domingo, 13 de fevereiro de 2011

Peter Gabriel 61



Happy Birthday!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Graças a Deus é sexta feira



Um óptimo fim de semana.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O sonho de Cobain

O que Cobain não teria dado para ter escrito isto.

mesmo sendo um anúncio...

...será disto que andamos à procura?

O meu avô tinha uma garrafa (III)

(...)
O meu avô fumava com elegância. Mal se via o cigarro na sua mão e o fumo nem se cheirava. Até que deixou de fumar por completo.
Foi aí que lhe conheci a primeira doença. Asma.
Às vezes tossia tanto que lhe faltava a respiração.
Tinha uma bomba. Era uma coisa enorme, com um recipiente de vidro amarelado e um inalador, que ele usava frequentemente.
Isso dá-te cabo do coração, dizia-lhe a minha avó. Mas aliviava-o, disso tenho a certeza.
Na secretária do meu avô havia sempre jornais. Todos os jornais.
Foi aí que ganhei o hábito de os folhear. Foi a partir daí que comecei a ler.
Também tinha alguns livros.
O meu avô era uma figura.
Deram-me o seu nome.
Quando estava a começar a falar com ele e a compreendê-lo, partiu.
Morreu no dia em que fiz dezasseis anos.
Nunca mais vi a garrafa.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

De TGV com Neil Hannon



Neil Hannon em versão Kraftwerk, ou uma viagem numa espécie de TGV disfarçado (e bem) de uma excelente peça musical!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O meu avô tinha uma garrafa (II)

(...)
Ao contrário do que era hábito na época e nesses locais, o meu avô estudou e quando casou com a minha avó já era sargento da guarda.
Saíram da aldeia e andaram pelo país, de posto em posto, até chegarem aqui. Por aqui ficaram.
A minha avó tinha muitos irmãos.
Era a mais nova de oito.
Os seus irmãos mais velhos envolveram-se em lutas, revoluções e golpes, naquela época em que estes eram férteis. Quando o país deixou de ter reis e passou a ter muitos presidentes.
De um dos irmãos teve um sobrinho que lhes recuperou o sentido da mudança e da revolta. Pelo meio do século foi preso e por lá ficou muito tempo. Até que morreu sem de lá sair.
O meu avô ia visitá-lo e por também pertencer a uma força da ordem, revoltou-se com o que via. Deixou de pertencer.
E depois acho que ficou mais calado.
Às vezes chamava-me rapazinho e eu não gostava nada do epíteto. Mais tarde percebi que era a sua maneira de ser carinhoso.
Nunca lhe vi um cabelo branco. Nunca lhe ouvi um queixume. Quase nunca lhe apercebi uma doença.
No verão, quando íamos para a praia, ele nunca ia.
Durante aquele mês visitava-nos um dia e ficava na amurada a contemplar o mar, mas nunca punha o pé na areia. Não dava jeito ir para a praia de fato e gravata.
Esse dia, em que nos visitava, era uma festa para mim. Apesar de pouco falar e de pouco sorrir, ele dava-me a mão e dizia, vamos lá rapazinho.
E íamos, entravamos na livraria e eu podia escolher um livro, o que quisesse.
Foi aí, quando ainda mal sabia ler, que escolhi a minha primeira banda desenhada, aquela que ainda hoje me acompanha.
(...)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O miúdo descaiu-se


Villas Boas (depois do jogo de ontem): «Nem que fosse com um golo marcado com a mão...»
Eis uma frase que resume toda uma cultura desportiva!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Camel

Eu sabia que havia uma boa razão para ter estacionado nesta marca de cigarros!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Graças a Deus é sexta feira



Não sei se é a canção mais perfeita sobre o significado do amor, mas, certamente, anda lá muito perto.
Bom fim de semana.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O meu avô tinha uma garrafa (I)

O meu avô tinha uma garrafa que dançava.
Eu passava horas sem fim a contemplá-la.
Na verdade não era a garrafa que dançava, era uma pequena boneca, vestida de bailarina que estava presa ao fundo da garrafa, no interior.
Havia um mecanismo mesmo por debaixo da boneca e uma espécie de chave, na parte de baixo da garrafa, onde se dava corda. A seguir a boneca começava a girar, a voltear, a bailar. Acho que também se ouvia uma música. Mas disso já não me lembro. De qualquer forma a boneca ouvia essa música e dançava tão bem.

