Um excelente fim de semana!
sábado, 8 de janeiro de 2011
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
pepe e lupe
O dia amanheceu quente, muito quente. Sentíamos as horas a derreter-se à medida que um tiquetaque de relógios imaginários soava na cabeça de todos os presentes.
O silêncio era, apesar de tudo, vibrante.
Gotas de suor escorriam em cada face, molhavam todos os cabelos e um cheiro adocicado transbordava das paredes daquele salão onde não cabia mais ninguém.
No primeiro degrau de uma espécie de altar, Pepe aguardava…
Na verdade, todos os que ali estavam aguardavam.
Todos nós esperávamos pela nossa hora.
Quando ela entrou pela porta que ficava nas nossas costas, silenciosa, ninguém precisou de se virar para o perceber.
A brisa, que sempre a acompanhava, tocou-nos a todos. Impossível de esquecer.
Sem a ver todos soubemos que vinha de vermelho, vaporosa, que os seus lábios carnudos estariam a condizer com o seu vestido, que os seus olhos sorririam como mais ninguém conseguia sorrir.
Por isso ninguém se virou para a ver. Ninguém abriu os olhos.
Excepto Pepe, que mais uma vez experimentou aquela sensação. A de que o mundo tinha parado. E só ela se movia.
Nunca o tinha confessado, mas sempre que Lupe se aproximava, ele ouvia, ou sentia, a sua melodia, uma melodia que nunca tinha escutado antes e que, também o sabia, mais ninguém conseguia ouvir. Para esses ela tinha outras melodias.
Lupe tinha-a criado só para si. Assim julgava, assim desejava. Assim sabia.
Quando lhe deu o braço e se viraram os dois para nós, Pepe soube que não precisava de mais bênções. Naquele momento Pepe soube que todo o calor que o inundava, toda a inclemência daqueles lugares onde sempre tinha vivido, seria esquecido para sempre.
Porque quando Lupe o tocou, naquele dia, Pepe percebeu que não precisava de nenhum outro anjo para poder viver.
E quando todos os que ali estávamos abrimos, finalmente, os olhos, pudemos saber qual era o nosso verdadeiro destino, porque esse é aquele que toca todos os sentidos e esse era o que Pepe tinha estampado na sua cara.
Sorriram ambos para nós, com um brilho especial naqueles olhos escuros como breu e Lupe começou a cantar.
E depois … depois começou a festa.
Até ao fim dos tempos…
O silêncio era, apesar de tudo, vibrante.
Gotas de suor escorriam em cada face, molhavam todos os cabelos e um cheiro adocicado transbordava das paredes daquele salão onde não cabia mais ninguém.
No primeiro degrau de uma espécie de altar, Pepe aguardava…
Na verdade, todos os que ali estavam aguardavam.
Todos nós esperávamos pela nossa hora.
Quando ela entrou pela porta que ficava nas nossas costas, silenciosa, ninguém precisou de se virar para o perceber.
A brisa, que sempre a acompanhava, tocou-nos a todos. Impossível de esquecer.
Sem a ver todos soubemos que vinha de vermelho, vaporosa, que os seus lábios carnudos estariam a condizer com o seu vestido, que os seus olhos sorririam como mais ninguém conseguia sorrir.
Por isso ninguém se virou para a ver. Ninguém abriu os olhos.
Excepto Pepe, que mais uma vez experimentou aquela sensação. A de que o mundo tinha parado. E só ela se movia.
Nunca o tinha confessado, mas sempre que Lupe se aproximava, ele ouvia, ou sentia, a sua melodia, uma melodia que nunca tinha escutado antes e que, também o sabia, mais ninguém conseguia ouvir. Para esses ela tinha outras melodias.
Lupe tinha-a criado só para si. Assim julgava, assim desejava. Assim sabia.
Quando lhe deu o braço e se viraram os dois para nós, Pepe soube que não precisava de mais bênções. Naquele momento Pepe soube que todo o calor que o inundava, toda a inclemência daqueles lugares onde sempre tinha vivido, seria esquecido para sempre.
