sexta-feira, 24 de julho de 2009
quinta-feira, 23 de julho de 2009
We Let the Stars Go
Let's Change the World with Music, assim se irá chamar o aguardado. E não foi isso que eles sempre fizeram? Como aqui, nesta tão bonita canção:
histórias de Rosa Branca

XI
Santiago já não via a luz do sol há vários dias. Praticamente nem dormia. Fervilhava de emoção.
Estava fechado na sua enorme cave, o seu local de eleição, de onde só saia para dormir. Mas, há cerca de três dias, nem isso acontecia.
Tinham-no avisado do que iria acontecer hoje, tinham-lhe dito que Jordão iria tentar.
Mas Santiago nem os tinha ouvido. Apesar de ser um dos mais chegados amigos de Jordão, provavelmente o único verdadeiro amigo.
Naquela manhã Santiago pensava estar à beira de sua grande descoberta, estava certo que iria chegar à solução do problema que trazia consigo há já tanto tempo.
À sua volta os tubos de ensaio cheios de líquidos multicores, fervendo aqui e ali, exalando cheiros peculiares, faziam daquela imensa sala uma espécie de laboratório alquímico. No fundo era isso que Santiago almejava conseguir. Os segredos mais profundos de alquimias seculares. E hoje, pensava, era o dia certo para o sucesso.
Foi por isso que não ouviu a porta abrir-se e não reparou em quem entrava, nem mesmo quando o intruso lhe dirigiu a palavra:
- Santiago, este é o momento de parar…
(continuará)
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Eclipse
Ícones do século XX (23)
terça-feira, 21 de julho de 2009
Sous les pavés la plage
histórias de Rosa Branca

X
Violeta nunca parava. Violeta vasculhava tudo o que mexesse, ou que ameaçasse mexer, o jornalismo estava-lhe no sangue, herdara-o de seu pai, Gustavo. Herdara igualmente o único jornal que informava convenientemente os habitantes de Rosa Branca. O Clarim tinha sido sempre uma voz livre e independente. Nunca agradara a gregos nem a troianos, apenas os livres de espírito se sentiam recompensados pela sua leitura.
Naquele dia Violeta rondava a Praça Central. O que estava prestes a acontecer não era o que mais lhe interessava. Já conhecia Jordão de outras histórias e não era a loucura que ele tinha imaginado para hoje que a motivava. Violeta procurava, por entre os rostos daquela multidão, um em particular. Mas há horas que por ali estava e não o encontrava.
Olhou para o casarão e viu sua irmã Olívia a espreitar por detrás das portadas.
Havia qualquer coisa no ar, Violeta sentia-o nitidamente.
Foi então que reparou em Jerónimo Navarra parado na entrada do seu café, viu como o seu rosto se transfigurava e pensou: é agora!
(continuará)
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Certezas
Há uma idade em que só temos certezas absolutas. Percorremos o caminho sem olhar para os lados, sem ouvirmos ninguém, sem sequer nos vermos ao espelho.
Com o passar dos anos as perguntas começam a assaltar-nos, os escolhos saem-nos ao caminho quando menos esperamos e chegamos ao tempo em que a única certeza é a das dúvidas que não nos largam.
A minha idade das certezas já passou há muito, ficou lá pelos anos 70, desde aí que convivo, e bem, com as minhas dúvidas, não consigo, aliás, viver sem elas. São elas que me ajudam a saber olhar em frente, ao mesmo tempo que vou mirando todos os cantos à minha volta, são elas que me vão permitindo fazer escolhas, acertar e errar, subir e descer, rir e até chorar.
No entanto, daquele tempo das certezas inabaláveis, mantenho uma, que cimentei hoje mais um bocadinho. É que, mesmo depois de ouvir muitos milhares de novas músicas, canções, melodias e delas tanto gostar, mantenho uma absolutidade, estes senhores que espreito aqui em baixo são, de certezinha, os melhores, mesmo quando, como aqui, já o mago Gabriel tinha expressado todas as suas dúvidas e tinha ido construir maravilhas para outro lado.
Vejam-nos e ouçam-nos com atenção.
Advirto, no entanto, que se não forem admiradores confessos e acharem que não têm dúvidas quanto a isso, não vale a pena o esforço. Fiquem-se pelas vossas certezas…
Com o passar dos anos as perguntas começam a assaltar-nos, os escolhos saem-nos ao caminho quando menos esperamos e chegamos ao tempo em que a única certeza é a das dúvidas que não nos largam.
A minha idade das certezas já passou há muito, ficou lá pelos anos 70, desde aí que convivo, e bem, com as minhas dúvidas, não consigo, aliás, viver sem elas. São elas que me ajudam a saber olhar em frente, ao mesmo tempo que vou mirando todos os cantos à minha volta, são elas que me vão permitindo fazer escolhas, acertar e errar, subir e descer, rir e até chorar.
No entanto, daquele tempo das certezas inabaláveis, mantenho uma, que cimentei hoje mais um bocadinho. É que, mesmo depois de ouvir muitos milhares de novas músicas, canções, melodias e delas tanto gostar, mantenho uma absolutidade, estes senhores que espreito aqui em baixo são, de certezinha, os melhores, mesmo quando, como aqui, já o mago Gabriel tinha expressado todas as suas dúvidas e tinha ido construir maravilhas para outro lado.
Vejam-nos e ouçam-nos com atenção.
Advirto, no entanto, que se não forem admiradores confessos e acharem que não têm dúvidas quanto a isso, não vale a pena o esforço. Fiquem-se pelas vossas certezas…
Os poleiros

