segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Obrigado Sérgio (VII)

por isto...

Ícones do século XX (45)

Só visto

Carvalhal diz: “Os adeptos não podem deixar adormecer o Sporting”
E estes notáveis(?) não perderam tempo



Pelo menos enquanto estiverem a rir não adormecem.

O muro das lamentações


- De que te lamentas tu?
- De nada Senhor.
- Então porque estás aqui?
- Porque busco, apenas.
- E o que buscas tu?
- O caminho que me possa levar para além do muro…

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Os heróis que nos acompanham


Então, um dia, tomamos consciência que os heróis da nossa infância também envelhecem. Por isso, quando os cabelos brancos já vão dominando, sorrimos e tal qual uma criança tranquila, adormecemos mais calmos, porque sabemos que, afinal, nunca estivemos sózinhos.

Obrigado Sérgio (VI)

por isto...

Luthien Tinúviel


Haverá alguém que recuse a imortalidade?
Haverá alguém que se perca na voragem dos dias em busca duma finitude que não lhe é própria?
Haverá alguém que troque a visão do fim dos tempos pelo fim certo daqueles que nem o sonham?
Haverá alguém que queira ficar por aqui sabendo que os outros caminhos o podem levar a portos onde o sol nunca se põe?
Haverá alguém disposto a trocar um paraíso, pelo constante sofrimento dos que sabem que o inferno pode estar ao virar de uma qualquer esquina?
Haverá alguém que troque um perpétuo sorriso por uma fugaz, mas intensa, gargalhada?
Haverá alguém que deseje ser apenas gente e não um semi-deus impossível?
Não conheço muitas pessoas assim, aliás só conheci Tinúviel e Arwen que, por amor a algo maior que a vida, se permitiram perdê-la.
Mas estas são personagens que viveram apenas na imaginação de Tolkien, ou então na esperança de alguns de nós…

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

On drums Phil Collins



«Phil Collins (...) declarou ao jornal alemão "Hamburger Abendblatt" que perdeu a sensibilidade nos dedos desde que foi submetido a uma cirurgia a uma vértebra deslocada no pescoço, realizada em Abril deste ano.(...)»

Seria preferível, digo eu, que tivesse sido a voz a ser afectada, já que na bateria ele ainda conseguia fazer umas coisas bastante boas.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

terça-feira, 10 de novembro de 2009

9,15 metros


Mesmo antes de tombar, Robert lembrou-se de tudo.
Do bosque onde costumava esconder-se por entres as árvores frondosas. Das caçadas movimentadas que tentava fazer e das quais apenas resultavam nódoas negras e uns pequenos pássaros de que nunca chegou a saber o verdadeiro nome. Das noites iluminadas por uma lua fugidia que lhe punham os nervos em franja, mas também lhe davam motivos para criar as mais assombrosas e fascinantes histórias de que tinha memória.
Lembrou-se de muitos rostos. Daqueles que lhe eram familiares e dos outros de que nunca voltara a ter noticias.
Recordou até palavras que, há muito, julgava esquecidas. Frases inteiras, histórias completas, vidas que o acompanharam.
Mas não conseguiu lembrar-se porque razão ali estava, tombando inapelavelmente, sentido que o chão se aproximava sem fuga e vendo toda a cena como se tratasse apenas de um mero espectador.
Sentia tudo isto no que lhe parecia uma lentidão exasperante, embora fosse, ao mesmo tempo, possibilitadora da vinda de todas as memórias, que, apesar de o assustarem, o maravilhavam também.
Mesmo antes de tombar, Robert olhou o céu e percebeu que uma luz muito brilhante lhe ofuscava, por completo, a visão. Fechou por isso os olhos e deixou-se tombar mais depressa, numa queda infinita.
Quando sentiu finalmente o seu corpo chocar contra o solo, Robert abriu os olhos…
Um barulho ensurdecedor tapou-lhe os ouvidos.
Foi aí que percebeu que tinha conseguido defender o último penalty.

(em memória de Robert Enke)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

E agora Astérix?


Uderzo afirmou há pouco tempo, no decorrer das comemorações do 50º aniversário de Astérix, que já encontrou sucessor para a continuação das aventuras do pequeno gaulês e da sua tribo de irredutíveis gauleses.
Não é caso inédito nos anais da banda desenhada. Séries tão, justificadamente, famosas como Blake e Mortimer ou Spirou, conheceram o mesmo destino.
A mim, como leitor deleitado dessas histórias, dá-me um prazer suplementar que elas continuem para lá dos seus criadores originais. Sempre surgem mais hipóteses de renovadas horas de prazer. No entanto, creio que é inevitável que se perca alguma (ou, por vezes, toda) originalidade e força criativa que, pelo menos por terem sido os primeiros, os criadores das séries imprimiram às mesmas.
Quem me conhece sabe que sou um admirador irredutível de Tintin e, hoje, passados mais de 26 anos sobre a morte de Hergé, dou graças por este autor não ter permitido a continuação das aventuras. Desse modo Tintin tornou-se, como é legítimo e natural, a obra da vida de Hergé e nós, fiéis leitores, permanecemos fiéis por isso mesmo, porque em cada renovada leitura podemos (e conseguimos) descobrir novas maneiras de ler a sua obra, sendo os motivos de prazer sempre crescentes. E depois temos o conforto de conhecer toda a obra e de a poder apreciar na sua plenitude, por quem a imaginou, criou e deu a conhecer.
Fico, por isso, um pouco apreensivo com esta decisão de Uderzo. Se bem que, depois da morte de Goscinny, Astérix se venha tornando apenas numa fraca sombra daquilo que, muito justamente, foi até finais da década de 70.
O que esperar então? Um renascimento ou apenas a continuação deste limbo pseudo criativo.
Esperemos…

Ícones do século XX (43)

domingo, 8 de novembro de 2009

sábado, 7 de novembro de 2009

histórias de Rosa Branca


XVII

Em Rosa Branca havia quem estivesse convencido que alguns minutos tinham mais que os usuais sessenta segundos. Quem jurasse que algumas semanas ultrapassavam os meros sete dias.
Na verdade nunca ninguém tinha feito prova científica.
No entanto, mesmo sendo verdadeiro, o fenómeno não era evidente, porque, por efeitos tão naturais como o vento que sopra ao contrário, ou a chuva que só cai nas noites de lua nova, havia igualmente quem jurasse que no mês seguinte iriam surgir alguns dias que acabavam antes da meia-noite, ou meses que paravam no dia 29 mesmo sem pertencerem a anos bissextos.
Acontecimentos como este não eram, por isso, objecto de grandes delongas, aliás eram encarados tão naturalmente como a possibilidade de um concidadão abrir asas e voar.
Por isso mesmo, naquela manhã, não era por curiosidade mórbida que a multidão se acotovela na praça principal, olhando avidamente para Jordão Perestrelo. Mas tão-somente porque naquele dia, que não era maior ou menor que os outros, todos acreditavam que Jordão poderia provar aquilo que toda Rosa Branca sabia ser o seu destino.


(continuará)