quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Maitê é tuga!


Que histeria que anda aí por causa disto.
Por isso, pergunto-me e pergunto-lhes, se não são os portugueses os primeiros a dizer mal da sua terra, dos seus costumes ancestrais que acham bacocos e ultrapassados?
Não são os portugueses os primeiros a acolher de braços abertos tudo o que vem do estrangeiro e sobretudo do Brasil, esse país irmão, que nos vem carregando com novelas desde há mais de 30 anos?
Não são os portugueses a desdenhar da sua História, não sabendo a razão da comemoração de datas como o 1º de Dezembro, o 5 de Outubro e até o 25 de Abril?
Não são os portugueses que atiram, indiscriminadamente, papéis, plásticos, beatas, para o meio da rua?
Não são os portugueses que cospem para o chão?
Então porque será este alarido todo à volta de uma tolice que Maitê Proença filmou há dois anos atrás?
Porque é falsa? Porque é bonita? Porque é tola? Ou simplesmente porque é brasileira?
Quem não se sente, diz o povo, não é filho de boa gente, mas, por amor à nossa terra, não sejam mais papistas que o papa, saibam rir de si próprios ou então, pura e simplesmente, não dêem importância a coisas que não a merecem e preocupem-se em tornar este país melhor, para que nenhuma outra Maitê tenha hipóteses de repetir a graça!

Ícones do século XX (37)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

I remember that...

Às vezes parece que nos enganamos no caminho. Falta-nos tempo para percebermos onde os nossos passos nos levam e depois pode ser tarde para recuarmos, para darmos oportunidade às oportunidades que perdemos.
Lamentamo-nos, claro que sim.
Perpetuamos uma dor que de tanto doer se torna nossa amiga e passa a fazer parte de nós, como o braço amputado que continua a latejar mesmo depois de já ter ido.
E seguimos em frente, num outro caminho, ou no mesmo, mas com outros olhos e tentamos apagar os sentidos que ainda nos contradizem.
No entanto há uma força poderosa que nos faz ser gente, ter emoções e vida. Chama-se memória e a esta só podemos agradecer por existir e nos fazer companhia, porque com ela conseguimos, no mínimo, redimir alguns pedaços de nós que foram ficando espalhados algures noutros tempos.
Será pouco, dirão os que vivem a correr. Será, concedo. Mas é muito, quase tudo, para quem sabe que se pode enganar e que o caminho só se faz caminhando para a frente e olhando para todos os lados e para trás também, quando isso é a ponte para que os dias sejam mais luminosos.
Como diz uma das canções mais bonitas que conheço, I REMEMBER THAT…


Os Marretas

Isto sim, era televisão!

Os patos autárquicos


A mim fazem-me impressão as casas que não têm alma. Aquelas casas que parecem razoavelmente habitáveis por fora, algumas até por dentro, mas que são nada. São apenas sítios onde vivem algumas pessoas, que entram e saem, almoçam e jantam, dormem e vêem televisão, mas não têm nada mais. Falta-lhes emoção, falta-lhes capacidade para serem.
Gosto daquelas casas em que sentimos a vida pulsar, mesmo que estejam vazias. São as casas que têm histórias, que viveram e souberam viver, cujas paredes têm ouvidos e sobretudo vozes.
São essas as casas que souberam acolher e acarinhar os seus habitantes, que escolheram quem nelas viveu, são casas que pensam e nos fazem pensar.
São essas as casas que fazem as verdadeiras cidades, as necessárias para que uma cidade, uma vila, uma aldeia, possam ser verdadeiras, mesmo que sejam fantasmas. Porque as outras, aquelas que são construídas em série, mais não são que prisões às quais nos condenam alguns poderes (há muito) estabelecidos.
Creio que, no último domingo, perdemos, mais uma vez, uma boa oportunidade para mudar isso.

Lisboa das pessoas...


