sexta-feira, 17 de julho de 2009

A ilha das delicias loucas


Na RTP online:

«Alberto João Jardim quer rever a Constituição e proibir o comunismo em Portugal.(...)»

Já nem percebo bem se ele diz as coisas que diz porque crê nelas, se o diz porque quer afrontar alguém, ou se, simplesmente, é mesmo imbecil!
Eu, correndo o risco de me enganar redondamente, acho que a última hipótese é a mais plausível. Só alguém completamente fora da realidade, que vive numa ilha que parece estar cristalizada numa outra dimensão, se dá ao luxo de fazer propostas como esta e como tantas outras que a sua imaginação desvairada e completamente desfocada, está sempre a engendrar.
Cá por mim, como tantas vezes tenho feito, reafirmo a necessidade, imperiosa, de lhe darmos, em definitivo, a independência. Desse modo a sua ilha, que mais não é que um brinquedo nas suas mãos, deixa de ser preocupação nossa e os que dele tanto gostam podem, de uma vez por todas, aturar e aplaudir as idiotices que esta mente alucinada não pára de cuspir.

Ícones do século XX (20)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Johnny Johnny

A menos de dois meses de distância do próximo deslumbramento, continuamos, por aqui, a celebrar a excelência das mais bonitas canções:

Rumo à Lua

No DN de hoje:

«Rumo à Lua
'Apollo 11' partiu da Terra há 40 anos(…)»



Mas, há 56 anos, já estes lá tinham estado…

Trilogia Millennium


Nas minhas, insuficientes, deambulações pelas livrarias já tinha visto estas capas. Reparei nos títulos e nas fotos que as ilustram. Não me causaram nenhuma espécie de atracção. Pensei que seriam mais uns livros daqueles que hoje abundam por aí, de historietas com muito pouco sumo, destinadas a agradar a quem não procura nos livros mais do que um sucedâneo para vidas isentas de emoção, cheias de trivialidades, que pouco acrescentam ao verdadeiro gozo que um verdadeiro livro pode e deve causar.
Imbuído deste preconceito nem lhes peguei.

Há poucos dias, num jornal de grande tiragem e aparente responsabilidade, li um breve artigo sobre o último destes títulos e a minha curiosidade ficou aguçada, quer por aquilo que lá estava escrito, quer por quem o tinha escrito.
Ontem peguei nos livros, folheei-os, remirei-os de alto a baixo e pu-los debaixo do braço. Ao fim da tarde comecei pelo primeiro, que é sempre uma boa forma de começar. Quando dei por mim já ia lançado sem vontade de parar.
Tenho ainda muitas páginas pela frente, mas já dei por muito bem empregue o pouco tempo que lhes dediquei. Mais uma vez o preconceito que habita em cada um de nós foi desmentido e mais uma vez a velha máxima não julgues um livro pela capa foi muito bem empregue.
A leitura vai seguir em ritmo de cruzeiro e com prazer garantido.

A verdadeira história do facebook?


No jornal i fala-se dum livro que conta a história dos criadores do facebook:

«(…)Miguel Sousa Tavares disse recentemente numa crónica da revista "GQ" que o Facebook "não passa de uma agência de engates onde uma multidão de solitários ou mal resolvidos se põe a jeito". Acertou em cheio. Aliás foi com essa finalidade que o Facebook nasceu. Mark Zuckerberg e Eduardo Saverin eram dois brilhantes universitários de Harvard. Só que, por muito interessante que a programação informática fosse, por muito fascinante que um computador ou algoritmo possa parecer, estes dois rapazes sentiam falta de mais qualquer coisa na vida. (…)
[este livro] conta como dois rapazes solitários conseguiram triunfar na internet. Não sendo uma inovação, o Facebook ultrapassou toda a concorrência: Orkut, Hi5 ou My Space. Hoje, quem não está no Facebook, não existe. E tudo porque dois cromos de Harvard não conseguiam engatar.(…)»


Eu continuo a achar que estas redes sociais não são mais que uma perda de tempo, como muitos dos entretenimentos dos dias de hoje, e que, quem é verdadeiramente amigo, não necessita de convocar ligações em rede para o provar. Mas enfim, também não vem nenhum mal ao mundo por isso…
Já agora, eu não estou no facebook e, pelo menos aparentemente, continuo a existir!

Ícones do século XX (19)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

I Remember That

Enquanto esperamos pelo seu novo trabalho, que nos dizem não tardar, relembremos uma das, imensas, canções tão bonitas que já nos deram:



Ao longo dos próximos dias irei voltando a estas gratas memórias, porque, é verdade, eu lembro-me...