O meu avô gostava de me ver admirar a garrafa e, volta e meia, dava-lhe corda e eu ali ia ficando, admirando-a.
O meu avô era um homem alto, sempre muito direito, mexia a cabeça mas mal movia o tronco. Andava sempre impecavelmente vestido, se entendermos por impecavelmente um fato e uma gravata e uma camisa sempre muito bem passada.
Imaculado. Nunca lhe vi uma nódoa, um vinco fora do lugar.
Um senhor de fato e gravata, mesmo quando não os usava.
O meu avô falava pouco, pelo menos comigo. Mas passava-me a mão pela cabeça e sorria.
Às vezes saía de casa e ficava o dia inteiro sem aparecer.
Foi à cidade, diziam-me. Ia muitas vezes à cidade. Saía de manhã cedo e só regressava depois do jantar.
Nos fins de tarde dos invernos longos, sentava-se à mesa da cozinha. Uma mesa larga com um tampo de mármore, muito alvo, muito limpo e punha uma pequena tábua de madeira à sua frente. Do lado direito uma faca afiada. Do esquerdo um prato com um chouriço e um outro com um queijo branco, duro, picante, à frente um cesto com pão e um copo com grogue.
Grogue era uma bebida que ele próprio preparava. Sei que tinha aguardente, água com gás e sumo de um limão, mas não sei se tinha mais alguma coisa e também não sei a que sabia, nunca me deixaram experimentar.
O meu avô não nasceu na cidade. Nasceu numa pequena aldeia do interior, na raia espanhola, mesmo no dealbar do século. Só teve um irmão, mais novo, que não me lembro de ter conhecido.
(...)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A dor (II)

(...)Sei que lhe deixei de sentir a falta, quase a esqueci.
Também notei que nessa altura o sol andou mais escondido e os dias ficaram mais cinzentos. Raramente saía.
E fui mirrando.
Sentia-me mirrar.
O meu corpo ia desaparecendo.
Dias houve em que podia jurar que não via os meus pés. Noutros as mãos.
Sentia-me entorpecido, muito para além de dormente. Muitas vezes nem me sentia.
Foi aí que pensei que tinha chegado o fim.
Então, numa noite, resolvi sair. Talvez para me despedir da cidade e de mim próprio.
As ruas estavam desertas e estava muito escuro. A lua não se desenhava nessa noite.
Deambulei por todas as ruas que conhecia tão bem e não vi vivalma até que me deparei com ele.
Estava parado a olhar para mim, parecia estar à minha espera e percebi que me via muito bem.
Fui-me aproximando devagar. Senti, sem ponta de dúvida, que já tinha vivido aquele momento.
Quando cheguei mais perto, vi que ele segurava algo na mão direita.
Algo que brilhava no escuro.
Senti medo, coisa que já não experimentava havia muito tempo e parei.
Ele foi-se aproximando devagar e sorrindo.
Quando se chegou mais perto levantou a mão e espetou, lenta e eficazmente, a pequena lâmina mesmo no centro do meu peito. Depois desapareceu a correr.
Eu espantei-me primeiro e depois percebi, no exacto momento em que a dor regressou forte, que tinha voltado a sentir.
É por essa razão que volto a este local sempre que dor me falha. Sei que sempre o hei-de encontrar por aqui…

Para lá


Procuramos na morte a razão para estarmos vivos?
Cruzamos os caminhos que nos se deparam, à espera de encontrar o sitio certo para podermos espreitar o além?
Acreditaremos que há luz para lá da luz?
Ou não passa, tudo isto, de uma metáfora que desejamos nunca encontrar?

(after all)Há mais vida aqui do que aquilo que conseguimos crer (ou querer)!