
Desde há muito tempo que se fala de conflito de gerações, sendo que, muito sinceramente, nunca entendi muito bem do que se tratava.
Por aquilo que me vou apercebendo, enquanto a minha geração vai envelhecendo, trata-se de um conflito de interesses, de vontades, de formas de pensar e fazer. Mas isso não é, só, geracional; é local, regional, pessoal, sectorial, individual, por aí fora…
É claro que há sons, imagens, locais, cheiros, que pertencem mais a um certo tempo, eventualmente, a um certo espaço, mas não gosto de embarcar, embora o faça muitas vezes, naquele velho refrão que diz,
No meu tempo era que era. Primeiro que tudo por que cada geração tem mais que um tempo, tem todos os tempos que vive e que se prolongam por várias idades, já que, em concreto, também não faço ideia de quantos anos se compõe uma geração. Sei que há gostos que surgem, se desenvolvem e se emancipam numa determinada altura, mas, graças, não se confinam aí. Se valerem a pena hão-de continuar e na pior das hipóteses, perpetuar-se sempre que alguém gostar deles. Por isso não me parece curial a apropriação que algumas gerações fazem de certos ícones populares, sejam eles músicas/os, livros, pinturas, o que for. Eu, por exemplo, mal sabia ler quando os Beatles se separaram e não é por isso que os acho de uma geração anterior à minha, creio mesmo que são de todas as gerações, mais que não fosse, porque o que é eterno nos pertence a todos. Mas outras coisas menos, aparentemente, evidentes, como a música dos anos 80, aquela que dizem ser a da minha geração, é algo que, no imediato, associo a momentos agradavelmente vividos,
ao meu tempo, no fundo aquele tempo em que a única responsabilidade séria que tinha era saber quantas cervejas conseguia beber antes de ficar incapaz de distinguir o rosto que estava à minha frente, mas, mesmo assim, esse tempo não é património das pessoas da minha idade, embora, todos nós, incluindo eu, assim o achemos.
No fundo o que quero dizer, é que não acredito no conflito de gerações, simplesmente porque não sei o que é uma geração. Acredito, sim, no conflito de interesses, de gostos, de posturas, de vontades, e isso, creio, é inter-geracional.
Agora que os putos de hoje são irritantes, ah, isso é indiscutível!