Nestes tempos em que o deus dinheiro e o seu profeta capitalismo imperam, nada mais importa. E eu, que tenho por hábito relativizar aquilo que as religiões nos querem passar, fico estupidamente espantado como é possível que isto seja permitido! Ou será que o Vaticano já está a pensar canonizar o pontapeador de bolas?
O luar brilhava por entre as árvores despidas. O caminho era longo, pelos carreiros da floresta escura. Caminhava de cabeça baixa para não ter que procurar. Deixava-se levar como um sonâmbulo, naquela dormência própria de quem não sente as horas. Não lhe interessava conhecer o destino, apenas sabia que não podia parar. Um corvo tapou, por instantes, a luz da lua. Parou então. Olhou para o alto. Viu o vento que passava por ali. Sentou-se nas folhas mortas que atapetavam o chão. Viu que os lobos se aproximavam sorrateiros, com os olhos brilhando no escuro, vigiando os seus movimentos. Aproximaram-se cautelosos. Sentaram-se a seu lado. Um longo uivo soou então. A lua tornou-se mais luminosa. As árvores afastaram-se e a noite ficou mais clara. Naquele instante percebeu quem era e o que fazia ali. E seguiu o seu caminho…
«Stieg Larsson acusado de não ser o autor da trilogia Millenium (...)Hellberg, um jornalista com 60 anos, acusou o já desaparecido ex-colega, Larsson, num artigo publicado no "Dagens Nyheter's", um dos jornais de maior tiragem da Suécia. Segundo Hellberg, Stieg Larsson não tinha talento nem tempo para escrever tanto, mais de mil páginas num par de anos. Hellberg chega mesmo a afirmar que quem escreveu a trilogia foi Eva Gabrielsson, companheira de Larsson durante 32 anos.(...)»
Ora isto traz-me à memória uma velha piada que ouvi, há já largos anos, no saudoso pão com manteiga. Dizia, mais ou menos, isto: Os Lusíadas não foram escritos por Camões, mas sim por outro homem que, curiosamente, também se chamava Camões!
Discussão estéril perante uma obra que não a merece.
Antes da escuridão, quando ainda o grande tempo se vivia, pensava que possuía o toque. Os dias viviam-se de baixo para cima, numa espécie de jogos sem fronteiras, nessa altura dizíamo-nos fá-lo tu mesmo. Crescemos e julgámos que a vida era mais que isto. Até que percebemos que a enchente estava a chegar e que não havia saída. Hoje permanece uma gota, que, no entanto, continua a segredar, não desistas, nos teus olhos ainda vive um céu azul.
Graças a esta imagem podemos confirmar que a imensa barrigada de golos que este senhor teve oportunidade de concretizar aquando da sua passagem pelo Glorioso, ainda continua a fazer-lhe efeito!
Agora que desaparece o último elemento da familia Cartwright, resta-nos relembrar esta música e o genérico de abertura duma série que fez os encantos da nossa meninice.
As nuvens estão a chegar. Carregadas. Cheias. Compactas. Prestes a desabar. A cobrir-nos. A inundarem os nossos sentidos. A encherem-nos. Olhamo-las com a inocência há muito perdida, mas com o desejo intacto. O medo já não existe aqui. Em cada solidão sente-se o apelo. Para que desçam e se transformem no mar por que ansiamos. A vida escorre em cada pingo que nos irá molhar. O horizonte carrega-se de cores vivas. Rubras. Um silêncio imenso anuncia a tempestade. Aquela por que todos esperam. Todos os abrigos foram abertos. Nem uma única cabeça se encontra coberta. E ei-la que começa a cair, sem piedade, sem trégua, imparável. E em cada um renasce a criança que parecia esquecida. Não haverá mais negação, tudo estará certo. E um imenso mar vermelho nos irá abrigar…
Dentro de algumas cidades há almas sangrando, almas que não se vêem, mas que se pressentem, que se assomam quando queremos ver para além do óbvio, que deixam que nos enleemos se estivermos abertos a isso, que nos presenteiam com todo o seu esplendor se para tal estivermos preparados. São raras as cidades assim, mas existem. E, nessas que se assim se nos apresentam, há uma que é mais evidente. Basta passearmos nas suas ruas de alma descoberta, basta sabermos levantar os olhos e ver para além das ruas, das casas, das pessoas. Saber olhá-la nos olhos e sobretudo ver para além deles. É assim Barcelona. É assim que vem em muitos dos livros que a descrevem, que a mostram, que a descobrem, como este que aqui vos mostro. Mas é assim, sobretudo, para quem lá chega e se deixa inundar pelos seus mistérios e maravilhas. São assim as cidades sem tempo…
Porque às vezes nos faz bem olhar para trás e lembrarmo-nos que, em certos momentos, aquilo que nos fez pessoas, continua por aí. Vou deixar-vos com algumas das minhas memórias musicais dos idos de 70, quando o Prog ainda imperava e me ia adocicando os dias. Embora estas águas já tenham passado, o rasto que deixaram ainda hoje me faz sorrir.
Há 80 anos atrás surgiram, nos Marolles, dois pequenos gamins que fizeram gato sapato do policia Nº 15 e que nos deram algumas das diabruras mais deliciosas de toda a banda desenhada. Nascidos da imaginação de Hergé, Quick e Flupke, cedo encarnaram o espírito folgazão da zona mais popular de Bruxelas. Fazem hoje 80 anos, mas continuam os pequenos diabretes que deambulam divertidamente pelo Sablon, pelo Jeu de Balle e pela Rue Haute, onde, aliás, os podemos ver, mais uma vez, a tentar escapar ao policia de giro. Nesta data querida resta-nos cantar, com toda a vontade uns parabéns a você, em marollien, está bem de ver.
Jacques Martin foi hoje juntar-se aos seus amigos e companheiros de tantos anos de aventuras. Estou certo que Hergé, Jacobs, Goscinny, Morris, Franquin e tantos outros, o receberão de braços abertos.