terça-feira, 8 de março de 2011

Histórias com Música (38)

Já se gastou muito tempo desde que aqui estou. Muitas pessoas me passaram. De todas essas quantas se lembrarão de mim?
Algumas houve que pararam para me ver, para me falar, algumas até para me abraçar, poucas se atreveram a beijar-me.
Mas foram muitas, a maioria, que passaram sem me ver, sem saber que houve quem me tivesse deixado juras de amor eterno e quem comigo tivesse descansado.
Houve também quem me subisse para os ombros e aqui tenha ficado a contemplar o mundo à nossa volta. Quem adormecesse comigo e me tenha alimentado.
Outros sujaram-me, feriram-me, tiraram-me pedaços vivos.
Tanta gente que me afagou, que me passou a mão ao de leve e que me bateu também.
Mas pergunto-me se terá havido alguém que me pensou? Que tenha perdido alguns minutos da sua vida para perceber como me sentia, como vivia, como sobrevivia?
Já vi muitas delas desaparecerem, algumas ainda voltaram de quando em vez, a maioria foi sem nunca regressar.
Tantas que morreram já, enquanto eu aqui fui ficando.
Hoje ainda aqui estou, e sei que estarei por mais algum tempo. Mas, não sei se alguém se lembrará de mim quando eu também for.
Não sei se farei parte de memórias, de alguma história, de vontades em recordar.
A não ser, talvez, daqueles, muito poucos, que ainda têm saudades dos Outonos e por aqui vêm recolher as minhas folhas castanhas, que, por teima, continuo a deixar ir todos os anos.

Olá (VI)

(...)
- Perceber o quê? De facto percebo muito pouco. Sempre me disseram que não percebia nada e eu por muito que quisesse desdizer isso acabo por chegar à conclusão que sempre percebi pouco de muita coisa, ou muito de coisa nenhuma.
- E parece que agora também não estás a perceber. Eu perguntava-te se achas que eu sou humano.
- E o que queres dizer por humano? Mamífero, cabeça, tronco e membros, racional, ou então que gostas da humanidade, das pessoas em geral, do mundo cheio de gente?
- Quero dizer, nascer, viver, morrer. Achas que eu sou assim?
- Não sei. Diz-me tu. Não vejo em ti nada diferente do que vejo em mim. A não ser essas dúvidas que vens colocando, mas que, afinal de contas, não são assim tão diferentes das que me fui colocando ao longo da vida. Será que eu também posso não ser humano?
- É verdade, por aquilo que me vens dizendo vejo que estás assaltado em dúvidas, em questões que achas irresolúveis, em problemas que, na verdade, podem não ser. Mas é isso que te faz humano. Só os humanos são assaltados por dúvidas. Pelo menos os verdadeiros humanos.
- Há humanos que não são verdadeiros?
- Aqui, onde estou, já vi muita coisa, muitas pessoas, muitas situações, muitas desfeitas e outras nunca feitas, demasiadas mal feitas. Mas digo-te que sim, que há humanos que nunca se encontraram, que nunca cumpriram o seu ser, no fundo, nunca foram.
- E diz-me, agora que olhas para mim, que pareces já me conhecer, o que sou eu?
- Tu, meu amigo, só terás resposta a essa pergunta se o descobrires por ti próprio. Tu que me dizes que foi tudo ao contrário. Crês estar no lugar certo agora? Crês que aqui as coisas se podem endireitar, que poderás sonhar, desejar, cumprir expectativas?
- Já não sei, e sobretudo ainda não sei onde estou e quem és tu, mais uma vez não estou a perceber nada. Mas posso dizer-te que me pareces ser de confiança, que algo em ti que me transmite segurança, será que estás aqui para me ajudar?
- Dizem que sim, que é essa a minha função, ajudar. Agora depende se tu queres ser ajudado. Se consegues concluir que aqui te podes virar ao contrário e ficar certo. Afinal foste tu que desejaste vir para aqui.
- Fui?
- Não te lembras?
- Não! Agora que perguntas vejo que não me lembro como aqui cheguei, que caminhos tomei, que decisão foi esta que me trouxe aqui e porquê.
- É natural, acontece a muitos que aqui chegam. A maioria nunca chega a saber por aqui chegou e por aqui está. Aliás nunca mais se lembrará.
(...)

