quinta-feira, 25 de março de 2010

Futebol de fugir


Não quero discutir a justiça dos castigos aplicados aos jogadores do fóculporto pela Liga, nem sequer a sua redução inventada agora pela FPF. O que quero discutir é a falta de vergonha, a impunidade ranhosa e mal cheirosa, a provocação descarada e nojenta, que ressalta destas duas decisões, ou melhor, da incoincidência destes dois julgamentos e também do intervalo de tempo que mediou entre uma e outra.
Será que estes senhores não têm a noção que, desta forma, só tornam o futebol em Portugal ainda mais incredibilizado? Não percebem que os compadrios são tão evidentemente escancarados que só um cego hereditário não os consegue ver?
É para mim óbvio que, no meio de toda esta porcaria, ninguém sai limpo, por isso, deixem jogar quem sabe e pode e deixem de alimentar guerrilhas estúpidas e repulsivas que só aproveitam o tão mal afamado sistema, sistema que mais não é que a vassalagem que vai rodeando os velhos sebosos que teimam em manter-se à frente daqueles clubes que são useiros em embustes destes.
Por muito que me custe admitir, parece-me que a podridão está de tal modo instalada que pouco podemos fazer para a erradicar, por isso, e correndo o risco de também me sujar, deixo aqui um desejo muito sincero.
Pelo menos que o Glorioso consiga ganhar esta merda!

All Star (1)


Começamos hoje a visitar os melhores ténis do mundo.
Converse Chuck Taylor All Star.

Les Années Spoutnik


É nessa altura que vemos a lua nas nossas mãos, que mudamos o mundo todos os dias, porque ele está à nossa mercê, que choramos e rimos a toda a hora, porque é assim a nossa vontade.
É nessa altura que voamos e caímos sem nunca recuarmos, porque só nessa altura é que sabemos onde estamos verdadeiramente.
Tudo é mais intenso, tudo é mais forte e belo, porque cada dia é uma descoberta maior, uma infinidade de horas para assaltarmos.
Não há fronteiras entre mundos, não há barreiras entre as pessoas, porque só nessa altura é que sabemos que a felicidade não depende do que nos derem, mas sim daquilo que oferecemos.
É isso que Baru nos mostra nas suas histórias ternas de uma infância talvez ainda não perdida, pelo menos para aqueles que continuam a olhar a vida através do coração.

Até que 31 de Maio chegue... (VIII)

Uma comovente versão acústica de uma das mais belas canções de Neil The Divine Comedy Hannon. Um romance belo e triste em poucas, mas tocantes palavras.
Soberbo.

(...) - 13

(...)Porque nessa altura eu já conseguia abrir os livros e atrevia-me a lê-los.
Esses foram os primeiros que abri. Os contos de fadas.
Andersen, Perrault, os irmãos Grimm. Histórias povoadas de seres imaginários, incríveis, mágicos, únicos, naquelas paisagens com que eu sonhava e que, apesar de nunca as ter visto, conhecia como ninguém.
E como viajava então.
No dorso de cavalos alados. Batalhando dragões de todas as cores. Magicando mil e uma maravilhas em reinos perdidos por entre as páginas de livros queridos.
Nunca depois disso os livros me souberam tão bem. Nunca mais os sonhos foram tão profusamente ilustrados.
Mesmo quando decidi viver com a música. Não era, pensava eu, diferente de qualquer outro adolescente. Pelo menos daqueles para quem a música tem uma única finalidade. Salvá-los!
Era assim que a entendia. Era por isso que a ouvia e vivia tão intensamente. A música era a única coisa que me podia salvar. Apesar de, na verdade, nunca perceber bem de quê. Naquela altura as perguntas mais comezinhas estavam arredadas de todo o pensamento. A vida não esperava que fossemos metódicos. Para isso havia a escola que, tal como seria de esperar, era uma chatice.
(...)

quarta-feira, 24 de março de 2010

Coisas (que importam)!

Até que 31 de Maio chegue... (VII)

Eis Lucy, nas palavras de Wordsworth e na, sempre, bela música dos Divine Comedy.

Quo Vadis Portugal?

Será que neste país nada mais acontece para além dos ataques, contra ataques e defesas, mais ou menos atabalhoadas, contra e a favor de José Sócrates e a incerteza quanto à capacidade do Benfica em concretizar o sonho de tanta gente?

