quinta-feira, 23 de julho de 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Eclipse
Ícones do século XX (23)
terça-feira, 21 de julho de 2009
Sous les pavés la plage
histórias de Rosa Branca

X
Violeta nunca parava. Violeta vasculhava tudo o que mexesse, ou que ameaçasse mexer, o jornalismo estava-lhe no sangue, herdara-o de seu pai, Gustavo. Herdara igualmente o único jornal que informava convenientemente os habitantes de Rosa Branca. O Clarim tinha sido sempre uma voz livre e independente. Nunca agradara a gregos nem a troianos, apenas os livres de espírito se sentiam recompensados pela sua leitura.
Naquele dia Violeta rondava a Praça Central. O que estava prestes a acontecer não era o que mais lhe interessava. Já conhecia Jordão de outras histórias e não era a loucura que ele tinha imaginado para hoje que a motivava. Violeta procurava, por entre os rostos daquela multidão, um em particular. Mas há horas que por ali estava e não o encontrava.
Olhou para o casarão e viu sua irmã Olívia a espreitar por detrás das portadas.
Havia qualquer coisa no ar, Violeta sentia-o nitidamente.
Foi então que reparou em Jerónimo Navarra parado na entrada do seu café, viu como o seu rosto se transfigurava e pensou: é agora!
(continuará)
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Certezas
Há uma idade em que só temos certezas absolutas. Percorremos o caminho sem olhar para os lados, sem ouvirmos ninguém, sem sequer nos vermos ao espelho.
Com o passar dos anos as perguntas começam a assaltar-nos, os escolhos saem-nos ao caminho quando menos esperamos e chegamos ao tempo em que a única certeza é a das dúvidas que não nos largam.
A minha idade das certezas já passou há muito, ficou lá pelos anos 70, desde aí que convivo, e bem, com as minhas dúvidas, não consigo, aliás, viver sem elas. São elas que me ajudam a saber olhar em frente, ao mesmo tempo que vou mirando todos os cantos à minha volta, são elas que me vão permitindo fazer escolhas, acertar e errar, subir e descer, rir e até chorar.
No entanto, daquele tempo das certezas inabaláveis, mantenho uma, que cimentei hoje mais um bocadinho. É que, mesmo depois de ouvir muitos milhares de novas músicas, canções, melodias e delas tanto gostar, mantenho uma absolutidade, estes senhores que espreito aqui em baixo são, de certezinha, os melhores, mesmo quando, como aqui, já o mago Gabriel tinha expressado todas as suas dúvidas e tinha ido construir maravilhas para outro lado.
Vejam-nos e ouçam-nos com atenção.
Advirto, no entanto, que se não forem admiradores confessos e acharem que não têm dúvidas quanto a isso, não vale a pena o esforço. Fiquem-se pelas vossas certezas…
Com o passar dos anos as perguntas começam a assaltar-nos, os escolhos saem-nos ao caminho quando menos esperamos e chegamos ao tempo em que a única certeza é a das dúvidas que não nos largam.
A minha idade das certezas já passou há muito, ficou lá pelos anos 70, desde aí que convivo, e bem, com as minhas dúvidas, não consigo, aliás, viver sem elas. São elas que me ajudam a saber olhar em frente, ao mesmo tempo que vou mirando todos os cantos à minha volta, são elas que me vão permitindo fazer escolhas, acertar e errar, subir e descer, rir e até chorar.
No entanto, daquele tempo das certezas inabaláveis, mantenho uma, que cimentei hoje mais um bocadinho. É que, mesmo depois de ouvir muitos milhares de novas músicas, canções, melodias e delas tanto gostar, mantenho uma absolutidade, estes senhores que espreito aqui em baixo são, de certezinha, os melhores, mesmo quando, como aqui, já o mago Gabriel tinha expressado todas as suas dúvidas e tinha ido construir maravilhas para outro lado.
Vejam-nos e ouçam-nos com atenção.
Advirto, no entanto, que se não forem admiradores confessos e acharem que não têm dúvidas quanto a isso, não vale a pena o esforço. Fiquem-se pelas vossas certezas…
Os poleiros

