Faço força para abrir os olhos, uma força extrema, no limiar da dor física. Mas não consigo. Não consigo abrir os olhos, nem consigo sentir dor. Sei que há gente à minha volta. Sinto-os por aqui. Sei que às vezes me tocam e falam comigo. Sei que falam, mas não os entendo, não os vejo, sinto-os apenas. Talvez seja melhor dizer que os pressinto, porque, na verdade, não sei se consigo sentir alguma coisa. Nem sequer o meu peso. Por vezes julgo que pairo algures por aqui perto. A rondar o meu corpo, a rondar quem me ronda, a olhar, mesmo sem ver, tudo o me rodeia. Sei que ninguém me vê nessa espécie de voo planado que faço por sobre as suas cabeças. Ou, pelo menos, penso que faço. Porque, pergunto-me inúmeras vezes, será que alguém me sabe aqui, onde, na verdade sou, e não ali onde todos pensou que estou. Respondo-me, inúmeras vezes, que nem eu próprio sei onde estou, o que sou, como sou. Às vezes ouço apitos, breves ruídos sonoros, quase musicais, contínuos e sinto alvoroço à minha volta. Nunca percebi o que era. Também acho que não há nada para perceber, nada muda com isso, mantenho-me por aqui, às vezes a pairar, outras sem nada sentir, de todas as vezes sem me saber. Faço força para mexer um braço, uma perna, levantar a cabeça. Uma força de que não me sabia capaz, mas nada. Nem o mais pequeno movimento. Nem me lembro de como se respira. Daquele breve som sussurrado que nos faz saber que estamos vivos. Inspirar, expirar. Expirar, que ironia… Não sei se o tempo passa aqui, se passa por aqui, por mim, ou se já me esqueceu de todo e me deixou apenas. Inspirar, expirar… expirar, inspirar. Volto a fazer força para abrir os olhos, toda a força de que sou capaz, para lá do que me é permitido. E, no meio da escuridão que me tem acompanhado, consigo ver um ponto de luz. Será mesmo assim, ou será apenas uma ilusão de quem se julga cego sem remissão? Mais um esforço e sinto que a luz é verdadeira, que está aqui comigo, que é real. Consigo perceber uma silhueta que se aproxima devagar e uns, outros, olhos que me fixam, cheios de uma luz que, sem me cegar, me vai iluminando.
Aí está este jornal outra vez. Agora, para além das dúvidas quanto à sua credibilidade factual, deparamo-nos com as gordas desta 1º página! Com que então o regresso ao túnel? E melhor (que é como quem diz PIOR) o jogo da vingança!?!? É isto que devemos esperar de um jornalismo isento e objectivo? Obrigado senhores do JOGO ( muito mal jogado está bem de ver!)
É (mais ou menos) isto que eu penso (sempre pensei) do facebook. Posso estar enganado? É provável, não sei, não quero saber, continuo (felizmente) out :P
(...) - E se não conseguir falar com ele? - Eu e o outro estaremos aqui… - Muito tempo? - Já te dissemos, aqui não há tempo. - Para onde poderei ir? - É isso que esperamos que decidas. - Para o ribeiro, para o barco com o outro e para onde contigo? - Por aquele caminho que ali se abre. Mas o caminho só se abrirá uma vez, tal como o barco do outro só fará uma viagem. - Vou falar com o ribeiro. - Vai então. Não te esqueças que, embora não havendo tempo aqui, o barco ir-se-á embora e eu começarei a caminho sem olhar para trás.
- Olá… - … - Olá… -… - Queria falar contigo… -… É normal, acho eu, que um ribeiro não fale comigo, mesmo neste local onde tudo é tão fora do comum. - Disseram-me que falasse contigo, que talvez me aprendesse contigo, que podia ir contigo… - … Decerto que alguma coisa vai acontecer, eles foram tão afirmativos nisso mesmo. Olhemos com mais atenção para o ribeiro. Talvez não se trate propriamente de falar, mas de escutar. Escutemos… - … Ou de olhar, olhemos… há uma luz lá em baixo, isso é certo… sombras… imagens…vozes? (...)
A propósito desta brilhante (ou hilariante, depende dos pontos de vista)intervenção e perante as imagens que se mostram abaixo, só me apetece dizer, AH GANDA LAGARTO!