Devemos acreditar neles, nas suas boas vontades, nas suas convicções enquanto homens de estado, dedicados à causa pública, com uma verdadeira e honesta vontade de ajudar, de fazer o melhor pelos seus conterrâneos, sem ganhar mais do aquilo que a justeza dos seus serviços lhes outorgar?
Devemos crer que dão o seu melhor independentemente dos ganhos pecuniários? Devemos acreditar nas suas, aparentes, convicções? Devemos aceitá-los como pessoas de bem e escolhê-los para regerem as nossas vidas? Elegê-los como nossos representantes? Dar-lhes a oportunidade de nos guiarem, de nos mostrarem os caminhos, de nos direccionarem?
Ou será que isso é apenas uma quimera e que, na verdade, todos se chamam Isaltino, ou Valentim, ou Fátima, ou Arlindo, ou Manuel Dias?
Até onde, até quando, nos deixaremos levar por uma escumalha que tem no egoísmo e no egocentrismo a sua única motivação?
Às vezes apetece mesmo fazer aquilo que os anarcas proclamavam há uns anos atrás e, nas próximas eleições, votar no galo de Barcelos!!!!
A lua deixou a órbitra terrestre
histórias de Rosa Branca

IX
Não sabia bem como, mas sentia-se impelido a ir. Havia uma força maior que ele a empurrá-lo, uma força que não lhe dava tréguas e que o mantinha num estado de alerta constante.
Queria tê-la afastado, afastá-la-ia se pudesse. Mas sentia-se incapaz disso.
As imagens que sempre o acompanharam, voltavam agora mais fortes, mais nítidas e, mesmo sem o querer, sabia que não havia outro caminho.
Tinham passado muitos anos, talvez anos de mais e agora, apesar da contradição permanente em que vivia, tudo se estava a tornar mais claro e sabia que a única direcção a tomar o levava a Rosa Branca.
Tentou serenar-se enquanto a resolução definitiva lhe ia fazendo já o caminho.
Sentou-se a olhar o infinito e fechando os olhos reviu, mais uma vez, todos os momentos que tanto quisera esquecer.
No dia seguinte abriu a porta de casa sabendo que, provavelmente, não voltaria a franqueá-la, pelo menos tal como hoje dali saía.
O caminho era longo, muito mais longo que apenas a distância terrena.
Sabia que iria fazer os últimos quilómetros a pé. Sabia que era assim que teria de entrar em Rosa Branca, exactamente como de lá saíra há já tanto tempo.
Também sabia que seriam vários os que por ele esperavam e que o seu regresso não seria uma surpresa, mas antes uma certeza.
Fez-se, então, ao caminho…
(continuará)
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