quinta-feira, 7 de abril de 2011

It'll end in tears...



Olho para o nosso país e não consigo deixar de antever, com uma certeza que me surge absoluta, que as lágrimas serão o nosso destino final.
Contudo, ainda tenho alguma réstia de esperança, que nos seja permitido chegar a um outro dia...

Histórias com Música (41)

Tenho saudades. Daqueles que conheci e mesmo daqueles que nunca vi.
Dos sorrisos sinceros e até dos amarelos.
De correr atrás dos autocarros, como quem persegue o fundamental.
De parar nas esplanadas só para misturar vozes e desejos.
De nos sentarmos debaixo das árvores e deixar que os pardais nos viessem comer à mão.
Tenho tantas saudades nossas.
De todos nós, os que por aqui estiveram e partiram sem novas. Dos outros que desapareceram numa voragem sem retorno, sabendo que outros caminhos surgiriam e que a vida não espera por ninguém e também dos que foram ficando, esperando que novos trilhos pudessem estar à sua espera.
Faltam-me esses dias de sol, mesmo quando grossas gotas de uma tempestade furiosa nos cobriam os cabelos de transparências que nunca quisemos perder.
Fico nostálgico quando me lembro das brincadeiras infantis e das outras. Dos abraços roubados a medo e de algumas fúrias seladas com lágrimas.
Das trocas de olhares em que nos confundíamos. Dos segredos partilhados com juras inconfessáveis.
Tenho saudades vossas.
Das imortalidades que sabíamos nunca conseguir, mas que jurávamos sem receios, sem temores, porque o mundo estava apenas no seu inicio e a estrada era tão longa que nunca lhe conheceríamos o fim.
Das voltas e reviravoltas inesperadas, dos momentos únicos que partilhámos todos os dias, mesmo quando os repetíamos (in)conscientemente.
Das espreitadelas cúmplices a decotes mais generosos. Dos beijos receosos, de uma mão atrevida que era devolvida com grande estrondo.
Penso até naqueles mais velhos que, graciosamente, nos davam conselhos que nós sabíamos não seguir e que hoje devolvemos com juros, porque nunca imaginámos que seríamos assim.
A nossa vida estava logo ao virar daquela esquina e parava no fim da outra rua.
Tenho saudades daqueles que ficaram, que não quiseram continuar ou que, simplesmente, não puderam.
Das fotografias que tirámos e que hoje guardamos em memórias sépia, que vão escurecendo até que por fim desaparecem.
Tenho muitas saudades. De todos vós e de mim também.
Quem me dera que aqui estivessem todos agora.
Quem me dera que eu ainda aqui estivesse …


terça-feira, 5 de abril de 2011

frases (imper)feitas (XVI)


…apesar de as meninas já terem deixado de usar capuchinhos vermelhos, os lobos continuam a vigiar os caminhos da floresta…

Companheirismos

Ele há coisas que nunca perdem actualidade, muito antes pelo contrário!

Histórias de Coelhos

Agora que uma jornalista escreveu este livro e outro jornalista o apresentou,

talvez fosse boa altura para se (re)ler outro livro. Este sim, tem coelhos verdadeiramente invulgares e corajosos!

?



O que será que ele (ainda) procura?

Olá (XV)

(...)
A corrente está diminuir de força, parece que o ribeiro está a parar. Percebo que não tenho muito tempo, embora não saiba quanto passou desde que aqui estou. Há um chamamento muito forte. Vou deixar-me ir. Sim, é por aqui que vou.
Mergulho!
Não parece água, não me sinto molhado, não me falta a respiração. É aconchegante, doce, confortável. Que sensação boa. Deixo-me ir, levado por esta corrente que me alimenta, me enche de desejos e de vida.
Parece um sonho, um delírio sem fim. É revigorante. Mesmo não sabendo onde estou, consigo afirmar que estou no melhor sítio que alguma vez conseguiria imaginar.
Na verdade, não vejo nada, não oiço nada, mas o que sinto ultrapassa todas essas necessidades, todas as vontades. Sinto-me cheio de força, sinto-me no principio, sei que a partir daqui tudo será novo e renovado. É isso, voltei, não sei onde e a quê mas é isso que sinto acima de tudo.
Volto!
Há uma luz ao fundo e sinto-me impelido a alcançá-la, embora aqui me sinta tão bem, sinto uma força tremenda que me leva em direcção à luz.
Não sei se o que mais quero é ficar aqui ou tomar o caminho da luz. Mas agora não me parece que tenha opção. É irreversível esta força que me leva em direcção à luz.
Deixo-me ir, mas com esforço, com alguma dor até, sinto uma irreprimível vontade de chorar…



- Parabéns! É um rapaz perfeito!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

frases (imper)feitas (XV)



...há abóboras que nunca se (re)transformam, nem mesmo com a última das badaladas...

Wall Street Journal e nós


Não precisamos dos americanos para sabermos isto, mas não deixa de ser triste a imagem (verdadeira) que temos lá fora. E, já agora, não creio que seja só o Sócrates a ter a culpa toda.

«(...)Portugal is the poorest country in Western Europe. It is also the least educated, and that has emerged as a painful liability in its gathering economic crisis. (...)»

«(...)Cheap rote labor that once sustained Portugal's textile industry has vanished to Asia. The former Eastern Bloc countries that joined the European Union en masse in 2004 offer lower wages and workers with more schooling. They have sucked skilled jobs away.

Just 28% of the Portuguese population between 25 and 64 has completed high school. The figure is 85% in Germany, 91% in the Czech Republic and 89% in the U.S.(...)»

Roberto

Hoje devia ser politicamente correcto e dar os parabéns aqueles tipos da cidade das francesinhas, dizer-lhes que, sim senhor mereceram e patati patatá, mas não me apetece pá, não me apetece mesmo nada.
Aliás vou ser exactamente ao contrário e dizer-lhes para meterem o campeonato no ..., de preferência no do Roberto!
Desculpem pá, mas um gajo não é de ferro e eu não gosto deles, por mais que tente, se bem que não tente nada!
Esperemos que lá mais para o fim do mês a noite de ontem seja, devidamente, rectificada!

sábado, 2 de abril de 2011

A Familia Perfeita

frases (imper)feitas (XIV)


...as histórias, mesmo as verdadeiras, fazem sempre sentido quando se enchem de invenções pacientes que as tornam eternas...

Olá (XIV)

(...)
- Que me dizes tu ribeiro, que me queres mostrar?
- atenta-teeeeee…
- O quê? Que disseste? Falaste, eu sei, eu ouvi-te!
- atenta-teeeeee…
- Atento-me? Foi o que me disseste? O que quer isso dizer?
- …
- Diz-me, fala comigo.
- …
Não o oiço, não fala mais. Que quereria dizer. Na verdade não foi uma voz que ouvi, foi um ruído contínuo, escorrendo pelas suas águas. Mas que vejo eu? Há imagens no leito do ribeiro, luzes. Gente que se move. Gente que não reconheço, mas que me parece tão familiar. Tão longe que estão. Mas é sempre a mesma pessoa. Parece que atravessa toda a História da Humanidade. Vejo-a na antiguidade, como a vejo na idade das trevas, como a vejo no Renascimento, como a vou vendo mudar e, no entanto, ficar sempre a mesma. A mesma face, as mesmas mãos, a mesma voz, sim porque a consigo ouvir falar, diferentes linguagens, mas sempre a mesma voz. Vai passando em frente aos meus olhos, mudando e ficando sempre igual. O que quererá o ribeiro mostrar-me?

- O que é isto ribeiro? Quem são estas pessoas? Quem é esta pessoa que muda e se mantém a mesma?

As imagens estão a desaparecer. A ficar esparsas, difusas, a perder o som, o brilho, a cor, a vida que tão fortemente emanava delas. Não percebo ainda, mas sinto esta vontade irreprimível de saltar para o ribeiro, de lhe seguir as águas, de lhe acompanhar a corrente. Será isto uma opção? E se for a errada? Eles avisaram-me que depois de escolher não poderia voltar atrás. E eles ainda ali estão, esperando. Mas é muito forte este apelo, esta vontade, esta força que vem das águas. Todas as imagens que vi, embora desconhecidas, me eram familiares, como se as já tivesse presenciado, como soubesse quem eram aquelas pessoas que me mostravam, como se soubesse aquelas vidas. Não sei o que fazer.

- Diz-me ribeiro, é por aqui o meu caminho?
- …
- Que fazer ribeiro, seguir contigo, descobrir o mistério?
- …
- Não te ouço…
(...)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Graças a Deus é sexta feira



Um santo fim de semana!

1 de Abril ?


Já corre célere a nova:

D.Afonso Henriques arrependeu-se!
Em declarações imprevistas, D. Afonso Henriques afirmou estar arrependido de ter batido na sua mãe. Crê mesmo que foi o maior erro que cometeu em toda a sua vida.
Desse modo resolveu renuciar ao Condado e ao que o futuro lhe poderá trazer. A partir deste momento a História de Portugal será alterada radicalmente!
Aguardamos, com impaciência, novos, e obrigatoriamente escaldantes, desenvolvimentos