(...) - 12

(...)Estiquei as pernas. Percebi que, no lado de fora, ela tinha feito o mesmo. Parecíamos miméticos. Feitos um para o outro. Porque não? Pensei. De facto nunca tinha pensado nisso.
Ela ali estava, por mim, para mim. Eu não. Seria demasiado egoísmo? Era filho único, que é um outro nome para egoísta.
De repente o céu tornou-se mais escuro. Uma breve, mas forte, luminosidade acendeu-se. Logo depois surgiu o trovão. Forte e poderoso.
A casa estremeceu. Eu também. Lá fora ela também.
Nas noites de trovoada mal conseguia dormir. Não porque tivesse medo. Não tinha.
Ficava maravilhado. Com o poder dos trovões, com a atracção pelos relâmpagos. Com a vertiginosa capacidade natural em criar um espectáculo daquela dimensão. Tão belo. O mais bonito espectáculo do mundo.
E deixava-me ficar a admirar todo o esplendor da trovoada. Aquelas noites eram belas e poderosas.
Uma feiticeira única. Senhora do mundo. Dona de uma fantasia única. Aquela fantasia que vivia dentro dos contos de fadas de que eu tanto gostava.
(...)

terça-feira, 23 de março de 2010

Até que 31 de Maio chegue... (VI)

E aqui vai mais outra, dedicada à sua filha e que eu, como pai galináceo que me prezo de ser, adoro.

(...) - 11

(...)Estendiam umas mantas no chão terroso e abriam umas caixas de madeira onde traziam talheres e pratos, copos e garrafas. Depois abriam outras caixas de onde saiam croquetes, rissóis e até um arroz de cabidela que vinha num termo para ficar quentinho.
E havia uma garrafa de vinho e outra de laranjada. BB era a marca, lembro-me bem. Bem Boa! E isso já não me lembro se era, eu bebia água.
Depois da sesta, à beira da estrada, lá seguíamos viagem. Rumo à aldeia de pedra, que era pobrezinha, mas bonita, e onde familiares me inundavam de beijos molhados, com hálitos de velhos de séculos e onde as casas de pedra eram mais frias que todos os invernos que eu conhecera.
Foi há tanto tempo. Apesar de tudo tinham sido agradáveis aquelas viagens e aqueles velhos sorridentes e baços que, afinal, hoje já não existem. Velhos como aqueles perderam-se no tempo. Hoje os velhos ficam em frente aos aparelhos de televisão, trocando os tempos que ainda têm, por visões de programas estupidificantes que lhes prometem horas de entretenimento, mas que lhes tiram a vida aos poucos. Alzheimers em directo e a cores.
(...)

segunda-feira, 22 de março de 2010

Até que 31 de Maio chegue... (V)

Aqui vai mais uma:

(...) - 10

(...)Lá fora a chuva continua a cair, agora mais miudinha, mas imparável.
Olho os vidros da janela e deixo que o meu olhar percorra os trilhos que as gotas vão desenhando ao deslizarem pelo vidro.
Era assim um jogo que costumava jogar quando, no banco de trás do carro de meu pai, íamos à terra. Não à minha terra, nem sequer à dele, que era a mesma que a minha, mas à dos seus pais. Que ficava lá longe, depois dos montes, dos vales, dos rios e riachos, das curvas e contracurvas, num outro mundo, longe da nossa cidade, longe daquele mundo que eu julgava nosso.
Demorávamos horas intermináveis para lá chegar.
As estradas eram estreitas, tinham buracos, desvios, curvas e mais curvas. Mas eram caminhos bonitos, com árvores a bordejá-los. Às vezes, quando a luz era pouca, podíamos ver um coelho a saltar, até uma raposa fugidia e o meu pai parava o carro e dizia, Viste? E eu olhava e dizia que sim, mesmo que não tivesse visto nada, porque sabia que lhe agrada. Animais selvagens que fugiam à frente do carro, assustados por aquele ronco surdo que os carros tinham naquela altura.
E parávamos depois à beira da estrada. Num espaço diminuto, onde cabíamos apertados uns contra os outros e contra o carro que nos protegia dos outros que por ali podiam passar, mas que nunca passavam.
E fazíamos aquilo que eles gostavam de chamar o piquenique.
(...)

domingo, 21 de março de 2010

Onda vermelha


Sabe sempre muito bem dar três à tripalhada, mas o que importa mesmo é ganhar o próximo!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Graças a Deus é sexta feira

Vamos lá então animar este fim de semana: