sexta-feira, 15 de julho de 2011

Graças a Deus é sexta feira



que o fim de semana seja...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A leoa Lili



Lili Caneças. "Os meus amigos eram maoistas. Eu sempre fui trotskista"

pois...

Viva a revolução

quarta-feira, 13 de julho de 2011

frases (imper)feitas (XXVI)


(...)we need to live in a state of suspended animation, like a
work of art; in a state of enchantment... detached. Detached (...)

cores

Geometria de cores...



...ou apenas fios coloridos?

Tintin, o filme

Mais um trailer e cada vez mais a certeza de que este NÃO é o nosso Tintin. Apesar de acreditar, sem reservas, que irá ser um excelente filme de aventuras.

Histórias com Música (51)

Chegou-se a mim de olhos muito vermelhos, balbuciando palavras sem nexo aparente, deixando um rasto de dúvidas atrás de si.
Eu olhei-o com um misto de surpresa e piedade.
Tinha-o conhecido há muito tempo. Éramos ainda quase crianças, corríamos muito no pequeno jardim que ficava logo à frente de nossas casas. Nessa altura podíamos sair à vontade, correr até ao jardim, atravessar a estrada sem olhar para os lados e até jogar á bola na esquina mais próxima. Porque nessa altura a rua era só nossa, nossa e de alguns outros amigos que, por vezes, vinham brincar connosco. Nessa altura o mundo estava no seu inicio e nós ansiávamos por descobri-lo todos os dias. Cada novo dia cheio de histórias por descobrir, de aventuras por começar. Era uma vida cheia, mal tínhamos tempo para dormir.
Sem repararmos o relógio avançou depressa, depressa demais. E deixamos de jogar á bola na rua, largámos as risadas fáceis de criança e lançámo-nos noutro mundo. De olhos fechados, de braços abertos. Não porque soubéssemos para onde íamos, mas porque, nessa altura, não queríamos saber de perigos, éramos infalíveis e ai de quem nos repreendesse, nunca mais o olharíamos, aliás, nunca mais o veríamos. Nessa altura éramos os reis do mundo, mesmo que este já estivesse sujo e não nos protegesse como o fazia há anos atrás.
E depois separamo-nos. Escolhemos estradas diferentes. Optamos por outras encruzilhadas e, mesmo sem o sabermos, decidimos o caminho a tomar ignorando que a porta se fechava atrás de nós.
Vejo-o agora, quando já não o via há muito tempo, quase o tinha esquecido. Vem ter comigo de braços abertos, de mãos estendidas e, juro, não me quer abraçar por ter sentido saudades minhas. Mas porque, tal como eu, ainda não perdeu a esperança de encontrá-la.
Quer agarrar-me porque já não sabe onde pode encontrar outra tábua de salvação. Alguém que lhe dê a mão e o faça recuar no tempo, até aqueles dias felizes, mesmo sabendo que não há retorno possível.
Ele quer, e eu também, fechar os olhos em sossego e partir para outra aventura, voltar para aquele sitio quando o mundo estava no seu inicio e o jardim estava logo à saída de casa. Embora, eu e ele, saibamos que depois de fecharmos os olhos apenas a dúvida restará, pelo menos para aqueles que não nos conheceram e não sabem o que fazer a dois velhos agarrados um ao outro de olhos fechados e petrificados num aparente sorriso triste.


domingo, 10 de julho de 2011

Dead can Dance

Um dos projectos mais originais dos 80, que ainda hoje é vanguarda.

humor triste

Apesar do que nos dizem, esta é uma realidade cada vez mais real!

labirintos

Onde se demonstra que a vida é, de facto, um labirinto complicado...

