muitas vezes. Ainda lá vou agora e revejo tudo, mas tudo, o que se passou naquele dia, apesar de todos estes anos que entretanto passaram e de tantas, tantas coisas que mudaram.
Naquele dia de Março, naquele em que eu fui, vi-os sozinho, ali à minha frente, quais fantasmas bons, daqueles que nos assustam porque nós assim desejamos e foi isso que eu vi. Um anjo vestido de negro, mascarado de fantasma, disfarçado de muitas coisas que só ele conseguiu imaginar, para nos mostrar, me mostrar, a magia que trazia dentro de si, que lhe transbordava e que ele não conseguia aguentar sozinho. Criou-a e ofereceu-a a nós, a mim, que não estava lá naquele dia, mas que estive todos os outros, lá, em Cascais, como no meu quarto, na minha rua, na minha escola, em todos os lugares onde habitei e ainda habito. Percebi o que me disse, o que me disseram, aquele anjo mascarado e os outros, os que o acompanhavam e que, embora não fossem anjos, seriam decerto ajudantes, ou anjos mais pequenos, ou querubins duma galáxia qualquer, dum turbilhão de emoções que, parecendo terrenas, estavam para lá disso.
Gostava de ter lá estado para os receber com o meu corpo de jovem acabado de sair de uma infância protegida, gostava de ter entrado na onda libertária que se tinha inaugurado e vê-los e ouvi-los com todas as ganas despertas para perceber melhor o que descobri depois, mesmo sem ter lá estado naquele dia, embora o tenha vivido muitas vezes depois de ele, aparentemente, já ter passado. Ter visto o cordeiro ser sacrificado, ter percebido a loucura dum estranho numa terra estranho, ter percorrido mundos imaginados, criados por uma mente alucinada, ou apenas afectada, fértil em imaginação, ou desprovida dela. Ter seguido por caminhos onde surgiam monstros inimagináveis, cheios de um horror magnético, que nos cercava e nos puxava para o seu interior, o interior de uma caixa onde não é possível ver a luz, mas de onde irradia um brilho intenso, imenso, que, ao cercar-nos, nos coloca num casulo de onde nunca conseguiremos sair.
Ficámos (fiquei), pois, deitados numa rua estreita e escura duma cidade enorme, que nos (me) sufoca, mas que, ao mesmo tempo nos (me) liberta para o som supremo, aquele de onde nunca vamos (vou) querer sair. Até que uma mão amiga, dum irmão talvez, nos (me) consegue segurar e evitar que nos (me perca) percamos nos rápidos duma cascata que nos (me) suga. Foi isto que eu vi naquele dia longínquo de Março de 1975, em Cascais, onde não estive, mas que intuí ao longo da vida, da minha vida.
Real? Não, apenas Rael!
Naquele dia de Março, naquele em que eu fui, vi-os sozinho, ali à minha frente, quais fantasmas bons, daqueles que nos assustam porque nós assim desejamos e foi isso que eu vi. Um anjo vestido de negro, mascarado de fantasma, disfarçado de muitas coisas que só ele conseguiu imaginar, para nos mostrar, me mostrar, a magia que trazia dentro de si, que lhe transbordava e que ele não conseguia aguentar sozinho. Criou-a e ofereceu-a a nós, a mim, que não estava lá naquele dia, mas que estive todos os outros, lá, em Cascais, como no meu quarto, na minha rua, na minha escola, em todos os lugares onde habitei e ainda habito. Percebi o que me disse, o que me disseram, aquele anjo mascarado e os outros, os que o acompanhavam e que, embora não fossem anjos, seriam decerto ajudantes, ou anjos mais pequenos, ou querubins duma galáxia qualquer, dum turbilhão de emoções que, parecendo terrenas, estavam para lá disso.
