terça-feira, 26 de outubro de 2010

foi assim...


Já a conheço há algum tempo, mas nunca lhe tinha dado muita atenção. Ultimamente tenho visto com mais frequência e aprendi que esta série é mesmo muito engraçada. Tanto que agora tento não perder um episódio e já comecei a achar que estes cromos são também meus amigos.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Buraco sem fundo


Salvemos os bancos, baixemo-nos sob as empresas de rating, curvemo-nos perante a Europa e continuemos a desbravar Portugal. Parece ser esse o lema das actuais medidas de austeridade (e de tantas outras que já foram tomadas anteriormente).
Já, por milhares de vezes, todos nos perguntámos onde foram parar todos os fundos de coesão que recebemos, para onde foi o dinheiro que deveria servir para nos tornarmos europeus? Aparentemente ninguém sabe, e, calculo, os que sabem não vão dizer, nem mesmo quando a terra os comer.
Eu, que pouco percebo de questões económicas e financeiras, e como eu a maioria dos portugueses, sabemos que muitos erros foram cometidos e que os erros até se podem perdoar, mas também desconfiamos que muita fraude e falcatruas várias foram, amiúde, inventadas e isso não deve ter perdão. Mas, como no nosso pobre país nada tem conclusão, nunca saberemos o que se passou e como se passou e por isso estamos condenados a este inferno que vivemos e ao pior que nos preparamos para viver.
É que, creio, nem os bem-intencionados, e deve haver alguns, conseguirão fazer nada perante o gigantismo das asneiras e maldades que foram cometidas durante tantos anos.
E o maior problema disto tudo é que não há luz no fundo do túnel. Mais, não há saída do túnel e o pior é que já nos devem ter tapado a entrada também.

Graças a Deus é sexta feira

Porque cada vez gosto mais dos espanhóis e de Espanha, porque, mesmo correndo o risco de ser defenestrado, como o Vasconcelos, me parece que estaríamos muito melhor se a Ibéria fosse una (mesmo com todas as suas nações), aqui vos deixo esta canção com desejos de um bom fim de semana.


All Star (43)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

(...) - 35

(...)Está tudo tão silencioso. O prédio dorme, não se ouve um suspiro. Lá fora a madrugada ainda vive, nada se ouve.
Uma música agora sabia bem. Baixinho, um murmúrio que se estendesse sobre mim. Sim, vou completar a minha banda sonora. Aquela que me tem acompanhado ao longo dos anos.
Sempre acreditei que tínhamos uma banda sonora, mesmo que só cada um de nós a pudesse ouvir. Uma música ligada a cada estado de espírito, a cada movimento, a cada momento.
Eu criei a minha e neste momento falta completá-la. Vou completá-la.
I Grive, soa agora pelo meu corpo. Imparável, um lamento incrivelmente bonito, sem dor, sem contemplações, sem retorno. Um lamento do vento, outra vez.
Perfeito.
Sinto-me em paz.
Tinham-me dito que nestes momentos o sentimento seria duma paz total.
É verdade.
Sinto-me em paz.
(...)

Recordar o que nunca aconteceu...


Por vezes, vezes demais, o mundo não é tão cor-de-rosa (ou outra cor qualquer que pudéssemos escolher) como desejaríamos. As realidades com que nos confrontamos no dia-a-dia são, a maior parte das vezes, de tonalidades que não nos agradam. Mas a literatura tem a particularidade de nos proporcionar visitas a sítios onde os tons que nos rodeiam, por muito que não saibamos distinguir as suas verdadeiras cores, são mais próximos daquilo que julgamos ideal.
Por vezes, o negro é essa cor. E por muito negros que alguns livros nos pareçam, há neles, se nos agradarem, luzes que esbatem a escuridão e que nos indicam, paradoxalmente, que nem sempre a luz nos conduz para o fim do túnel.
Por vezes precisamos de ser abanados, sacudidos, incomodados, para percebermos que a vida, que várias vidas, podem ser objecto de histórias, aparentemente obscuras, mas que permitem caminhar de olhos levantados, procurando luzes, ou pelo menos, lampejos de luz que nos obriguem a olhar para dentro de nós e descobrir o nosso próprio rumo.
É por vezes na dor e no sofrimento sem fim, que conseguimos encontrar respostas.
Saberemos viver assim? Sem saber se podemos recuperar as memórias que julgávamos serem o nosso guia? Ou será que seremos capazes de recordar aquilo que, provavelmente, nunca aconteceu?
Por muito que tenhamos esquecido, por muito que não queiramos recordar, por muito que pensemos que uma enorme rocha tapa as nossas memórias mais recônditas, a verdade é que há-de haver sempre um caminho, uma luz, um simples lampejo, que nos há-de trazer de volta as recordações que fomos enterrando pelo caminho.
E, vá lá saber-se porquê, se calhar a vida é isso mesmo, saber recordar, saber reviver, mesmo aquilo que sempre achámos que queríamos esquecer.