Bons principios


Sabemos bem que a equipa adversária não era bem uma equipa.
Sabemos bem que um resultado destes (9-1) não é normal.
Sabemos bem que isto foi a feijões.
Mas também sabemos bem que, apesar disso tudo, sabe muito bem começar a época assim.

sábado, 9 de julho de 2011

Histórias com Música (50)

Que ruído irritante, disse ele virando-se para o outro lado.
Contudo, o ruído irritante continuava a metralhar-lhe a cabeça.
Diabo de despertador, acrescentou desligando-o de imediato.
Espreguiçou-se depois, esticando cada músculo do corpo até ao seu limite.
É hoje, pensou abrindo os olhos.
Fitou demoradamente o tecto do seu quarto.
É hoje, repetiu em voz alta.
Não sabia se havia de sorrir ou de encarar aquele hoje com o mesmo temor que o vinha assolando há vários dias.
Hesitou em levantar-se, mesmo sabendo que cada minuto contava. Que o hoje a que se referira não iria esperar muito mais e que, mesmo estando consumido pelo nervoso miudinho, aquele poderia ser o dia mais importante da sua vida…

Que ruído irritante, disse ele virando-se para o outro lado.
Contudo, o ruído irritante continuava a metralhar-lhe a cabeça.
Diabo de despertador, acrescentou desligando-o de imediato.
Espreguiçou-se depois, esticando cada músculo do corpo até ao seu limite.
É hoje, pensou abrindo os olhos.
Fitou demoradamente o tecto do seu quarto.
É hoje, repetiu em voz alta.
Não sabia se havia de sorrir ou de encarar aquele hoje com o mesmo temor que o vinha assolando há vários dias.
Hesitou em levantar-se, mesmo sabendo que cada minuto contava. Que o hoje a que se referira não iria esperar muito mais e que, mesmo estando consumido pelo nervoso miudinho, aquele poderia ser o dia mais importante da sua vida…
… de repente surgiu-lhe a sensação de que já tinha vivido aquele momento. Rapidamente a afastou e sorriu, aquele iria ser o seu dia decisivo. Levantou-se rapidamente…


Que ruído irritante, disse ele virando-se para o outro lado.
Contudo, o ruído irritante continuava a metralhar-lhe a cabeça.
Diabo de despertador, acrescentou desligando-o de imediato.
Espreguiçou-se depois, esticando cada músculo do corpo até ao seu limite.
É hoje, pensou abrindo os olhos.
Fitou demoradamente o tecto do seu quarto.
É hoje, repetiu em voz alta.
Não sabia se havia de sorrir ou de encarar aquele hoje com o mesmo temor que o vinha assolando há vários dias.
Hesitou em levantar-se, mesmo sabendo que cada minuto contava. Que o hoje a que se referira não iria esperar muito mais e que, mesmo estando consumido pelo nervoso miudinho, aquele poderia ser o dia mais importante da sua vida…
… voltou a olhar o despertador, queria certificar-se que era a hora certa para se levantar. Sentia que já o tinha feito, mas continuava deitado a olhar o tecto do seu quarto…

Que ruído irritante, disse ele virando-se para o outro lado.
Contudo, o ruído irritante continuava a metralhar-lhe a cabeça.
Diabo de despertador, acrescentou desligando-o de imediato.
Espreguiçou-se depois, esticando cada músculo do corpo até ao seu limite.
É hoje, pensou abrindo os olhos.
Fitou demoradamente o tecto do seu quarto.
É hoje, repetiu em voz alta.
Não sabia se havia de sorrir ou de encarar aquele hoje com o mesmo temor que o vinha assolando há vários dias.
Hesitou em levantar-se, mesmo sabendo que cada minuto contava. Que o hoje a que se referira não iria esperar muito mais e que, mesmo estando consumido pelo nervoso miudinho, aquele poderia ser o dia mais importante da sua vida…
… pensou que, às vezes, o seu cérebro lhe pregava algumas partidas para as quais não havia resposta óbvia e parecia-lhe que agora era um desses momentos. Sentia, ou sabia, que já havia acordado há muito, mas o relógio marcava 7 horas e o despertador ainda vibrava…


Que ruído irritante, disse ele virando-se para o outro lado.
Contudo, o ruído irritante continuava a metralhar-lhe a cabeça.
Diabo de despertador, acrescentou desligando-o de imediato.
Espreguiçou-se depois, esticando cada músculo do corpo até ao seu limite.
É hoje, pensou abrindo os olhos.
Fitou demoradamente o tecto do seu quarto.
É hoje, repetiu em voz alta.
Não sabia se havia de sorrir ou de encarar aquele hoje com o mesmo temor que o vinha assolando há vários dias.
Hesitou em levantar-se, mesmo sabendo que cada minuto contava. Que o hoje a que se referira não iria esperar muito mais e que, mesmo estando consumido pelo nervoso miudinho, aquele poderia ser o dia mais importante da sua vida…
… doía-lhe a cabeça, era como se o despertador não parasse de retinir há mais de uma hora e ele não conseguisse acordar. Logo hoje que era o dia por que tanto ansiara…

Que ruído irritante, disse ele virando-se para o outro lado.
Contudo, o ruído irritante continuava a metralhar-lhe a cabeça.
Diabo de despertador, acrescentou desligando-o de imediato.
Espreguiçou-se depois, esticando cada músculo do corpo até ao seu limite.
É hoje, pensou abrindo os olhos.
Fitou demoradamente o tecto do seu quarto.
É hoje, repetiu em voz alta.
Não sabia se havia de sorrir ou de encarar aquele hoje com o mesmo temor que o vinha assolando há vários dias.
Hesitou em levantar-se, mesmo sabendo que cada minuto contava. Que o hoje a que se referira não iria esperar muito mais e que, mesmo estando consumido pelo nervoso miudinho, aquele poderia ser o dia mais importante da sua vida…
… sentiu-se cansado, muito cansado. Desligou o despertador e virou-se para o outro lado da cama. Quando voltou a adormecer não conseguiu perceber que um sorriso trocista se soltava dos seus lábios.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Lixeira


«Moody''s atira Portugal para o "lixo". Há risco de segundo empréstimo.
Agência justifica decisão com precedente europeu aberto para o caso da Grécia e com dúvidas sobre cumprimento do programa da troika.»


Ainda estou para perceber como é possível pagarmos a estes senhores (segundo o que ouvi, cerca de 9 milhões de euros), para sermos sujeitos a vexames deste tipo. Como foi possível deixarmo-nos levar para situações como esta, em que uns quantos engravatados aramados ao pingarelho, nos colocam rótulos que não merecemos. Lixo? Lixo será o local para onde este capitalismo desenfreado e cego nos está a levar. Lixo é deixarmo-nos enganar por meia dúzia de senhores que não param de nos fazer suar as estopinhas para conseguirmos arranjar comida todos os dias. Lixo é esta cegueira neo liberal que faz depender a nossa vida dos mercados. Que, bem vistas as coisas, ninguém sabe bem como funcionam e quem são. Ou se sabem andam a enganar-nos também e isso, bem, isso é que é mesmo uma lixeira!

domingo, 3 de julho de 2011

O aprendiz de feiticeiro


«Pinto da Costa defende partido para combater centralismo de Lisboa
O presidente do FC Porto, Pinto da Costa, considerou hoje que "falta um grande partido político do Norte" para combater o centralismo de Lisboa e que a região só se irá unir "quando perder a paciência".

Pinto da Costa falava na conferência promovida para assinalar os 20 anos da TSF no Porto, em Serralves, subordinada ao tema Portugal Com Norte e que contou ainda com a presença do presidente do Sporting de Braga, António Salvador(...)»

Será que o sr. Costa já escolheu o lacaio que o irá substituir nas atoardas?