As palhaçadas do nosso futebol

Afinal foi este o lance que "obrigou" o árbitro a expulsar o Javi?
Ou será que o auxilar, de nome Cardinali, assumiu o seu (verdadeiro) papel de palhaço?

segunda-feira, 7 de março de 2011

Agora é que o Sócrates está xis... perdão, lixado



Esperemos, para bem do país, que o Sócrates não apanhe um Xistra pelo caminho, senão é que, não só ele mas todos nós, estaremos lixados!

domingo, 6 de março de 2011

O Carnaval continua!



Este ano o Festival da Canção calhou no Sábado de Carnaval!

Olá (V)

(...)
- Ser? Ser é viver, é ter alma e sangue e vida.
- Pois aqui não há nada disso. Aqui está-se, pura e simplesmente.
- E onde estou eu?
- Aqui.
- E isso o que é?
- Isso, não é. Estás num não local, numa não vida, num não espaço. Aqui tudo é possível, porque aqui nada se pode prever, nem esperar, nem querer.
- Nem espaço. Aqui não há espaço. Não vejo mais ninguém para além de ti. Nem coisa alguma. Diria que estou num vazio.
- É boa essa definição. Sim, acho que podes dizê-lo. Estás numa espécie de vazio.
- E como é possível ver-te e falar contigo e até sentir-me?
- E tu sentes-te agora. Sentes-te realmente?
- É verdade, ainda não tinha reparado. Não me sinto. Mas sei-me.
- Isso é bom. Nem todos aqui chegam com essa sensação, com essa certeza.
- Não sei se é uma certeza. Mas sei que eu sou eu.
- Isso meu caro, é muita sabedoria. E quem és tu?
- Sei o meu nome, onde nasci, onde vivi, o que fiz e o que não tive coragem de fazer.
- E isso dá-te a tua medida? Isso faz com que te conheças verdadeiramente?
- Assim penso.
- Então diz-me outra vez, quem és tu?
- Sou eu ora essa.
- E o que é isso?
- Deixas-me confuso.
- Não, o que eu acho é que tu és confuso.
- Serei sim, também o acho, mas não faz isso parte da condição humana?
- Creio que terás razão. Os humanos são muito estranhos.
- Estranhos? Porque dizes isso? Não serás tu também humano?
- Humano, eu? Então ainda não percebeste?
(...)

sábado, 5 de março de 2011

The Divine Comedy - The Beginning



Foi por esta altura que Neil Hannon começou a aventura The Divine Comedy.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Estugarda vs. Benfica ou Merkel vs. Sócrates ?

Ao menos aqui não foram os alemães que levaram a melhor!

Graças a Deus é sexta feira



Que o sol não deixe de brilhar este fim de semana!

Olá (IV)

(...)
- Porque te dirigiste a mim. Lembras-te?
- Sim…
- Então?
- E sabes qual é o sentido da vida?
- Já há pouco te disse que não compreendo inteiramente o que significa a VIDA.
- Nem eu tão pouco.
- Então porque te preocupas com isso?
- Porque assim talvez entendesse porque funcionou tudo ao contrário.
- E se te dissesse que nada funciona ao contrário. Que tudo é como devia ser.
- Eu não compreenderia. Eu não consigo compreender uma vida sem sonhos, sem objectivos, sem ilusões.
- E se eu te dissesse que não existe nada disso.
- Eu não acreditaria.
- Em que acreditas tu?
- Acredito em sonhos, em desejos, em vontades… ou pelo menos acreditava.
- E se tudo isso fossem ilusões?
- Então tu sabes o que são ilusões?
- Sei o que são desilusões, já muitos dos que aqui vieram me falaram nisso.
- Desilusões, desonhos, desvontades…
- O que lhes quiseres chamar.
- E aqui onde estamos, o que podemos esperar?
- Nada! Há lá coisa melhor do que não esperar nada.
- E como vivemos aqui, sem nada esperar?
- Viver?
- Sim, viver, aqui não se vive?
- Pois não, aqui está-se…
- Estar. Estar e ser.
- Ser? O que é ser?
(...)

quinta-feira, 3 de março de 2011

Par Bruxelles


Entretanto, por Bruxelas, mata-se a sede...

quarta-feira, 2 de março de 2011

Derby


E pronto, 3 jogos, 3 vitórias para o Glorioso. 6 a 1 em golos.
Como dizia o saudoso Hagan, no comments!

Histórias com Música (37)

O fim do mundo…
É, definitivamente, o fim do mundo!

