segunda-feira, 20 de julho de 2009
A lua deixou a órbitra terrestre
O Armstrong, o Aldrin e o Collins chegaram lá em 1969, mas parece que em 1999 ela se cansou dos grandes passos da Humanidade e fugiu de vez. Pelo menos foi o que eu vi na televisão...
histórias de Rosa Branca

IX
Não sabia bem como, mas sentia-se impelido a ir. Havia uma força maior que ele a empurrá-lo, uma força que não lhe dava tréguas e que o mantinha num estado de alerta constante.
Queria tê-la afastado, afastá-la-ia se pudesse. Mas sentia-se incapaz disso.
As imagens que sempre o acompanharam, voltavam agora mais fortes, mais nítidas e, mesmo sem o querer, sabia que não havia outro caminho.
Tinham passado muitos anos, talvez anos de mais e agora, apesar da contradição permanente em que vivia, tudo se estava a tornar mais claro e sabia que a única direcção a tomar o levava a Rosa Branca.
Tentou serenar-se enquanto a resolução definitiva lhe ia fazendo já o caminho.
Sentou-se a olhar o infinito e fechando os olhos reviu, mais uma vez, todos os momentos que tanto quisera esquecer.
No dia seguinte abriu a porta de casa sabendo que, provavelmente, não voltaria a franqueá-la, pelo menos tal como hoje dali saía.
O caminho era longo, muito mais longo que apenas a distância terrena.
Sabia que iria fazer os últimos quilómetros a pé. Sabia que era assim que teria de entrar em Rosa Branca, exactamente como de lá saíra há já tanto tempo.
Também sabia que seriam vários os que por ele esperavam e que o seu regresso não seria uma surpresa, mas antes uma certeza.
Fez-se, então, ao caminho…
(continuará)
sexta-feira, 17 de julho de 2009
A Barraca de Santos

Apesar do deserto que se abre em Lisboa durante a noite, zonas há em que se concentram grandes magotes de pessoas, sobretudo jovens, ávidas de emoções mais ou menos fortes, à procura de diversões mais ou menos diversificadas mas que, sobretudo, se vão resumindo à procura de locais para dançar, ou, na maioria dos casos, de locais para beber. Assim sucede no Bairro Alto, no Cais do Sodré, nas Docas ou na zona de Santos, onde uma fauna predominantemente imberbe, vai rondando os locais onde a noite vai embriagando os sentidos.
Por aí fica esta sala, que um dia se chamou Cinearte e era um cinema. Hoje já não é! Felizmente alguém lhe tomou as rédeas e fez daquele lugar uma outra montra de culturas.
As artes cénicas assentaram arraiais, a Barraca fez dela o seu poiso. Há alguns anos também ali se faziam uma espécie de performances musicais/humorísticas que tiveram um período de grande sucesso.
No meio das bebedeiras juvenis, no interior de um deserto nocturno em que esta cidade se vem tornando, é bom saber que nalgumas das salas escuras de outrora, a luzes ainda se acendem para as artes.
Bom fim de semana!
A ilha das delicias loucas

Na RTP online:
«Alberto João Jardim quer rever a Constituição e proibir o comunismo em Portugal.(...)»
Já nem percebo bem se ele diz as coisas que diz porque crê nelas, se o diz porque quer afrontar alguém, ou se, simplesmente, é mesmo imbecil!
Eu, correndo o risco de me enganar redondamente, acho que a última hipótese é a mais plausível. Só alguém completamente fora da realidade, que vive numa ilha que parece estar cristalizada numa outra dimensão, se dá ao luxo de fazer propostas como esta e como tantas outras que a sua imaginação desvairada e completamente desfocada, está sempre a engendrar.
Cá por mim, como tantas vezes tenho feito, reafirmo a necessidade, imperiosa, de lhe darmos, em definitivo, a independência. Desse modo a sua ilha, que mais não é que um brinquedo nas suas mãos, deixa de ser preocupação nossa e os que dele tanto gostam podem, de uma vez por todas, aturar e aplaudir as idiotices que esta mente alucinada não pára de cuspir.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Johnny Johnny
A menos de dois meses de distância do próximo deslumbramento, continuamos, por aqui, a celebrar a excelência das mais bonitas canções:
Rumo à Lua
Trilogia Millennium

Nas minhas, insuficientes, deambulações pelas livrarias já tinha visto estas capas. Reparei nos títulos e nas fotos que as ilustram. Não me causaram nenhuma espécie de atracção. Pensei que seriam mais uns livros daqueles que hoje abundam por aí, de historietas com muito pouco sumo, destinadas a agradar a quem não procura nos livros mais do que um sucedâneo para vidas isentas de emoção, cheias de trivialidades, que pouco acrescentam ao verdadeiro gozo que um verdadeiro livro pode e deve causar.
Imbuído deste preconceito nem lhes peguei.

