O primeiro impacto é sempre o maior. Intenso. Profundo.
Sentes o corpo a esvair-se, a derreter-se. Os teus membros mais não são que massas gelatinosas que escorregam numa lentidão exasperante.
A cabeça rebenta-te em mil estilhaços de um vidro fininho, que se vai entranhando fundo na tua pele.
Antes de atingires o chão já percebeste que dificilmente te irás levantar. Sentes no peito a força bruta de mil socos que nunca sonhaste enfrentar.
Aos poucos deixas de sentir. Crês-te derramado pelo chão, numa amálgama de despojos que nunca mais irás poder reunir. Um puzzle irresolúvel.
Quando finalmente consegues abrir os olhos percebes-te ainda inteiro, o coração continua a palpitar e o teu corpo, que pensaste liquefeito, ainda se consegue mover.
Levantas-te com dificuldade, as dores são intensas e profundas, no entanto sabes-te vivo e num esforço que nunca pensaste possuir, ergues-te e julgas ter encontrado confiança.
Já de pé esboças um sorriso e começas a ver o caminho.
Pensas estar preparado.
Mas, de repente…
O primeiro impacto é sempre o maior. Intenso. Profundo…
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Balanços
Chegou aquela altura do ano em que há o hábito de se fazer balanços.
Eu cá não estou com muita vontade de fazê-los. Até porque o fim do ano mais não é que uma mera ficção que arranjámos para perdermos (ou ganharmos) mais tempo, dependendo da perspectiva.
No entanto, não quero despedir-me deste ano sem referir aqui os três melhores discos que foram editados.
E já agora aproveito para dizer que não são os melhores deste ano, são também do(s) ano(s) passado(s) e do(s) ano(s) que vem(êm).


Eu cá não estou com muita vontade de fazê-los. Até porque o fim do ano mais não é que uma mera ficção que arranjámos para perdermos (ou ganharmos) mais tempo, dependendo da perspectiva.
No entanto, não quero despedir-me deste ano sem referir aqui os três melhores discos que foram editados.
E já agora aproveito para dizer que não são os melhores deste ano, são também do(s) ano(s) passado(s) e do(s) ano(s) que vem(êm).


(...) - 43
(...)A campainha soa.
Dirijo-me lentamente para a porta.
Desta vez abro-a sem hesitações.
Ela desvia o manto negro que a cobre.
Sacode a água e sorri para mim.
Estende-me a mão pálida, fina, quase transparente e sussurra-me na voz doce da minha infância:
Sei que estás preparado agora. Vem…
Dirijo-me lentamente para a porta.
Desta vez abro-a sem hesitações.
Ela desvia o manto negro que a cobre.
Sacode a água e sorri para mim.
Estende-me a mão pálida, fina, quase transparente e sussurra-me na voz doce da minha infância:
Sei que estás preparado agora. Vem…
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Graças a Deus é sexta feira
France Gall em versão canadiana, ou o que perdemos por causa da cimeira da NATO!
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
(...) - 42
(...)Olho à minha volta. Revejo a minha breve casa.
Os livros que sempre me acompanharam. Os discos que têm as músicas que me foram salvando. Os poucos quadros que me atrevi a pintar e que nunca mostrei a ninguém.
As minhas dores e alegrias que foram ficando marcadas em cada parede, em cada recanto. No chão e no tecto daquela casa que me habituei a chamar minha.
Começou a trovejar agora. Os relâmpagos sucedem-se numa cadência impressionante.
É bonito ver o céu assim e saber que os elementos naturais também se lembram de nós.
Aceno para o céu, como se o deus das tempestades lá estivesse a zelar por mim.
(...)
Os livros que sempre me acompanharam. Os discos que têm as músicas que me foram salvando. Os poucos quadros que me atrevi a pintar e que nunca mostrei a ninguém.
As minhas dores e alegrias que foram ficando marcadas em cada parede, em cada recanto. No chão e no tecto daquela casa que me habituei a chamar minha.
Começou a trovejar agora. Os relâmpagos sucedem-se numa cadência impressionante.
É bonito ver o céu assim e saber que os elementos naturais também se lembram de nós.
Aceno para o céu, como se o deus das tempestades lá estivesse a zelar por mim.
(...)
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Graças a Deus é sexta feira
É já neste fim de semana que tem inicio a mini-tourné que o excelente Neil Hannon vai fazer por terras portuguesas. Se puderem não deixem de assistir, é um magnifico espectáculo, a não perder de forma alguma.
Óptimo fim de semana
Óptimo fim de semana
(...) - 41
(...)Dizem que vemos toda a nossa vida naquele segundo derradeiro. Eu vejo mais. Vejo a vida de mais alguém, vejo vidas que não foram minhas, mas que podiam ter sido, de tão próximas e conhecidas que me parecem.
Continua a chover.
O dia amanheceu escuro. Hoje o sol está envergonhado. Olho pela janela e noto que há poucas pessoas na rua. Será domingo? Dia santificado. Dia de descanso.
Na esquina surge um vulto encapuçado. Move-se ligeiro, parece que nem toca no chão. Sorrio.
Reconheço aquele andar. Mesmo que estivesse de olhos fechados o reconheceria. Ela está a chegar.
(...)
Continua a chover.
O dia amanheceu escuro. Hoje o sol está envergonhado. Olho pela janela e noto que há poucas pessoas na rua. Será domingo? Dia santificado. Dia de descanso.
Na esquina surge um vulto encapuçado. Move-se ligeiro, parece que nem toca no chão. Sorrio.
Reconheço aquele andar. Mesmo que estivesse de olhos fechados o reconheceria. Ela está a chegar.
(...)
David Luiz

Ao contrário do que propalaram por aí, eu nunca considerei este jogador como alguma coisa de extraordinário. Acho-o, sempre achei, mediano e, sobretudo, muito impulsivo, sem a concentração necessária para jogar ao mais alto nível. Talvez me venha a enganar no futuro mas, por aquilo que tem feito até agora, não gosto da sua maneira de encarar os jogos.
É por isso que não me surpreende esta noticia, aliás creio que só peca por tardia.
Boa viagem!
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Greve Geral
Em dia de greve geral, recordemos como eram os tempos de outrora, aqueles em que alguns acreditavam que os amanhãs que cantavam haviam de chegar e que a unidade era um bem em si própria.
Hoje já muita água passou debaixo das pontes e de unidades, destas e de outras, estamos por demais conversados.
Fica o registo histórico e, se para mais não der, sempre se podem ir adivinhando quais as caras (e vozes) conhecidas que protagonizavam estas cantorias.
Hoje já muita água passou debaixo das pontes e de unidades, destas e de outras, estamos por demais conversados.
Fica o registo histórico e, se para mais não der, sempre se podem ir adivinhando quais as caras (e vozes) conhecidas que protagonizavam estas cantorias.
sábado, 20 de novembro de 2010
(...) - 40
(...)Porque será que demora tanto?
No entanto sinto a sua presença, mais forte que nunca. Deve andar por perto.
Sinto também uma enorme nostalgia. Mas bizarra. É uma nostalgia por coisas que nunca vivi. Não é uma saudade, não é uma revisitação de memórias, coisa que faço amiúde, mas é uma espécie de viagem para lá do meu tempo. Por recordações de outrem. Alguém próximo, mas não eu.
Embora melancólicas são-me agradáveis. Viver noutras recordações, em memórias emprestadas. Talvez não sejam, sequer, de ninguém. Talvez de alguém que já morreu e mas doou numa espécie de testamento alternativo, fora do tempo, daquela a que nos habituámos a chamar realidade concreta.
Fazem-me sorrir e encarreiram na minha própria história. Nostalgias doces, quase palpáveis, que me invadem de sentimentos quase cruéis, porque desesperados, mas calmamente desesperados, como se viessem trazer a noticia que eu sabia que ia chegar.
(...)
No entanto sinto a sua presença, mais forte que nunca. Deve andar por perto.
Sinto também uma enorme nostalgia. Mas bizarra. É uma nostalgia por coisas que nunca vivi. Não é uma saudade, não é uma revisitação de memórias, coisa que faço amiúde, mas é uma espécie de viagem para lá do meu tempo. Por recordações de outrem. Alguém próximo, mas não eu.
Embora melancólicas são-me agradáveis. Viver noutras recordações, em memórias emprestadas. Talvez não sejam, sequer, de ninguém. Talvez de alguém que já morreu e mas doou numa espécie de testamento alternativo, fora do tempo, daquela a que nos habituámos a chamar realidade concreta.
Fazem-me sorrir e encarreiram na minha própria história. Nostalgias doces, quase palpáveis, que me invadem de sentimentos quase cruéis, porque desesperados, mas calmamente desesperados, como se viessem trazer a noticia que eu sabia que ia chegar.
(...)
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Graças a Deus é sexta feira
Depois de uma semana bloguistica paupérrima, sobretudo devido a problemas informáticos, deixem-me desejar-lhes um excelente fim de semana com uma reinterpretação soberba de Peter Gabriel de um velho clássico dos Kinks
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
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