Foi assim que ela se sentiu naquele dia já distante, enquanto olhava a chuva pela janela.
Nada mais interessava a partir daquele momento, não havia mais sentido possível para a sua vida, tudo se desmoronava à sua volta e a chuva forte que se fazia sentir lá fora só reforçava a sua ideia, a sua vontade de não mais prosseguir, de ficar por ali.
Sentira que perdera todas as suas forças, que mais nada interessava depois daquilo.
E estivera feliz. Sim, estivera tão feliz antes. Nunca se tinha sentido tão eufórica, com tantas certezas, com tanta vontade de rir, cantar e dançar.
E fizera-o. Fizera-o com todas as ganas. Dançara nas ruas, cantara nos jardins e rira-se por todo o lado. A vida não podia ser mais bela.
E, de repente, a frustração, o desencanto, o desabar de todas as vontades, de todas as euforias, de todas as esperanças.
É o que normalmente sucede depois da euforia, o retomar da normalidade é sempre doloroso, só que, para ela, nada disto era normal, tudo era uma anormalidade pegada.
Do fogo chegara ao gelo num ápice. E nem se lembrou do velho ditado que dizia, depois da tempestade vem a bonança, porque não veio, não chegou nenhuma espécie de bonança, veio apenas uma tempestade de sentido contrário. Que a maltratava, como nunca se sentira maltratada antes.
Foi então que se lembrou que dia era aquele e, num breve lampejo de lucidez, ou da sua ausência completa, sentiu que tinha uma vida inteira à sua frente.
Quase sem se aperceber sorriu: hoje faço 17 anos!


Olá (III)

(...)
- Não, nem sempre, é tudo uma questão de dosear as ambições.
-Ambições? É a mesma coisa?
- Será, talvez. Nunca me tinha apercebido que tudo isto anda tão ligado. Quase que sou levado a concluir que andamos por aqui sempre à espera que algo aconteça e que nos vamos frustrando à medida que o tempo passa e nunca lá chegamos.
- Pelo menos aqui estás a salvo disso. O tempo não existe. Ou existe mas sem objectivos, acho que já te tinha dito isto.
- Pois já e é por isso que estou tão atónito. Andei tanto tempo a correr atrás da felicidade e que agora não sei para onde me devo dirigir.
- Mas aqui não tens esse problema, não tens que te dirigir para lado algum. Tudo te vai chegar calma e tranquilamente.
- Tranquilamente, que sonho.
- Sonho? Era esse o teu sonho, tranquilidade?
- Também. Sabes, é muito difícil alcançar a tranquilidade, a calma que nos consegue levar até onde os caminhos que trilhamos não conseguem.
- E que caminhos são esses?
- São aqueles a que nos propomos em cada dia que passa. Aqueles que verdadeiramente desejamos e, sobretudo, aqueles para onde o quotidiano nos obriga a ir e que, a esmagadora maioria das vezes, não queremos ir.
- E por que vão?
- Gostava de te saber responder, era sinal que eu próprio tinha entendido o sentido de tudo isto. Mas não sei. É tudo muito complicado. Há tantos atalhos no nosso caminho, tantos caminhos secundários, tantos desvios, que, tantas vezes nos obrigam a desviar do caminho principal, que nos perdemos e então nunca mais o recuperamos, ou então só o recuperamos tarde de mais, como agora.
- Então achas que recuperaste o teu caminho? Aqui?
- Espero que sim. Não sei. Diz-me tu.
- Eu também não sei. Ainda não sei por que estás aqui. Só sei que estás. E, é verdade, não podes voltar atrás.
- Não posso mesmo?
- Nunca ninguém pôde. Acho que também não irás consegui-lo. Era isso que desejavas.
- Não sei. Isto é tão desconhecido para mim. Nunca pensei que poderia estar aqui a conversar contigo. E porque conversamos nós?
(...)

terça-feira, 1 de março de 2011

Who Am I ?


«(...)i’m the world you’ll never see i’m the slave you’ll never free i’m the truth you’ll never know i’m the place you’ll never go i’m the sound you’ll never hear i’m the course you’ll never steer i’m the will you’ll not destroy i’m the half truth in the lie i’m the why not in the why i’m the last roll of the die i’m the old school in the tie i’m the spirit in the sky i’m the catcher in the rye i’m the twinkle in her eye.

well, who am i?»