Quase a mergulhar nas férias, deixo aqui uma memória que, nos últimos dias, se tornou mais viva em algumas pessoas que teimam em continuar jovens, apesar de alguns espelhos insistirem, erradamente, em passar-lhes outra imagem.
...estou como este, entre férias, mas ainda não, falta pouco, há espera de, estão quase aí, bem vou esperando até cheguem. No fundo saber esperar é uma excelente virtude. Até lá o blog mantê-se intermitente...
Mais um trailer e cada vez mais a certeza de que este NÃO é o nosso Tintin. Apesar de acreditar, sem reservas, que irá ser um excelente filme de aventuras.
Chegou-se a mim de olhos muito vermelhos, balbuciando palavras sem nexo aparente, deixando um rasto de dúvidas atrás de si. Eu olhei-o com um misto de surpresa e piedade. Tinha-o conhecido há muito tempo. Éramos ainda quase crianças, corríamos muito no pequeno jardim que ficava logo à frente de nossas casas. Nessa altura podíamos sair à vontade, correr até ao jardim, atravessar a estrada sem olhar para os lados e até jogar á bola na esquina mais próxima. Porque nessa altura a rua era só nossa, nossa e de alguns outros amigos que, por vezes, vinham brincar connosco. Nessa altura o mundo estava no seu inicio e nós ansiávamos por descobri-lo todos os dias. Cada novo dia cheio de histórias por descobrir, de aventuras por começar. Era uma vida cheia, mal tínhamos tempo para dormir. Sem repararmos o relógio avançou depressa, depressa demais. E deixamos de jogar á bola na rua, largámos as risadas fáceis de criança e lançámo-nos noutro mundo. De olhos fechados, de braços abertos. Não porque soubéssemos para onde íamos, mas porque, nessa altura, não queríamos saber de perigos, éramos infalíveis e ai de quem nos repreendesse, nunca mais o olharíamos, aliás, nunca mais o veríamos. Nessa altura éramos os reis do mundo, mesmo que este já estivesse sujo e não nos protegesse como o fazia há anos atrás. E depois separamo-nos. Escolhemos estradas diferentes. Optamos por outras encruzilhadas e, mesmo sem o sabermos, decidimos o caminho a tomar ignorando que a porta se fechava atrás de nós. Vejo-o agora, quando já não o via há muito tempo, quase o tinha esquecido. Vem ter comigo de braços abertos, de mãos estendidas e, juro, não me quer abraçar por ter sentido saudades minhas. Mas porque, tal como eu, ainda não perdeu a esperança de encontrá-la. Quer agarrar-me porque já não sabe onde pode encontrar outra tábua de salvação. Alguém que lhe dê a mão e o faça recuar no tempo, até aqueles dias felizes, mesmo sabendo que não há retorno possível. Ele quer, e eu também, fechar os olhos em sossego e partir para outra aventura, voltar para aquele sitio quando o mundo estava no seu inicio e o jardim estava logo à saída de casa. Embora, eu e ele, saibamos que depois de fecharmos os olhos apenas a dúvida restará, pelo menos para aqueles que não nos conheceram e não sabem o que fazer a dois velhos agarrados um ao outro de olhos fechados e petrificados num aparente sorriso triste.
Sabemos bem que a equipa adversária não era bem uma equipa. Sabemos bem que um resultado destes (9-1) não é normal. Sabemos bem que isto foi a feijões. Mas também sabemos bem que, apesar disso tudo, sabe muito bem começar a época assim.