Agora espero que Lisboa volte para as pessoas, para aquelas que a sentem como algo vivo, que se mexe, que nos mexe, cujo coração palpita e que merece ruas cheias de gente, de gente que gosta de as percorrer, parar, observar e deixar enredar pela(s) história(s)que a cidade nos pode ajudar a viver.
Estou farto de ver Lisboa escura, morta, vazia. Estou farto de ver Lisboa chorar, carpir mágoas velhas de muitos decénios e ficar, tal como tem estado, a sonhar com avenidas que desagúem pessoas, as pessoas que a devem e querem fazer.
Tragam as lojas para a rua, tragam os cinemas para a rua, abram as praças e pintem os jardins. Que o betão seja ligeiro e que os tão modernos shopping centers passem a ser só memórias de um tempo em que a cidade se fechava por não se conseguir olhar no espelho.
Deixem que Lisboa se volte a descobrir e possa, finalmente, rever-se na sua plenitude.
Devolvam-na às pessoas!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Tommy in Woodstock

Do fundo da História, quando 40 anos passaram sobre festa de Woodstock, continua a ser um prazer ouvir as músicas que fizeram de Tommy a primeira grande ópera em tons de rock, pelas mãos daqueles que lhe deram alma:

Antes de Maomé

Antes de se chamar Yussuf Islam, quando os setenta começavam a despontar, Cat Stevens cantava esta canção que, ainda hoje, me convence que o senhor sabia fazer coisas bem engraçadas...

50 anos irredutíveis

Bonita esta homenagem a um símbolo da França que, na verdade, simboliza tudo aquilo que nós, independentemente do país, gostaríamos que tivesse sido a nossa infância. Um recheio de aventuras divertidas e sábias, capazes de nos transportarem a lugares únicos que, só aqueles que as partilharam, têm capacidade de reviver.

Obrigado Uderzo, obrigado Goscinny!

Ícones do século XX (36)

A ler com (toda) atenção


Já aqui o disse, agora repito-o ainda com mais convicção. Neste sitio estão os melhores textos de toda a blogosfera.
Duros, frios, às vezes quase crús, mas de uma beleza penetrante e enorme. Não deixem de ler esta senhora porque ela sabe o que diz e, sobretudo, como diz.

domingo, 11 de outubro de 2009

Oeiras City


E nestas eleições a cobóiada continua...

Ermelo City


No DN:

«Marido de candidata morto junto de assembleia de voto

"Houve troca de tiros entre o candidato do PS [à freguesia de Ermelo, António Cunha,] e o marido da senhora presidente e candidata do PSD ao mesmo cargo e há um que cai. O candidato do PS é que vitimou o marido da presidente", disse Alexandre Chaves.
(...)
"O homicida agiu em legítima defesa e ficou inclusivamente ferido. A vítima esperou-o mesmo antes de abrirem as urnas, pelas 07:35, e disparou e o outro [candidato do PS] reagiu", afirmou o candidato socialista à autarquia de Mondim de Basto, Humberto Cerqueira.»


Nem tu, John Wayne, farias melhor!

sábado, 10 de outubro de 2009

histórias de Rosa Branca


XIV

À porta de sua casa a velha Efigénia olhava a correria que, naquela manhã, não parava em direcção à Praça.
Apesar de não se sentir surpreendida, Efigénia nunca vira nada assim. Recordou então os momentos em que Alberto Perestrelo lhe confidenciara que acontecimentos viriam que mudariam a face de Rosa Branca.
Na verdade nunca acreditara nas previsões do seu primo Alberto, embora sempre lhe adivinhasse uma convicção fora do vulgar.
Hoje Jordão tentava provar-lhe, a ela e a todos os outros, que o seu avô não era apenas um lunático sonhador.
Efigénia decidiu então sair. Fechou a porta de casa e contra o seu hábito de sempre, resolveu trancá-la.
Fez-se então ao caminho. Voltou as costas à Praça e dirigiu-se para a estrada que a levava para fora de Rosa Branca. Um leve sorriso assomou-se ao seu rosto. Ela sabia que a verdadeira proeza não iria acontecer na Praça.


(continuará)

desaguamentos



Todas as casas verdadeiras desaguam em mares profundamente serenos.