terça-feira, 22 de setembro de 2009

Novas cores

Já começaram a cair,

é agora o tempo em que descobrimos as gotas de água, em que a sombra se vai tornando maior, mas é, também, o tempo em que o sol fica próximo dos momentos mais bonitos.
Benvinda estação dourada...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Ícones do século XX (32)

histórias de Rosa Branca


XII


Quando Rosa Branca mais não era que um breve corredor de casas sem nome, dizem que um anjo a visitou e nela depositou uma singela rosa branca que floriu em milhares de outras irmãs, tornando a primavera daquele lugar cheia de uma alvura deslumbrante. Nenhuma outra cor se atreveria, depois disso, a espreitar. A primavera daquele lugar era mantida por enormes extensões de campos brancos, numa simulada neve sobrevoada por enxames de abelhas sedentas do néctar único das rosas brancas.
É óbvio que a ninguém espanta que tal lugarejo acolhesse o nome, pouco comum, de Rosa Branca. Tal como natural passou a ser que visitantes a ele acorressem para testemunhar tão insólito fenómeno.
Assim foi acontecendo, entrando numa normalidade que se tornou entediante, até aquele dia, em que uma rosa vermelha ousou espreitar por entre as irmãs albinas. Desde esse dia que acontecimentos estranhos vinham sucedendo quando a intrusa rubra se atrevia a surgir.
Há já alguns anos que nenhuma mancha encarnada se via por aquelas bandas. Os habitantes de Rosa Branca vinham ficando mais descansados. Alguns afirmavam mesmo que a normalidade tinha voltado para ficar.
Foi, por isso, com verdadeira apreensão que, naquela primavera, viram surgir um campo inteiro de rosas vermelhas.
Mau agouro, mau sinal, o que nos irá acontecer, pensaram.
Jordão Perestrelo conseguia vê-las neste momento e, embora não o tivesse confessado a ninguém, sabia que este era um sinal, indubitável, de que a sua sina se iria cumprir naquele dia.


(continuará)

sábado, 19 de setembro de 2009

A arte do nojo


Diz Paula Rego que “Fazer arte é um nojo”!
Vi esta afirmação como título de uma reportagem na revista Visão. Não li a entrevista, não sei o contexto, não conheço, obviamente, a completa amplitude da afirmação.
Mas percebi, imediatamente, que é esse o sentimento que me assola quando me deparo com arte que esta senhora produz. Nojo.
Não no sentido comum da palavra. Não creio que não saiba pintar, nem que a sua técnica seja má, nem que os seus os quadros não tenham qualidade. Pelo menos os que se dizem conhecedores da matéria apreciam-nos bastante.
Mas entendi o que ela quis, talvez, explicar. Ou seja, tudo o que pinta, tudo o que põe na tela, tudo o que vê e transmite, está imbuído de sensações de nojo.
É também isso que, à flor da pele, sinto quando vejo as suas obras. Uma repelente sensação de nojo, de repulsa, de fealdade, que não consigo suportar.
Mas não será isso também uma forma legitima de fazer arte?

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Reviver


Quando abriu os olhos não reconheceu a luz que o banhava. Qualquer coisa nova, desconhecida, lhe tolhia os movimentos. Ficou, por isso, parado a tentar perceber o que o rodeava. Apesar do desconhecimento, havia naquele lugar algo que não lhe era completamente estranho.
Quando alguém lhe tocou, sentiu um frio que imediatamente lhe percorreu todo o corpo. Percebeu que se podia mover. Levantou-se devagar. Olhou em volta. O mundo girava outra vez e aparentemente ninguém s e tinha apercebido que ele tinha surgido do nada.
Começou a caminhar lentamente, tentando manter o equilíbrio. Quando as pernas lhe começaram a obedecer sem receio, atreveu-se mesmo a correr.
Naquele momento percebeu que tinha voltado a ser. E mesmo que à sua volta tudo se parecesse com um dia vulgar, ele teve a certeza que era possível reviver, mesmo que para isso tivesse que cortar o fio do tempo e passar para o outro lado do espelho.
Abriu por isso a pequena caixa que ainda trazia consigo, soltou aquilo que nela guardava e deitou-a fora.
Tal como ouvira muitos anos antes numa canção, tinha agora uma sensação inabalável, a liberdade está a passar por aqui

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Os corvos


Quando os corvos se aproximaram, o vento amainou e o mar tornou-se chão. Há dias que vogava sem rumo, não que se importasse muito com isso, sabia que o seu destino estava traçado e que nada, nem ninguém, o poderia alterar.
Sentia-se só, embora isso fosse comum no passar dos seus dias. No entanto, nos últimos tempos, custava-lhe mais. Apesar da sua solidão gostava de conversar e não o fazia vezes suficientes.
Quando viu os corvos sorriu. As pessoas não sabem mas os corvos são grandes conversadores. Tornaram-se amigos.
Foi por isso que, quando Vicente percebeu que tinha chegado a sua hora, foram os seus amigos corvos que conduziram a embarcação até à cidade que tinha escolhido para abraçar.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Millenium


Virei-lhes a última página.
Ali deixei Lisbeth e Mikael.
Fiquei-lhes avidamente preso por muitos dias, agradavelmente enredado.
Agora sinto um gigantesco síndrome de privação.
No entanto...
O filme já anda por aí!

