quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

histórias com música (7)

- Alguma coisa hás-de sentir - disse ele fechando a janela
- Não sei, não compreendo, não sinto na verdade – respondeu olhando as estrelas que se acendiam lá fora.
- Nem mesmo quando a manhã acorda? – tornou
-Nem aí…
Voltou a olhar a noite lá fora. Para ele era sempre noite. Embora as estrelas brilhassem lá no alto, não havia luz alguma que lhe acendesse o sorriso. Nem mesmo quando a manhã nascia.
O vazio inundara-lhe as almas, todas as que ele já vivera.
Até que naquele dia resolveu não abrir os olhos e deixou-se assim ficar. Quieto, muito quieto, sem que nada o pudesse sobressaltar.
Não soube quanto tempo assim ficou, não viu horas, nem dias, nem sons, nem movimentos.
Pouco a pouco foi deixando que um pouco de calor se lhe assomasse e começou a entender e a sentir.
Nesse dia percebeu que o sol só vem quando o queremos aceitar

10 discos dos anos 00 (2)



Está quase

Que seja um óptimo ano esse que aí vem...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

domingo, 27 de dezembro de 2009

histórias com música (6)

- Quando te emocionas choras? – Perguntou ela
É verdade, quando me emociono choro, pensou antes de responder.
Sinto uma onda de doçura, de arrependimento, mesmo quando nada fiz. Uma carga de enorme injustiça que paira sobre mim, mas também uma plenitude que não me deixa dúvidas. Uma espécie de vingança por aquilo que o mundo não me deixa fazer, mas que uma justiça incógnita se encarrega de levar a cabo. Uma impotência que me ata as mãos, mas também uma liberdade que me dá asas …
- Choro – respondeu ele
- Porque te sentes pequeno, mas ao mesmo tempo enorme? – Voltou a perguntar
- Sim, porque me sinto amargo, mas ao mesmo tempo doce…

sábado, 26 de dezembro de 2009

O Oscar que interessa


A primeira vez que o encontrei foi no livro. Depois a Lidia Franco mostrou-mo no palco. Agora o seu autor,Éric-Emmanuel Schmitt, transportou-o para o grande écran. Ainda não o vi, não sei se tenho coragem para levar outra tareia, para me confrontar com a enormidade de Oscar e da sua capacidade para nos levar até onde muito poucos são capazes. Não sei se consigo aguentar tão grande inundação de crueza bela, que nos despe completamente e nos deixa à mercê da nossa efemeridade e da imbecilidade das nossas preocupações mesquinhamente quotidianas.
Porque este Oscar e a Senhora Rosa, que aqui descobrimos, podem ser o último passo para conhecermos a verdadeira dimensão da beleza e da sua finitude. Beleza alcançável mas apenas por aqueles que percebem que o que vamos fazendo e construindo pode desaparecer num breve segundo.
Este é o Oscar que, verdadeiramente, interessa. Os outros são apenas bonecos...

Vampirices

Com tantos Crepúsculos, Luas Novas, dentes ensaguentados, vampiros saídos de castings para o American Next Top Model e outros sucedâneos, pergunto-me se ainda há por aí alguém que se lembre deste?

Era uma vez no Natal


No Natal da minha infância havia sempre um destes no sapatinho.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

É NATAL


Estamos naquela altura do ano!
UM FELIZ BATAL E UM NOM ANO NOVO!

domingo, 20 de dezembro de 2009

sábado, 19 de dezembro de 2009

O Pai Natal na Terra Média


Quem conhece o Shire e os Hobbits, certamente que conhece o verdadeiro Pai Natal.

histórias com música (5)

Gostava de se sentar à sombra daquela velha árvore.
Por ali o tempo demorava mais a passar, os dias corriam lentos e mesmo quando o Inverno mandava, o sol ficava sempre mais um bocadinho, como se tivesse relutância em abandonar aquele local.
Era nesses dias infindáveis que ele mais gostava de se demorar.
Arrumava-se então. Ficava muito quieto e deixava que o calor se apoderasse dele.
Fechava os olhos e abria a mente.
As imagens não demoravam a chegar e ele embarcava, gostosamente, naquela viagem, em cada nova viagem. Ganhando cada vez maior confiança, saboreando aquela certeza de que, mesmo não saindo do mesmo lugar, visitava todo um mundo.
E de cada vez que sentava junto aquela árvore sorria e na sua mente surgiam as palavras mágicas: eu consigo lembrar-me!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

yellow


Há 20 anos a televisão ficou amarela!

histórias com música (4)

Acordou já a noite ia longa.
Lá fora a neve caía. Incessante, gloriosa na sua alvura gelada.
A lareira continuava acesa, adornando a parede da sua casa com silhuetas fantasmagóricas.
Fechou os olhos e imaginou os sons que podiam acompanhar aquele bailado de sombras.
A voz do anjo soou-lhe deslumbrante por entre as brumas que entretanto se tinham formado à volta do fogo, que crepitava agora ainda mais vivo.
Algo de transcendente lhe acalmou os sentidos, fazendo com que o sono se aproximasse outra vez e ele deixou-se levar.
Viu-se sentado, sozinho, numa mesa enorme, a perder de vista, num cenário irreal…
Alguém lhe sussurrou ao ouvido:
- This is the supper of the mighty one.