Há poucos dias, num jornal de grande tiragem e aparente responsabilidade, li um breve artigo sobre o último destes títulos e a minha curiosidade ficou aguçada, quer por aquilo que lá estava escrito, quer por quem o tinha escrito.
Ontem peguei nos livros, folheei-os, remirei-os de alto a baixo e pu-los debaixo do braço. Ao fim da tarde comecei pelo primeiro, que é sempre uma boa forma de começar. Quando dei por mim já ia lançado sem vontade de parar.
Tenho ainda muitas páginas pela frente, mas já dei por muito bem empregue o pouco tempo que lhes dediquei. Mais uma vez o preconceito que habita em cada um de nós foi desmentido e mais uma vez a velha máxima não julgues um livro pela capa foi muito bem empregue.
A leitura vai seguir em ritmo de cruzeiro e com prazer garantido.
A verdadeira história do facebook?

No jornal i fala-se dum livro que conta a história dos criadores do facebook:
«(…)Miguel Sousa Tavares disse recentemente numa crónica da revista "GQ" que o Facebook "não passa de uma agência de engates onde uma multidão de solitários ou mal resolvidos se põe a jeito". Acertou em cheio. Aliás foi com essa finalidade que o Facebook nasceu. Mark Zuckerberg e Eduardo Saverin eram dois brilhantes universitários de Harvard. Só que, por muito interessante que a programação informática fosse, por muito fascinante que um computador ou algoritmo possa parecer, estes dois rapazes sentiam falta de mais qualquer coisa na vida. (…)
[este livro] conta como dois rapazes solitários conseguiram triunfar na internet. Não sendo uma inovação, o Facebook ultrapassou toda a concorrência: Orkut, Hi5 ou My Space. Hoje, quem não está no Facebook, não existe. E tudo porque dois cromos de Harvard não conseguiam engatar.(…)»
Eu continuo a achar que estas redes sociais não são mais que uma perda de tempo, como muitos dos entretenimentos dos dias de hoje, e que, quem é verdadeiramente amigo, não necessita de convocar ligações em rede para o provar. Mas enfim, também não vem nenhum mal ao mundo por isso…
Já agora, eu não estou no facebook e, pelo menos aparentemente, continuo a existir!
quarta-feira, 15 de julho de 2009
I Remember That
Enquanto esperamos pelo seu novo trabalho, que nos dizem não tardar, relembremos uma das, imensas, canções tão bonitas que já nos deram:
Ao longo dos próximos dias irei voltando a estas gratas memórias, porque, é verdade, eu lembro-me...
Ao longo dos próximos dias irei voltando a estas gratas memórias, porque, é verdade, eu lembro-me...
LUAR

Nos romances de aventuras surgem, por vezes, relatos de protagonistas que passam pela vida lutando contra as injustiças, sendo, quase sempre, alvo da fúria de poderes autoritários e despóticos.
Essa espécie de heróis é depois cantada em histórias que, não raras vezes, ultrapassam uma lógica racional, passando a ser objecto de cultos mais ou menos exagerados.
Na vida real as verdades são outras e quando surgem notícias de pessoas cujos feitos de alguma forma nos emocionam, estas surgem, de forma geral, adulteradas por quem reconta as histórias.
Ou os personagens são elevados aos píncaros da aventura digna e altruísta, ou são remetidos para a coluna de meros ladrões e fora da lei.
Palma Inácio, de certeza, que é visto das duas maneiras por quem o admira e por quem o não reconhece.
Palma Inácio viveu à beira da aventura, mas de uma aventura que era baseada numa luta constante contra uma ditadura que nos amarrou durante tempo demais. Levou a cabo alguns dos mais espectaculares episódios de resistência, foi preso, torturado mas nunca desistiu.
Há quem o considere o mais romântico dos resistentes ao salazarismo. Não sei se foi, mas sei que o respeito enquanto pessoa e enquanto lutador incansável por algo melhor que a sociedade apática que vamos tendo.
Palma Inácio morreu ontem e quero realçar-lhe a luta e a dose de loucura, talvez romântica, que nela empregou, chegando ao ponto de ter dado ao movimento que criou um nome que, ele próprio, patenteava alguma dose de sonho, LUAR.
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