Ícones do século XX (31)

As mais bonitas canções


Já se podem voltar ouvir as canções mais bonitas!
Os Prefab Sprout estão de volta.
Ouçamo-los com a devida vénia e com toda a atenção.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Encruzilhadas


Às vezes olhamos para a frente e deparamo-nos com tantos caminhos, caminhos que têm nomes desenhados, que têm seguidores já escolhidos e cansamo-nos a procurar aquele que nos é destinado. Furiosamente fatigados concluímos que os fazedores de caminhos se esqueceram de nós.
É então nessa encruzilhada imensa que somos postos, definitivamente, à prova. Que caminho seguir? Onde estarão as pedras que nos guiarão ao destino certo?
Compreendemos nessa altura que, afinal, não há caminhos previamente marcados, eles só surgem, verdadeiramente, quando abrimos os olhos e damos conta que a estrada se vai desimpedindo à medida que colocamos um pé á frente do outro.
É isso que vou tentando fazer, nunca esquecendo que só assim as surpresas podem, realmente, surpreender!

Afinal ainda é O GRANDE!!!


No meio de azáfamas várias, não quiz deixar de vir dar aqui só um saltinho para deixar esta nota que vi agora:

«Benfica é o nono maior clube europeu do séc. XX

O Benfica surge na nona posição no ranking Clube Europeu do Século divulgado, esta quinta-feira, pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS), encabeçado pelo Real Madrid(...).
O FC Porto é o segundo clube português a surgir na lista da IFFHS composta por 200 emblemas, ocupando o 29.º lugar, enquanto o Sporting surge no 47.º posto.(...)»

Só para ver se alguns papagaios se calam de vez...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Até já

NÃO!
Este blog não fechou.
Está quase, quase de volta.
Até já...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O Pinto anda irritado


No JN:

«Repórter-fotográfico do JN atropelado por motorista de Pinto da Costa

Um repórter-fotográfico do Jornal de Notícias foi hoje, terça-feira, atropelado pelo automóvel que transportava Pinto da Costa, à saída do tribunal de São João Novo. A viatura não parou após o acidente, mesmo depois de um agente da polícia ter batido com a mão no tejadilho do carro. O motorista não obedeceu.(...)»


Pelos vistos já não lhes basta atropelar a justiça no futebol. Ter uns quantos guardas Abéis que vão aplicando as sentenças que vai ditando. Dar umas sacudidelas aos seus próprios jogadores que prometem dizer umas quantas verdades. Agora o Pinto intocável também já lança o automóvel para cima de jornalistas e ninguém lhe diz nada?
E a impunidade continua a vingar!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Afirmações definitivas...


A Lisbeth Salander é a melhor anti-heroína de toda a História da Literatura!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Silly Season


Apesar daquilo que usualmente lhe chamam, não creio que esta época seja mais tola que qualquer outra, pelo menos nestes tempos que vão correndo, tão próprios das gentes que procuram protagonismo pelas mais fúteis razões.
Na silly season deste ano não aconteceu mais do que aquilo que se podia esperar. As tolas e os tolos que se enchem de notícias rosadas, continuaram a fazê-lo, assim como os outros foram fazendo aquilo que costumam fazer.
Apetece-me, no entanto, falar de dois acontecimentos que já foram, aliás, alvo de muito destaque.
Primeiro o silly mais silly! A badalada substituição (por uns moços aparentemente saídos de um filme de ficção cientifica) da bandeira do Município de Lisboa, pelo estandarte usado pelos monárquicos portugueses (pelo menos por alguns). Já correu muita tinta sobre esta coisa, por isso, resta-me dizer que não me parece que tenha servido para ajudar a causa e que, como piada, pouco acrescentaria ao famoso livro do António Sala.

O segundo acontecimento, pelo contrário, é realmente importante. Primeiro porque se trata de alguém que tem graça a sério! De alguém que, todos, gostamos, respeitamos, admiramos e que não nos prende com facilidades ocas e fúteis, mas antes com um carinho do tamanho do mundo, com um humor que nos cola um sorriso permanente e nos expressa um desejo que todos devíamos cumprir.
Pelo meu lado vou tentar ser feliz, por ele e por todos aqueles que acreditam que o mundo é um local de comunhão e realização pessoal em que nunca teremos que subir a varandas mascarados para afirmarmos a nossa vontade de felicidade!