Gostava de ter lá estado para os receber com o meu corpo de jovem acabado de sair de uma infância protegida, gostava de ter entrado na onda libertária que se tinha inaugurado e vê-los e ouvi-los com todas as ganas despertas para perceber melhor o que descobri depois, mesmo sem ter lá estado naquele dia, embora o tenha vivido muitas vezes depois de ele, aparentemente, já ter passado. Ter visto o cordeiro ser sacrificado, ter percebido a loucura dum estranho numa terra estranho, ter percorrido mundos imaginados, criados por uma mente alucinada, ou apenas afectada, fértil em imaginação, ou desprovida dela. Ter seguido por caminhos onde surgiam monstros inimagináveis, cheios de um horror magnético, que nos cercava e nos puxava para o seu interior, o interior de uma caixa onde não é possível ver a luz, mas de onde irradia um brilho intenso, imenso, que, ao cercar-nos, nos coloca num casulo de onde nunca conseguiremos sair.
Ficámos (fiquei), pois, deitados numa rua estreita e escura duma cidade enorme, que nos (me) sufoca, mas que, ao mesmo tempo nos (me) liberta para o som supremo, aquele de onde nunca vamos (vou) querer sair. Até que uma mão amiga, dum irmão talvez, nos (me) consegue segurar e evitar que nos (me perca) percamos nos rápidos duma cascata que nos (me) suga. Foi isto que eu vi naquele dia longínquo de Março de 1975, em Cascais, onde não estive, mas que intuí ao longo da vida, da minha vida.
Real? Não, apenas Rael!
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Portugal é nosso ?
«O fim do espaço de opinião da Antena 1 “Este Tempo”, que terá sido motivado por uma crónica do escritor e jornalista Pedro Rosa Mendes, que criticou uma emissão especial da RTP feita a partir de Angola, levou o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda a questionarem o Governo sobre a responsabilidade da decisão na rádio pública. »
Será que a ordem dos factores é aleatória, ou será apenas mais um caso de neo-colonialismo, agora em sentido contrário?
Será que a ordem dos factores é aleatória, ou será apenas mais um caso de neo-colonialismo, agora em sentido contrário?
Menos uma
Mais uma que vai fechar. Menos uma que nos fica a confortar, que nos permite passear pelos seus corredores, pelas suas estantes, folheando um ou outro livro, aspirando aquele cheiro único que salta dos livros.
Mais uma que fecha, menos gente que se importa.
O que é que tem? Os livros não fazem falta e depois há-os às carradas nos hipermercados, onde são mais baratos e os podemos comprar ao mesmo tempo que a alface ou o Skip, para quê perder tempo a ir a uma livraria que não tem mais nada a oferecer que uma quantidade de livros, se calhar daqueles que nem têm sequer uma lombada engraçada, daquelas que ficam bem no móvel lá de casa.
Mais um pedaço de sonho que fica pelo caminho, mais um local onde deixamos de poder ir em busca do fantástico, do maravilhoso, das páginas que nos podiam tornar maiores, mais sábios, de certeza mais felizes.
Menos uma porta que se nos abre, mais uma escuridão que surge para nos ir apagando os dias, que tristes que eles ficam assim. Sem letras, sem palavras, sem frases que nos formam, que nos encantam.
E depois o que interessa isso? No memorando da troika não vinha que temos que saber ler!
O Homem ao Contrário (IV)
(...)Com uma estranheza maior que nunca retirei do bolso a caixa que o homem ao contrário me havia dado. Resolvi abri-la e ver o que continha. Um espelho de grandes dimensões desdobrou-se à minha frente. Olhei novamente para a caixa e reparei que também tinha algo escrito, em letras douradas e salientes, certamente o nome do homem ao contrário: adevlúpeS oetómiT.
Foi então que uma luz intensa e sedutora se começou a soltar do espelho que estava á minha frente. Sem perceber como nem porquê senti-me impelido a entrar nela. Não consegui perceber como se entrava para um espelho, mas tinha a certeza que naquele era possível, não só possível mas desejável e, já depois de ter passado uma perna, olhei para trás e viu-o outra vez, o homem ao contrário estava ali, a olhar para mim a sorrir-me e a acenar-me, com a mão esquerda.
- suedA. Disse-me ele e acrescentou algo que já não consegui ouvir.
Foi já depois de atravessar todo o espelho que percebi que a s suas últimas palavras o tinham atravessado comigo:
- ... e não esqueças que, por cada espelho que se parte, há uma memória que se perde.
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