sábado, 19 de março de 2011

frases (imper)feitas (V)



...o vento que traz nuvens escuras, também as limpa...

sexta-feira, 18 de março de 2011

Liceu Camões 80/81



Ano lectivo 1980/1981, Liceu Camões,Praça José Fontana, Lisboa
11º N
há quanto tempo...

Graças a Deus é sexta feira



Um fim de semana muito simpático!

Olá (XI)

(...)
- Quando aqui chegaste disseste ao outro que tinha sido tudo ao contrário.
- É verdade, mas como sabes isso?
- Porque o escutei.
- Mas como se nem aqui estavas?
- Estava sim.
- Não te vi, pensei que estava a falar com ele e com mais ninguém.
- E era isso sim. Só falaste com ele.
- Baralhas-me.
- Olha para ele outra vez.
- Sim…
- E agora para mim…
- Sim…
- Que notas?
- Tu estás de escuro, ele de branco…
- Só?
- Na verdade há pouca luz aqui e é difícil distinguir mais alguma coisa.
- Consegues ver a minha cara?
- Acho que sim, embora confesse que nem me tinha apercebido dela.
- E que te diz a minha cara?
- Espera… sim, a tua cara não me é desconhecida, mas por outro lado parece-me igual a tantas outras.
- E a cara dele, consegues vê-la?
- Sim… mas é igual à tua!
- Reparas agora.
- Vocês são iguais!
- Seremos?
- Têm a mesma cara, pelo menos.
- Seremos um ou mais?
- Estou cada vez mais confuso.
(...)

quinta-feira, 17 de março de 2011

The Stolen Child

No dia de S.Patricio um belo poema de W.B.Yeats, dito por Tomás Mac Eion e musicado por Mike Scott, celebrando a terra das fadas.

frases (imper)feitas (IV)



...e o passado? Mostra-nos que a vida vale a pena...

Gaeilge Beo

Hoje é dia de S.Patricio.
Viva a Irlanda!

quarta-feira, 16 de março de 2011

A nova dádiva (II)



É já amanhã que eles começam a mostrá-lo ao vivo (e a cores).

Olá (X)

(...)
- Dizes tu, mas parece-me muito mais complicado tomar esta decisão, do que todas as que me assolaram até hoje.
- Vejo que percebes que a decisão é coisa complicada. Sobretudo a decisão solitária.
- Percebi isso ao longo da minha vida. Sempre me custou muito decidir sem conselho externo, pelo menos até ao dia em que percebi que me podia consultar a mim mesmo.
- Foi uma boa decisão essa. A de teres encontrado um conselheiro interno.
- No fundo não foi uma decisão, foi antes uma necessidade.
- Talvez seja aí que nascem as melhores decisões.
- Mas diz-me, porque ainda não entendi, porque tenho que seguir um destes três caminhos?
- Porque não há outros e parece-me que três são já opções demasiadas, pelo manos a avaliar pelas dificuldades que te levantam.
- As dificuldades surgem sobretudo porque ainda não percebi para onde irei, qualquer que seja a minha escolha.
- Então o outro não te explicou para onde irias?
- Bem, sim e não. Disse-me que aqui não há tempo, ou então tempo demais, que aqui tudo é possível, mas também me disse que estou num não lugar e que aqui tudo me vai chegar tranquilamente.
- E então, por uma explicação como essa não te sentes atraído?
- Não sei. Prezo a calma e a tranquilidade, mas também não sei viver sem tempo e sem objectivos.
- Não?...
- Acho que não, pelo menos nunca vivi assim.
- Quantas vidas viveste?
- Perdão?
- Sim, de quantas vidas te lembras?
- Da minha e mesmo assim de pouca coisa, noto agora que tudo se está a tornar muito nublado.
- E se não fizeres um esforço, daqui a pouco de nada te lembrarás.
- Desculpa-me, mas não consigo entender o que é isso de mais do que uma vida.
- Quantas histórias tens para contar?
- Não sei, não tenho histórias.
(...)

frases (imper)feitas (III)



...as luzes não chegam a cegá-lo; iluminam-lhe o caminho...

frases (imper)feitas (II)



...e, às vezes, o inesperado surge numa esquina qualquer...

frases (imper)feitas

...a felicidade é um acto solitário, como o são todos os actos importantes e decisivos...