Devemos acreditar neles, nas suas boas vontades, nas suas convicções enquanto homens de estado, dedicados à causa pública, com uma verdadeira e honesta vontade de ajudar, de fazer o melhor pelos seus conterrâneos, sem ganhar mais do aquilo que a justeza dos seus serviços lhes outorgar?
Devemos crer que dão o seu melhor independentemente dos ganhos pecuniários? Devemos acreditar nas suas, aparentes, convicções? Devemos aceitá-los como pessoas de bem e escolhê-los para regerem as nossas vidas? Elegê-los como nossos representantes? Dar-lhes a oportunidade de nos guiarem, de nos mostrarem os caminhos, de nos direccionarem?
Ou será que isso é apenas uma quimera e que, na verdade, todos se chamam Isaltino, ou Valentim, ou Fátima, ou Arlindo, ou Manuel Dias?
Até onde, até quando, nos deixaremos levar por uma escumalha que tem no egoísmo e no egocentrismo a sua única motivação?
Às vezes apetece mesmo fazer aquilo que os anarcas proclamavam há uns anos atrás e, nas próximas eleições, votar no galo de Barcelos!!!!
A lua deixou a órbitra terrestre
histórias de Rosa Branca

IX
Não sabia bem como, mas sentia-se impelido a ir. Havia uma força maior que ele a empurrá-lo, uma força que não lhe dava tréguas e que o mantinha num estado de alerta constante.
Queria tê-la afastado, afastá-la-ia se pudesse. Mas sentia-se incapaz disso.
As imagens que sempre o acompanharam, voltavam agora mais fortes, mais nítidas e, mesmo sem o querer, sabia que não havia outro caminho.
Tinham passado muitos anos, talvez anos de mais e agora, apesar da contradição permanente em que vivia, tudo se estava a tornar mais claro e sabia que a única direcção a tomar o levava a Rosa Branca.
Tentou serenar-se enquanto a resolução definitiva lhe ia fazendo já o caminho.
Sentou-se a olhar o infinito e fechando os olhos reviu, mais uma vez, todos os momentos que tanto quisera esquecer.
No dia seguinte abriu a porta de casa sabendo que, provavelmente, não voltaria a franqueá-la, pelo menos tal como hoje dali saía.
O caminho era longo, muito mais longo que apenas a distância terrena.
Sabia que iria fazer os últimos quilómetros a pé. Sabia que era assim que teria de entrar em Rosa Branca, exactamente como de lá saíra há já tanto tempo.
Também sabia que seriam vários os que por ele esperavam e que o seu regresso não seria uma surpresa, mas antes uma certeza.
Fez-se, então, ao caminho…
(continuará)
sexta-feira, 17 de julho de 2009
A Barraca de Santos

Apesar do deserto que se abre em Lisboa durante a noite, zonas há em que se concentram grandes magotes de pessoas, sobretudo jovens, ávidas de emoções mais ou menos fortes, à procura de diversões mais ou menos diversificadas mas que, sobretudo, se vão resumindo à procura de locais para dançar, ou, na maioria dos casos, de locais para beber. Assim sucede no Bairro Alto, no Cais do Sodré, nas Docas ou na zona de Santos, onde uma fauna predominantemente imberbe, vai rondando os locais onde a noite vai embriagando os sentidos.
Por aí fica esta sala, que um dia se chamou Cinearte e era um cinema. Hoje já não é! Felizmente alguém lhe tomou as rédeas e fez daquele lugar uma outra montra de culturas.
As artes cénicas assentaram arraiais, a Barraca fez dela o seu poiso. Há alguns anos também ali se faziam uma espécie de performances musicais/humorísticas que tiveram um período de grande sucesso.
No meio das bebedeiras juvenis, no interior de um deserto nocturno em que esta cidade se vem tornando, é bom saber que nalgumas das salas escuras de outrora, a luzes ainda se acendem para as artes.
Bom fim de semana!
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