Porque quando Lupe o tocou, naquele dia, Pepe percebeu que não precisava de nenhum outro anjo para poder viver.
E quando todos os que ali estávamos abrimos, finalmente, os olhos, pudemos saber qual era o nosso verdadeiro destino, porque esse é aquele que toca todos os sentidos e esse era o que Pepe tinha estampado na sua cara.
Sorriram ambos para nós, com um brilho especial naqueles olhos escuros como breu e Lupe começou a cantar.
E depois … depois começou a festa.
Até ao fim dos tempos…
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
All is quiet on New Year's Day
Votos para que o novo ano comece calmo e continue tranquilo, mesmo sabendo que as expectativas nos levam para outro lados...
PEPE e LUPE
Chegou então uma noite em que Pepe, finalmente, cumpriu o que me havia dito e voltou.
Nessa noite Lupe não cantou, nem dançou.
Fitaram-se demoradamente e eu, que estava lá, juro que vi aqueles olhos escuros ficarem claros, quase brancos e depois fecharem-se e assim ficarem pela noite fora.
Houve danças sim e cantorias também. Mas Lupe e Pepe quedaram-se sentados um em frente ao outro, de olhos fechados, mas todos os que lá estávamos sabíamos que se estavam a ver. Mais que isso, que se estavam a conhecer, como só duas almas imortais podem fazer. Viam-se com os olhos da alma que, dizem, são os que melhor vêem.
Quando aquela noite acabou todos pensámos que não mais veríamos Lupe, que o seu encanto tinha acabado para nós e chorámos, chorámos tanto que há quem jure que um pequeno lago se formou logo ali.
Não o vimos, nenhum de nós o viu, tínhamos os olhos inchados de tanto chorar e estávamos cegos por uma dor inaudita, que não fugia, que não fingia.
Saímos um a um e nesse dia ninguém mais nos viu.
Voltámos na noite seguinte, sem esperança, sem vontade, mas não sabíamos outros caminhos, a nossa vida eram aquelas noites, a doce voz de Lupe e a sua dança feiticeira.
Sentámo-nos à volta do tablado e aí ficámos, olhos postos no vazio, alma vazia de tanto sofrer.
Quando a esperança nos parecia sem retorno, ouvimos, lá fora, uma suave melodia, uma voz que conhecíamos tão bem, mas mais distante, não tão quente como era seu costume, quase um lamento e sentimos um forte cheiro apimentado e adocicado.
Saímos para a rua e nada vimos, mas aquele odor inebriante e aquele som mágico continuavam a pairar à nossa volta. A noite estava escura, tão escura como os olhos de Pepe, mas lá no alto brilhavam estrelas, tantas estrelas como nos olhos de Lupe. E assim ficámos, até que a noite nos fez ceder e soubemos qual era o nosso destino, percebemos que não havia remissão possível.
Então cada um de nós cumpriu o seu fadário, porque só assim sabíamos ser possível reencontrar Lupe, continuar a apreciar a sua dança e a inebriarmo-nos com o seu canto.
E à medida que os nossos olhos se iam fechando, encontrámo-nos todos lá, naquela capela perdida no meio de um deserto ardente, onde um cheiro apimentado e doce tudo inundava.
E um a um fomos entrando naquele espaço diminuto, onde um calor que parecia insuportável nos inundava, mas onde sabíamos ir encontrar os nossos desejos, colmatar as nossas necessidades, viver felizes para sempre.
E esperámos que a noite chegasse ao fim.
***
Nessa noite Lupe não cantou, nem dançou.
Fitaram-se demoradamente e eu, que estava lá, juro que vi aqueles olhos escuros ficarem claros, quase brancos e depois fecharem-se e assim ficarem pela noite fora.
Houve danças sim e cantorias também. Mas Lupe e Pepe quedaram-se sentados um em frente ao outro, de olhos fechados, mas todos os que lá estávamos sabíamos que se estavam a ver. Mais que isso, que se estavam a conhecer, como só duas almas imortais podem fazer. Viam-se com os olhos da alma que, dizem, são os que melhor vêem.