LUAR


Nos romances de aventuras surgem, por vezes, relatos de protagonistas que passam pela vida lutando contra as injustiças, sendo, quase sempre, alvo da fúria de poderes autoritários e despóticos.
Essa espécie de heróis é depois cantada em histórias que, não raras vezes, ultrapassam uma lógica racional, passando a ser objecto de cultos mais ou menos exagerados.
Na vida real as verdades são outras e quando surgem notícias de pessoas cujos feitos de alguma forma nos emocionam, estas surgem, de forma geral, adulteradas por quem reconta as histórias.
Ou os personagens são elevados aos píncaros da aventura digna e altruísta, ou são remetidos para a coluna de meros ladrões e fora da lei.
Palma Inácio, de certeza, que é visto das duas maneiras por quem o admira e por quem o não reconhece.
Palma Inácio viveu à beira da aventura, mas de uma aventura que era baseada numa luta constante contra uma ditadura que nos amarrou durante tempo demais. Levou a cabo alguns dos mais espectaculares episódios de resistência, foi preso, torturado mas nunca desistiu.
Há quem o considere o mais romântico dos resistentes ao salazarismo. Não sei se foi, mas sei que o respeito enquanto pessoa e enquanto lutador incansável por algo melhor que a sociedade apática que vamos tendo.
Palma Inácio morreu ontem e quero realçar-lhe a luta e a dose de loucura, talvez romântica, que nela empregou, chegando ao ponto de ter dado ao movimento que criou um nome que, ele próprio, patenteava alguma dose de sonho, LUAR.

Par Bruxelles


Entretanto, por Bruxelas, erguem-se os olhos ao alto...

Ícones do século XX (18)

terça-feira, 14 de julho de 2009

Pérola Hannoniana

Naquele que é, muito provavelmente, o mais divertido disco do ano, também há algum espaço para canções como esta.
Na minha opinião mais uma pérola que sai da concha que Neil Hannon tão bem sabe alimentar.

Uma certa Lisboa


Tenho saudades de uma certa Lisboa…
Duma Lisboa que, verdadeiramente nunca vi, mas que intuo nalgumas das suas ruelas e travessas, que revejo, sem ver, em muitas das suas avenidas e praças, que pressinto nas suas pessoas e casas.
Tenho saudades dos cheiros das manhãs muito cedo, quando o sol se começava a espreguiçar, correndo as ruelas mais escondidas, enchendo-as de luzes várias. Dos pequenos-almoços que começavam a sair dos cafés e pastelarias onde os primeiros madrugadores iam entrando.
Tenho saudades das noites do início do Verão, quando o aroma da sardinha assada se atrevia a percorrer os becos e desaguava nas maiores avenidas, deixando no ar momentos certos de uma Lisboa que se queria popular.
Tenho saudades de um cosmopolitismo único e diferente, onde o aparentemente igual, se ia desfazendo numa panóplia rica e colorida só possível nesta cidade.
Tenho saudades de ver o Tejo brilhando por entre as árvores que campeavam os caminhos, em fins de tarde de Outono, quando o cobre ia atapetando o chão por onde se passeavam aqueles que não tinham horas para chegar.
Tenho saudades desta cidade sem tempo, num espaço único que, se calhar, nunca foi seu, mas que imagino assim, de cada vez que ainda consigo percorrer-lhe as ruas, mesmo aquelas que só vão existindo na minha imaginação…

histórias de Rosa Branca


VIII

Os olhares cruzavam-se expectantes. Lá no alto Jordão ia olhando as nuvens, esperando o momento exacto. Cá em baixo a ansiedade sentia-se de forma quase palpável.
Havia um silêncio absoluto.
O dia estava quente, apesar das nuvens que teimavam em passar.
De quando em vez um burburinho ia subindo, sempre que Jordão fazia um qualquer movimento.
A praça não era muito grande, mas estava repleta. Estava repleta não só de pessoas, mas também das suas expectativas, de alguns sonhos animados pelo acontecimento que todos queriam presenciar, de invejas também, de alguma incredulidade e de aproveitamentos que já se preparavam nalgumas das mentes mais febris que ali estavam.
Ao longe desenhava-se um pequeno vulto que se ia aproximando lentamente. Aparentemente ninguém o notara ainda, mas na porta do seu café, agora vazio, Jerónimo Navarra, apesar da grande distância que ainda os separava, viu distintamente quem era.
Lesto correu para o telefone e discou um número.
- Bom dia - disse quando atenderam do outro lado - não há dúvida, ele vem aí…


(continuará)

Ícones do século XX (17)