segunda-feira, 26 de outubro de 2009

histórias de Rosa Branca


XVI

Amanheceu cedo.
O céu estava limpo, como vinha acontecendo nas últimas semanas.
Ainda toda a gente dormia.
Jordão, no entanto, já lá estava, como vinha acontecendo nas últimas semanas. Observava o vôo das andorinhas. Regozijava-se com os volteios e revolteios. Anotava mentalmente todas os rasantes que faziam, os graus que cortavam, a graça única que possuíam.
Quando Rosa Branca começasse a acordar, Jordão recolher-se-ia e deixaria que o dia passasse sem se assomar à rua.
Na manhã seguinte lá estaria outra vez, tal como iria acontecer nas próximas semanas.
O momento estava quase a chegar e ele não poderia faltar ao encontro marcado com o seu destino.

(continuará)

domingo, 25 de outubro de 2009

Um cigarro na noite


Fazia frio nessa noite. Mesmo assim saiu em mangas de camisa e sentou-se no degrau mais próximo.
Deixou que o frio entrasse de mansinho por entre as frestas da sua camisa. Fechou os olhos e gozou um breve arrepio.
Olhou o céu e viu-o estrelado. A lua estava cheia. Um corvo tapou-a por instantes. Grasnou alto. Uma gargalhada pensou ele sorrindo.
As folhas das árvores que o circundavam murmuravam histórias inconfessáveis, daquelas que poderiam assustar os mais incautos.
Ele tentou escutá-las com a atenção devida.
Quando se sentiu preparado tirou o cigarro do bolso da camisa, acendeu-o e sacou uma passa longa e lenta.
À medida que o fumo ia saindo da sua boca encheu-se de novas vontades e por ali ficou sorrindo à lua e deixando que o frio lhe aquecesse a alma.
Pelo menos até que o cigarro se extinguisse…

À chuva...

Que bom seria se todas as chuvas fossem assim...

Ouvindo a Banda Desenhada

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Uma Aventura...

Será que esta senhora,


vai aproveitar para reescrever esta história?

A esperança é vermelha


Depois de mais esta noite europeia a esperança reforça-se e passa a ser em VERMELHO VIVO!

Saramago e a Bíblia

De repente lembrei-me, será que o Saramago não se estava a referir a esta bíblia?



Sinceramente espero que não...

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Meio século de ouro


Estes nossos amigos estão quase, quase a festejar 50 anos. Esta noite, daqui a muito pouco, será lançado um novo livro que pretende, exactamente, assinalar essa data.
Como tudo na vida há quem esteja muito satisfeito e outro nem por isso.
Susceptibilidades...

In my life...

...fico contente por haver momentos como este:

josé sérgio fausto

É já amanhã que estes três senhores se juntam para nos agradar.

De entre as muitas canções que lá irão surgir, esta deve ser uma que não irá faltar:

terça-feira, 20 de outubro de 2009

deuses com pés de barro


«Lisboa, 20 Out (Lusa) - O eurodeputado social-democrata Mário David exortou hoje o escritor José Saramago a renunciar à cidadania portuguesa por se sentir "envergonhado" com as recentes declarações do Nobel da Literatura sobre a Bíblia.
(...)
"Tenho vergonha de o ter como compatriota! Ou julga que, a coberto da liberdade de expressão, se lhe aceitam todas as imbecilidades e impropérios?", questiona o eurodeputado»


Se for contra este tipo de deuses que Saramago se levanta, então tem todo o meu apoio.

Ícones do século XX (39)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Um mau costume ?


"Bíblia é manual de maus costumes", diz o escritor José Saramago

Saramago continua a dar importância superlativa ao deus de quem tanto desdenha. Desunha-se para lhe provar a inexistência e, no entanto, adora-o.
Sem ele e os que o seguem, Saramago não poderia polemizar, não poderia especular, não poderia, quase, falar.
Saramago mais não é, então, que um discípulo rebelde, que entende negar, e mais que isso, renegar, um deus que condena por ser arbitrário, calão, vingativo, cruel, um deus, afinal, tão próximo dos homens que, dizem, criou à sua imagem.
É claro que Saramago tem toda a liberdade para achar tais coisas, para as escrever e afirmar.
Sou daqueles que lhe admira a prosa e considera que alguns dos seus livros são das melhores coisas que têm surgido nos últimos anos nas letras portuguesas.
O que me chateia é que ele ache que a bíblia devia ser banida das casas onde as crianças lhe podem chegar.
Então amigo José, agora defende, como outros já fizeram, a censura? Atrevo-me a dizer, defende que haja livros que merecem a fogueira?
Isso já não me parece muito certo, até porque a ler poderemos apreender aquilo que de bom e de mau existe neste nosso mundo e tirar as ilações que acharmos convenientes.
Não sejamos cegos e não queiramos tornar os outros cegos, como muito bem demonstrou no seu Ensaio.

Das palavras


Procurei seduzir as palavras para que viessem comigo.
Não é tarefa fácil, elas estão espalhadas por muitos lados, deixam-se levar por muita gente e nem sempre com as melhores intenções.
Gosto de as ter comigo, não para guardá-las, mas para as partilhar, para as mostrar de maneiras agradáveis.
Gosto de brincar com elas, soltá-las ao vento e vê-las voar com sentido.
Desmontá-las e voltar a montá-las, pequenas peças de um lego que maravilha o construtor de ocasião.
São fugidias aquelas que procuro. Mal lhes pego fogem-me por entre os dedos, rápidas, muitas vezes não volto a encontrá-las. Outras há que são mais dóceis e que se deixam ficar e então fico a olhá-las e acho-os bonitas, prazenteiras.
De qualquer forma nunca as guardo por muito tempo. Há que saber libertá-las, porque só assim farão sentido, só assim serão úteis.
As palavras, quando livres, sabem procurar quem lhes dará bom uso.