Esboço para um texto sobre a vontade

Na verdade nunca se tinha preocupado com o dia seguinte. Vivia a sua vida como se não houvesse amanhã. Havia quem dissesse na corda bamba, ele preferia na ponta da lança.
Desdenhava das rotinas. Virava à esquerda ou à direita consoante lhe desse na gana e o caminho era sempre em frente, mesmo naquelas alturas em que tinha que dar alguns passos atrás.
Quem com ele privava sentia-lhe a respiração ofegante, o coração a bater depressa, mas sabia que era feliz assim.
- Sim, sou feliz assim. Não estou apenas feliz. Costumava dizer a quem o interrogava acerca da sua pressa.
Ele, pelo contrário, nunca se considerou apressado. Aliás, pensava muito em tudo o que fazia, mas pensava a correr, nunca ninguém o viu parado a pensar.
Havia mesmo quem jurasse que ele dormia em pé para não perder tempo. Ele próprio sempre se considerou um ganhador de tempo. Um coleccionador de risos de criança. Sim porque o riso duma criança, achava ele, era o melhor antídoto para uma vida monótona e triste. Cada vez que uma criança se ria, o mundo pulava e avançava. Era exactamente isso que ele procurava, um avanço para lá do que era, aparentemente, possível. Se pudesse ele saltaria para lá do mundo. Sobrevoaria o planeta, tocaria as estrelas. Para ele isso não era um sonho impossível de concretizar.
O azul e branco do infinito era uma meta que sabia alcançável sem necessidade de artifícios livrescos ou poesias industriais.
Era plausível com aquilo que ele tanto desejava. O desejo não era inalcançável. Era uma coisa concreta que, mais ou cedo ou mais tarde, se alcançaria, senão não era desejo mas quimera fútil e vazia. E o seu mundo não admitia vazios, nem sequer os breves segundos em que, por vezes, uma noite sem estrelas, povoada de fantasmas, lhe surgia do nada. Nem isso o assustava. Pelo contrário, divertia-o.
Dava o braço ao fantasma mais próximo e ria-se com ele, dançava danças imaginadas, percorria-o uma imensa vontade de possuir o impossível.
Era esse o seu desejo, o seu querer, o seu destino afinal: a vontade de possuir o impossível.
No dia em que chegou a essa conclusão, foi o dia em que parou pela primeira vez.
Parou para reflectir, embora não soubesse como se fazia. Estranhou a sensação e, pouco a pouco, compreendeu-a e começou a manobrá-la.
Afinal, pensou, estar parado pode trazer algumas vantagens.
Também nessa altura duvidou. Coisa que nunca lhe tinha acontecido.
Vários porquês o assaltaram inesperadamente e, acontecimento inédito, não lhes conseguiu dar resposta imediata.
Um delicioso embalo foi o que sentiu a seguir. Mesmo antes de fechar os olhos e adormecer. Sentiu ainda o corpo a deitar-se docemente sobre a relva onde tinha parado.
A queda no desconhecido e o seu antigo quintal das brincadeiras misturaram-se na sua mente. Não percebeu se era sonho ou realidade. Se tinha sido enganado, ou era apenas a realidade que se enganara. Mas gostou da sensação e gostou de se lembrar.
A emoção levada á última consequência era, afinal, o que lhe estava a acontecer e mesmo julgando estar a dormir, teve a certeza de que, para se viver a sério, não era necessário correr, afinal o mundo não fugia dele, era apenas ele que queria fugir do mundo.
E num estado em que recordou o quarto de onde via as estrelas, mesmo sem a promessa de as alcançar, confundiu emoções e ganhou uma nova certeza, aquela em que gostava de ter dúvidas, porque assim talvez lhe fosse mais fácil chegar onde sempre desejara, a uma vontade irreprimível de possuir o impossível.
Nessa altura fechou os olhos e deixou-se ficar. Sentiu que estava agora mais perto do azul e branco do infinito, num delicioso embalo, repleto de uma vontade irreprimível de possuir o impossível.