Olá (IX)

(...)
- O que queres tu? Quais os teus desejos, expectativas, sonhos?
- Mas o outro disse que nada disso existia aqui.
- E não existe. Mas isso não quer dizer que não me digas o que desejas. Experimenta.
- Às vezes há frases batidas que podem dizer tudo, mesmo que, de tão estafadas, já nem saibamos bem o que pretendemos com elas. Mas eu, no fundo eu… bem, só quero ser feliz.
- Mas, como decerto sabes, isso é completamente impossível. Ninguém é feliz. Pode estar-se feliz, ou contente, ou alegre, ou triste ou deprimido, mas ninguém é alguma dessas coisas.
- Pois sim, acho que te percebo, ninguém aguenta um estado de alma contínuo, porque ninguém o consegue suportar.
- É isso, ninguém é tão estável, tão contínuo, tão coerente que consiga manter-se. São todos feitos de altos e baixos, de esquerdos e direitos, de sorrisos e lágrimas.
- Pareces-me demasiado humano para quem está aqui prestes a levar-nos para destino perpétuo, sem retorno…
- E quem te disse isso? De onde tiraste essa ideia?
- Ganhei-a depois de falar com o outro. Disse-me ele que aqui não há tempo, que isto é uma espécie de vazio eterno.
- E não te disse ele que há muitas vidas também?
- É verdade disse, mas não sei se o entendi muito bem.
- E não te falou no ribeiro que aqui está?
- Falou sim e disse-me que ele é de poucas falas.
- É verdade isso, o ribeiro quase nunca fala, na verdade nunca fala, mas há alguns que o conseguem ouvir e escutar aquilo que tem para dizer, mas são só alguns, poucos.
- E como se faz essa selecção?
- Não sei, eu nunca ouvi o ribeiro, mas já vi isso acontecer e esses, poucos como te disse, são aqueles que nele mergulham.
- E o que lhes acontece.
- Nunca mais os vi, por isso não sei.
- É tudo tão estranho aqui, tão enigmático.
- Pode parecer-te mas, na realidade, não é. Tens três opções, ou vais comigo, ou com o outro ou mergulhas no ribeiro, é simples.
(...)

terça-feira, 15 de março de 2011

Lloyd Cole

Fui até 1987, quando eu próprio ainda não sabia o que eram os 30 anos, buscar esta canção, que ainda hoje me embala até esses tempos.

Um sonho


Queria saber ser simples.
Queria saber ser simples, como as palavras que dão sentido ao mundo.
Como uma palavra que encha o mundo de gente, de sonhos, de correrias e lentidões, de sorrisos e multidões. Como as palavras que nos abrem um infindável manancial de sensações e momentos de prazer, daquelas que só os predestinados sabem fazer surgir do (aparente) nada.
Às vezes dou por mim a juntar palavras. Formando frases que me soam perfeitas, mesmo sabendo que essa é uma tarefa inglória.
Depois esqueço-me delas. Rápidas, dissolvem-se sem as conseguir decorar, escrever, montar com significado. Assim nos perdemos, eu e elas. Quando delas me esqueço, esqueço-me de mim também, do que sou, do que quero ser.
Se conseguisse juntar todas as palavras com que sonho, então tudo faria mais sentido. Uma outra visão surgiria decerto.
Completa, cheia, significativa. Simples.
Queria saber ser simples, como as palavras que me assaltam em sonhos que não consigo recompor.
Assim talvez conseguisse cumprir o meu sonho, o de conseguir (finalmente) sonhar acordado, ou, pelos menos, acordar sonhando.