Quando aquela noite acabou todos pensámos que não mais veríamos Lupe, que o seu encanto tinha acabado para nós e chorámos, chorámos tanto que há quem jure que um pequeno lago se formou logo ali.
Não o vimos, nenhum de nós o viu, tínhamos os olhos inchados de tanto chorar e estávamos cegos por uma dor inaudita, que não fugia, que não fingia.
Saímos um a um e nesse dia ninguém mais nos viu.
Voltámos na noite seguinte, sem esperança, sem vontade, mas não sabíamos outros caminhos, a nossa vida eram aquelas noites, a doce voz de Lupe e a sua dança feiticeira.
Sentámo-nos à volta do tablado e aí ficámos, olhos postos no vazio, alma vazia de tanto sofrer.
Quando a esperança nos parecia sem retorno, ouvimos, lá fora, uma suave melodia, uma voz que conhecíamos tão bem, mas mais distante, não tão quente como era seu costume, quase um lamento e sentimos um forte cheiro apimentado e adocicado.
Saímos para a rua e nada vimos, mas aquele odor inebriante e aquele som mágico continuavam a pairar à nossa volta. A noite estava escura, tão escura como os olhos de Pepe, mas lá no alto brilhavam estrelas, tantas estrelas como nos olhos de Lupe. E assim ficámos, até que a noite nos fez ceder e soubemos qual era o nosso destino, percebemos que não havia remissão possível.
Então cada um de nós cumpriu o seu fadário, porque só assim sabíamos ser possível reencontrar Lupe, continuar a apreciar a sua dança e a inebriarmo-nos com o seu canto.
E à medida que os nossos olhos se iam fechando, encontrámo-nos todos lá, naquela capela perdida no meio de um deserto ardente, onde um cheiro apimentado e doce tudo inundava.
E um a um fomos entrando naquele espaço diminuto, onde um calor que parecia insuportável nos inundava, mas onde sabíamos ir encontrar os nossos desejos, colmatar as nossas necessidades, viver felizes para sempre.
E esperámos que a noite chegasse ao fim.
***
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Graças a Deus é sexta feira
Do melhor que se faz na Bélgica (para além das batatas fritas, das moules e da cerveja),(e já agora dos chocolates e do Tintin)
Bom fim de semana!
Bom fim de semana!
Anthony Bourdain

Uma quantidade apreciável de gastronomias variadas, várias colheradas de etnografia comparada, uma dose q.b. de non-sense, uma pitada generosa de inconformismo e eis um programa de televisão que é mais que uma simples salada russa de sabores do mundo.
A ver e a apreciar alarvemente!
Provem e verão que não há melhor.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Wiki quê?

Tanto barulho por causa do Wikileaks, mas afinal nós já sabíamos dessas coisas todas, ou pelo menos podíamos adivinhá-las, bastava estar atento a John Le Carré, Robert Ludlum, Graham Greene, Frederick Forsyth, Tom Clancy, Ian Fleming e alguns outros.
Eles já nos tinham mostrado como as coisas eram e se faziam
Pepe e LUPE
Lupe gostava de dançar.
Lupe dançava todas as noites. Não por obrigação, mas porque era assim que se sentia bem, era essa a sua natureza. Desprendia a alma e deixava-se ir, vogando não se sabe bem por onde, escutando os sons que a orquestra tocava, mas estando muito acima deles. Lupe era um pássaro à solta, uma liberdade conquistada. Nessas alturas Lupe não existia apenas, era mais que um corpo e uma alma, mais que sangue e carne, que espírito e matéria, nessas alturas Lupe estava para lá do tangível.
Conheci-a numa dessas noites, em que vogava acima dos mortais. Todos os que ali estavam presentes a sentiam de maneira diferente e todos por ela ficavam encantados.
Quando assim era sentíamos o seu vestido esvoaçar perto das nossas cabeças e a brisa que cada volteio levantava, era quase uma bênção naquelas noites de um calor inclemente.
Lupe também gostava de cantar.
Lupe cantava todas as noites. Não por dever. Mas porque era assim que tinha que ser, era desse modo que a sua natureza se espelhava. Fechava os olhos e soltava as amarras duma voz única, inconfundível. Da sua garganta saltavam momentos de pura magia, delícias sem igual. E não importavam as palavras, nunca importaram as palavras. Era apenas o som, um som como não havia outro igual.
Na noite em que a conheci também cantou. E o encanto era geral.
Todos nós ali ficámos, petrificados, com a boca aberta e os olhos fixos, ouvindo cada nota, bebendo sofregamente cada trinado, sabendo que só depois disso poderíamos ter descanso. Nunca completo, porque tínhamos ficado enfeitiçados e quem já ficou enfeitiçado sabe que nunca há descanso até que o feitiço se quebre. Mas todos nós também sabíamos que não queríamos quebrar aquele feitiço.
Quando acabava, Lupe abria os olhos e voltava a ser uma rapariga normal. Nós não!
E ela despedia-se de cada um com um sorriso e um leve pestanejar de olhos. Aqueles olhos profundos, mais fundos que uma noite escura de lua nova e com um brilho que só podia ser iluminado pelas estrelas.
De manhã, quando finalmente acordávamos, sabíamos que a luz daqueles olhos nos acompanharia todo o dia e que, quando a noite regressasse, uma nova brisa nos iria limpar o suor do rosto e a poeira dos olhos, preparando-os para um novo olhar de Lupe.
***
Lupe dançava todas as noites. Não por obrigação, mas porque era assim que se sentia bem, era essa a sua natureza. Desprendia a alma e deixava-se ir, vogando não se sabe bem por onde, escutando os sons que a orquestra tocava, mas estando muito acima deles. Lupe era um pássaro à solta, uma liberdade conquistada. Nessas alturas Lupe não existia apenas, era mais que um corpo e uma alma, mais que sangue e carne, que espírito e matéria, nessas alturas Lupe estava para lá do tangível.
Conheci-a numa dessas noites, em que vogava acima dos mortais. Todos os que ali estavam presentes a sentiam de maneira diferente e todos por ela ficavam encantados.
Quando assim era sentíamos o seu vestido esvoaçar perto das nossas cabeças e a brisa que cada volteio levantava, era quase uma bênção naquelas noites de um calor inclemente.
Lupe também gostava de cantar.
Lupe cantava todas as noites. Não por dever. Mas porque era assim que tinha que ser, era desse modo que a sua natureza se espelhava. Fechava os olhos e soltava as amarras duma voz única, inconfundível. Da sua garganta saltavam momentos de pura magia, delícias sem igual. E não importavam as palavras, nunca importaram as palavras. Era apenas o som, um som como não havia outro igual.
Na noite em que a conheci também cantou. E o encanto era geral.
Todos nós ali ficámos, petrificados, com a boca aberta e os olhos fixos, ouvindo cada nota, bebendo sofregamente cada trinado, sabendo que só depois disso poderíamos ter descanso. Nunca completo, porque tínhamos ficado enfeitiçados e quem já ficou enfeitiçado sabe que nunca há descanso até que o feitiço se quebre. Mas todos nós também sabíamos que não queríamos quebrar aquele feitiço.
Quando acabava, Lupe abria os olhos e voltava a ser uma rapariga normal. Nós não!
E ela despedia-se de cada um com um sorriso e um leve pestanejar de olhos. Aqueles olhos profundos, mais fundos que uma noite escura de lua nova e com um brilho que só podia ser iluminado pelas estrelas.
De manhã, quando finalmente acordávamos, sabíamos que a luz daqueles olhos nos acompanharia todo o dia e que, quando a noite regressasse, uma nova brisa nos iria limpar o suor do rosto e a poeira dos olhos, preparando-os para um novo olhar de Lupe.
***
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
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