E agora começam as férias...
Boas férias, num novo tempo!
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Sala Escura

O cinema só faz sentido na sala grande e escura, que tanto pode ser dentro dum edifício, como, de preferência, ao ar livre. Num espaço amplo onde só a estrelas conseguem iluminar aqueles momentos únicos em que olhamos o ecrã grande, quando nos deixamos afundar pelos sentidos, pelas imagens, os sons e os sentimentos que fazem do cinema uma tão grande arte, uma tão imensa forma de nos vermos a nós próprios, de nos contentarmos, animarmos, rirmos e emocionarmos.
Fica por aqui esta sala escura, uma sala onde o céu está descoberto. Despedimo-nos embalados por um dos mais tocantes filmes de todos os tempos. Olhando a praça onde Totó nos vai fazendo sorrir, acompanhando Alfredo e Salvatore num paraíso chamado cinema, sonhando com o dia em que Lisboa possa, também ela, conter em si estas estrelas iluminadas que nos indicam o caminho para todas as salas escuras onde a vida se vive com um brilhozinho nos olhos.
Bom fim de semana!
E boas férias!
quinta-feira, 30 de julho de 2009
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Eterno retorno

Creio que em cada um de nós permanece, latente, a ideia de retorno. Um retorno à infância, a momentos bons, a odores que enternecem, a sorrisos que aquecem, a confortos que não se esquecem.
Há quem lhe chame saudades, há quem a viva como uma nostalgia doce, embora melancólica, há quem pouco a visite, há também quem a evite. Mas ela permanece. Às vezes evidente, outras espreitando oportunidades para se mostrar.
Eu reconheço-a. Num constante vaivém de emoções, nos dias que se sucedem imparáveis, lestos, que não deixam espaço para paragens. Consigo vê-la à minha volta, mostrando-me imagens, sons e gestos que vou reconhecendo, que vou relembrando, que vou acarinhando.
Creio que esta ideia de retorno, de eterno retorno, não é, afinal, mais que o caminho que nos vai conduzindo ao local a que chamamos casa, ou seja, a nós próprios!
terça-feira, 28 de julho de 2009
segunda-feira, 27 de julho de 2009
A ilha das laranjas podres

No Público de ontem:
«Madeira: tiros abatem zeppelin preparado pelo PND para sobrevoar Chão da Lagoa
O zeppelin, preparado pelo PND para sobrevoar o Chão da Lagoa, na Madeira, foi hoje abatido a tiro, quando estava a ser preparada a sua partida a mil metros de distância da festa do PSD.(…)»
Na ilha daquele senhor anafado que prima pela boa edução, continuam a acontecer fenómenos estranhos…
Aquele pedaço de terra que, até há bem pouco tempo, tinha muitas semelhanças com uma espécie de república das bananas, está, cada vez mais, transformado numa monarquia das laranjas. O problema é que estas, talvez devido ao seu carácter ácido, estão a ficar, definitivamente, podres!
Como dizia um amigo meu há algum anos atrás: e não há ninguém que abra o ralo daquela coisa!
sexta-feira, 24 de julho de 2009
O Alfa novo-rico

Quando surgiu trazia consigo assim como uns ares de coisa de novo-rico. Tantas salas num espaço que se queria inovador e diferente, mas que, no fundo, pouco ou nada acrescentava à arte de bem ver (e viver) cinema. Essas várias salas eram umas grandes e outras nem tanto, chegando, uma delas, a não ser mais que uma sala de estar cheia de cadeiras.
Teve um sucesso quase instantâneo, os Alfas eram um must, um multiplex avant la lettre, pelo menos nesta cidade à procura de novos tempos. Só que, afinal, os novos tempos vieram mesmo e o novo-riquismo acentuou-se, refinou-se e tornou-se ainda mais insuportável. Os Alfas começaram a encher-se de gente que, na verdade, não queria ver cinema, e depressa começou a definhar. Já acabou, hoje, naquele sítio, ergue-se um condomínio de algum luxo, ou seja, continua o novo-riquismo bacoco e provinciano. Quase apetece citar a antiga cantiga: Lisboa não sejas francesa, tu és portuguesa, tu és só para nós…
Bom fim de semana!
24 de Julho
quinta-feira, 23 de julho de 2009
We Let the Stars Go
Let's Change the World with Music, assim se irá chamar o aguardado. E não foi isso que eles sempre fizeram? Como aqui, nesta tão bonita canção:
histórias de Rosa Branca

XI
Santiago já não via a luz do sol há vários dias. Praticamente nem dormia. Fervilhava de emoção.
Estava fechado na sua enorme cave, o seu local de eleição, de onde só saia para dormir. Mas, há cerca de três dias, nem isso acontecia.
Tinham-no avisado do que iria acontecer hoje, tinham-lhe dito que Jordão iria tentar.
Mas Santiago nem os tinha ouvido. Apesar de ser um dos mais chegados amigos de Jordão, provavelmente o único verdadeiro amigo.
Naquela manhã Santiago pensava estar à beira de sua grande descoberta, estava certo que iria chegar à solução do problema que trazia consigo há já tanto tempo.
À sua volta os tubos de ensaio cheios de líquidos multicores, fervendo aqui e ali, exalando cheiros peculiares, faziam daquela imensa sala uma espécie de laboratório alquímico. No fundo era isso que Santiago almejava conseguir. Os segredos mais profundos de alquimias seculares. E hoje, pensava, era o dia certo para o sucesso.
Foi por isso que não ouviu a porta abrir-se e não reparou em quem entrava, nem mesmo quando o intruso lhe dirigiu a palavra:
- Santiago, este é o momento de parar…
(continuará)
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