- Deixa-me espreitar – pediu ele, esboçando um sorriso inocente.
Numa inocência planeada, perfeitamente culpada, pensada, criada a priori, das piores, das que são tidas como certas.
Ela sorriu também.
- E porque queres espreitar?
Para essa já ele tinha engatilhado resposta pronta, infalível.
-Porque sou um pequeno malandrete, mas quero tornar-me no rei do castelo...
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
histórias de Rosa Branca

XXI
Naquela manhã o céu era de cobre. Pesado, escuro, mas também colorido. Havia tensão no ar. Quase se podia senti-la queimando os membros, obrigando-os a esforços complementares.
Zacarias abeirou-se da janela do seu quarto. Abriu e inspirou profundamente. O cheiro a terra molhada era das melhores sensações que alguma vez tinha experimentado. O estranho da situação era o facto de não chover há várias semanas.
A sua cidade estava quieta, os seus habitantes, como de costume, mantinham-se mudos e quedos, como seria de esperar. Zacarias preparou-se para fazer a sua habitual ronda matinal. Passava, desde sempre, uma minuciosa revista a todas as ruelas, a todos os caminhos, pedras e a eventuais almas que não conseguiam descanso. E algumas tinha encontrado ao longo dos anos.
Naquela manhã, em que o céu tinha uma tonalidade estranha e em que a terra estava molhada sem chuva, Zacarias sabia que algo importante iria acontecer. Foi por isso com naturalidade que encarou com o Velho e o ouviu sem se surpreender…
(continuará)
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
A kind of a trick

Os clones dos Genesis voltaram a Lisboa para recriar The Trick of The Tail, o primeiro disco pós-Gabriel. Eu vi-os há cerca de dois anos quando refizeram o Foxtrot e Selling England. E gostei. Se fechasse os olhos diria que tinha recuado no tempo e estava a ouvir os originais.
Desta vez não fui, mas não tenho dúvida que fizeram sonhar os verdadeiros admiradores da banda, como eu.
Como forma de homenagem, aqui deixo os Genesis naquela que, muito possivelmente, foi a sua última canção admirável. Afterglow de Wind and Wuthering, na última tourné do grupo, a de 2007.
Os palhaços pobres (de espirito)
Em tempo de Natal, quando a procura pelo espectáculo circense é mais efectiva, surge-nos esta pérola digna dos anais de qualquer malabarista menor e palhaço sem graça de que há memória.
Minhas senhoras e meus senhores, eis o maior espectáculo do mundo, o (triste) parlamento português.
Apreciai,
Minhas senhoras e meus senhores, eis o maior espectáculo do mundo, o (triste) parlamento português.
Apreciai,
histórias de Rosa Branca

XX
Jordão recordou-se então daquela noite em que o céu se inclementava perante os mortais.
Viu-se a si próprio sentado na antiga mesa de madeira, olhando com uma atenção fingida o velho documento que o avô lhe tinha entregado há já tantos anos. Via-o outra vez, já perdera a conta às vezes que para ele tinha olhado, lido e relido, visto por fora e por dentro, descodificado e tornado a baralhar num amontoado de dúvidas, de incertezas, de avanços e recuos que nunca lhe deram qualquer verdade.
Jordão recuou àquela noite em que o céu estava mais escuro que o habitual, em que um vento ensurdecedor levantava tudo o que não tivesse raízes, àquela noite em que ninguém se atrevia a sair, em que todas as luzes, de todas as casas, se encontravam apagadas, porque ninguém ousava desafiar a raiva que alguém tinha lançado sobre a pequena povoação.
Jordão tinha bem presente o som que ouviu junto da porta de sua casa e de como percebeu, imediatamente, que não era o vento, ou a chuva que o provocavam.
Quando, a medo, resolveu finalmente abrir a porta, viu no degrau mais alto duas pétalas de rosa, uma branca e uma vermelha, entrelaçadas e, no meio daquele breu impenetrável, a luz surgiu-lhe como por milagre e ele entendeu o que tinha que fazer.
(continuará)
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
A enorme vigária
E agora uma pequena colecção de cenas finais de uma das mais divertidas séries produzidas pela BBC.
Enjoy it...
Enjoy it...
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Salvem a Bertrand

A Buchholz já foi. Agora outros alemães colocaram as livrarias Bertrand à venda. Para bem de todos nós espera-se que os compradores tenham o bom senso de mantê-las vivas e à tona.
No entanto eu tenho medo, muito medo que, por este andar, qualquer dia só possamos comprar livros em sítios que não os respeitam, no meio de multidões que não os vêem, neste país que se vai esquecendo que a vida não é feita de ídolos de barro, regados com morangos açucarados.
O CM é que sabe!

Aí está o CM na vanguarda das noticias que, verdadeiramente, interessam!
«(...)Oito anos depois do início do namoro, o romance entre o primeiro-ministro José Sócrates e a jornalista Fernanda Câncio pode ter chegado ao fim. Segundo a revista 'Flash', os dois não têm sido vistos juntos nos últimos tempos e há muito que Sócrates deixou de frequentar a casa da namorada, onde chegou a viver.(...)»
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
domingo, 6 de dezembro de 2009
Uma doce vingança
Tenho esta mania, muito arreigada em mim, de que não gosto dos japoneses. Porque me irritam com as suas comezinhices, com as suas manias que me parecem excêntricas, esquisitas, fora de todos os contextos. Sei que são preconceitos e assumo-os como tal, não me importo com isso e vou continuando a afirmar, peremptoriamente, de que não gosto dos japoneses e da sua cultura que me parece tão irritante.
Mas depois, e há sempre um depois, surge algo, ou, neste caso, alguém, que me dá um pontapé nas certezas e se vinga de mim com uma coisa como esta, mostrando-me que todos os preconceitos mais não são que parvoíces encapotadas por certezas estúpidas.
É assim como uma espécie de vingança, neste caso uma vingança doce...
Mas depois, e há sempre um depois, surge algo, ou, neste caso, alguém, que me dá um pontapé nas certezas e se vinga de mim com uma coisa como esta, mostrando-me que todos os preconceitos mais não são que parvoíces encapotadas por certezas estúpidas.
É assim como uma espécie de vingança, neste caso uma vingança doce...
E agora Queiroz (II)

No Folha on line vinha isto:
«(...)Sou brasileiro, o Brasil é meu país. Mas também amo e sou grato a Portugal e quero retribuir com o meu trabalho. Estarei dividido e vou procurar fazer meu trabalho", completou Liedson.»
E agora Queiroz, qual é exactamente o trabalho deste rapaz? É estar dividido? É marcar nas duas balizas ou escolher apenas aquela que se opõe à do seu país, como é normal que faça?
E agora Queiroz?
Vais convocá-lo? Ou vais oferecê-lo ao Duda?
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