All Star (42)

Por andas Benfica?


Chamaram-lhe todos os nomes, auguraram-lhe péssimo futuro, disseram que não servia, mas ontem, após aquele jogo, apetece perguntar, e aos outros 10, o que lhes vamos chamar agora?
Se não fosse ele, hoje chorávamos uma enorme goleada.
Assim não, assim definitivamente NÃO!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

All Star (41)

(...) - 34

(...)Na verdade, penso agora, tudo é demasiado efémero, mesmo para aqueles que não o merecem. Mesmo para aqueles a quem a imortalidade devia ser um dado adquirido. Não falo da eternidade que os grandes pensadores possuem, falo duma eternidade concreta, palpável, daqueles que podem mudar o mundo e a vida das pessoas, factualmente.
Há tão poucos assim. Mas existem. Disso não tenho dúvidas.
Daqueles que, como dizia o grande poeta, se vão da lei da morte libertando e como, certeiramente, nos contou outro grande poeta, valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena.
Pergunto-me, valeu a pena? O que tive até agora, valeu a pena?
Pois não sei. No fundo é essa a minha sina, não saber. Nunca sei. Toda a minha existência foi uma dúvida constante. E medrosa. Medo foi coisa que sempre tive. E continuo a ter.
Mesmo depois de ter tido a maior epifania da minha vida. Mesmo depois de a ter convocado devidamente, sem volta atrás, sem dúvidas.
Não tive dúvidas em convocá-la, em trazê-la até mim. E ela veio.
Só que tive medo de lhe abrir a porta. Mas sei que voltará. Ela não falha. Ela nunca falha.
(...)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

All Star (40)

E a ti? O que te espera?


Caímos no meio do nada, cheios de certezas inabaláveis, de verdades enormes e duras, que não admitem retóricas, que não conhecem dúvidas.
Caímos no meio dum nada, onde uma imensidão de cores não nos indicam mais do que uma escuridão total, onde as crianças que em nós habitaram se perderam no caminho.
Acordámos no centro de coisa nenhuma, com as direcções todas trocadas, com destinos traçados a giz, que se apagam depois de os ultrapassarmos.
Silenciamos os nossos desejos, com o receio, verdadeiro, de que se tornem realidades que nunca conseguiremos aguentar.
Gritamos no centro do nada, onde ninguém nos poderá ouvir, e é essa a nossa esperança, a de que ninguém nos ouça, para que ninguém nos estique a mão.
Até que o nada se ocupe totalmente de nós e sejamos, sem vacilar, apenas um pequeno ponto insignificante que mais não é que a conjugação dos muitos nadas que vagueiam à nossa volta.
E a ti? O que te espera?

Graças a Deus é sexta feira

Já há algum tempo que não ouvia esta canção, acho que até já me tinha esquecido dela. Hoje ouvi-a na rádio e relembrei-me do quanto ela me tinha agradado quando a ouvi pela primeira vez. Não deslumbra, mas é muito, muito agradável.
Bom fim de semana. Enjoy

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

(...) - 33

(...)O último desejo de um condenado. Ah, como gosto de ser lírico nestes momentos desesperados. Com um leve toque de humor negro. Do que não faz gargalhar, mas liberta um sorriso cúmplice, daqueles que só mais inteligentes sabem ganhar.
Eu nunca me considerei inteligente. Curiosamente aqueles que me conheceram mal sempre acharam que eu o era. Na verdade não era. Talvez os enganasse porque já tinha lido muito, sabia de cor rios e montanhas, citações que poucos sonhavam e até os nomes de todos os reis. Mas isso não era sinónimo de inteligência. Talvez de paciência. De observação. Uma mão cheia de inutilidades, que serviam para concursos televisivos, mas que se revelavam inúteis no mundo real.
Consegui ganhar uma aura de intelectual, embora duvidasse que tal se conseguisse manter perante alguém que, de facto, fosse inteligente. No fundo mascarei-me de sabedor de coisas só para enganar os incautos. E há tantos incautos à nossa volta. Daqueles que se deixam levar por dois dedos de conversa fácil e um sorriso cativante.
Não que os quisesse enganar, nunca quis. Mas era assim que eu funcionava, com a dose certa de charme e com a sabedoria de cordel que não resistiria a um escrutínio mais elaborado.
Um fogo-fátuo. Sim, acho que era uma espécie de fogo-fátuo. Bonito mas efémero. Demasiado efémero.
(...)

All Star (39)