quinta-feira, 9 de julho de 2009

Assustar o medo


Se o olharmos de frente, talvez se vá embora, escondendo-se entre as frias roupagens que normalmente enverga.
Se o encararmos sem lhe dar tréguas, talvez perceba que é inútil.
Se os despirmos, talvez compreenda que não faz sentido
Se finalmente o enfrentarmos, talvez sinta que, afinal, a sua natureza mais não é que o mero fruto de imaginações presas a conceitos ultrapassáveis.
Se assim fizermos, se, verdadeiramente, o assustarmos, talvez não haja necessidade de ter medo…

quarta-feira, 8 de julho de 2009

histórias de Rosa Branca


VII

Olívia olhava a praça pela janela do seu salão.
Olívia olhava os momentos que fizeram aquela terra, aquelas pessoas.
Olívia olhava o passado através do vidro, que lhe ia restituindo as memórias há muito perdidas.
Atrás de si o enorme casarão respirava com dificuldade. Sentia que aquela casa estava moribunda. Tudo dentro dela estava impregnado de poeiras invisíveis, de nevoeiros mais densos que os frios intensos que já não sentia.
Olívia não se virou, mas sentiu que todas as pessoas que por ali passaram estavam à sua espera, naquela sala enorme, onde sozinha, tentava não fraquejar.
Um leve rumor vindo da praça chamou-lhe a atenção. Viu que Jordão se acercava da beira do telhado. Olhou-o aflita. Sempre pensara que aquela ideia ícara iria ter um péssimo fim.
Viu que Jordão olhava na direcção do casarão. Recolheu-se atrás da portada. Não queria ser vista, não queria ser cúmplice daquele desatino.
Sentou-se então. Deixou que todo o cansaço se abeirasse dela. Deixou que todas as perguntas lhe assolassem a mente. Confirmou não ter respostas. Nem uma única.
Ouviu então que alguém batia na porta de entrada.
Desceu calmamente as escadas e no momento em que se aprestava para abrir a porta, uma qualquer forma de ânsia apoderou-se dela, uma dor, contudo tranquila, uma interrogação quase doce. Um sorriso aflorou-lhe os lábios no momento em que abriu a porta.
- Entra – disse – estava à tua espera…


(continuará)

Ícones do século XX (13)

terça-feira, 7 de julho de 2009

A essência do Cristiano do Funchal

Acho que aquelas 80 mil alminhas que ontem aplaudiram a apresentação do madeirense, não irão achar muita piada quando ele se mostrar em todo o seu esplendor, como aqui:

Porque esta é, nuestros hermanos, a verdadeira essência daqueles que só pensam com os pés!

Barroco, quase, tropical


Sempre associei o conceito de barroco a algo muito trabalhado, a algo que está para além da linearidade, embora não numa forma fantástica, mas sim muito concreta, plausível, uma beleza plausível, digamos.
Das músicas, aos trajos, à literatura, à arquitectura, à forma de viver dos artistas e ao expressar dos seus sentimentos.
Não sei, nem sequer me interessa, se este é o conceito acertado, correcto. É, e chega-me, o que carrego em mim. Como tal posso, se calhar devo, alterá-lo, torná-lo mais claro ou, porventura, mais obscuro, com maiores e mais complicadas nuances que, no fundo, o tornam ainda mais meu.
Nos dias que passam, quando penso em barroco musical, penso nos primeiros discos dos The Divine Comedy. Quando o imagino na roupa, vejo as criações de Jean Paul Gaultier. Quando o vislumbro no cinema, já sei que é obra de Peter Greenaway. Já nos livros tenho mais dificuldade em defini-lo. Pode ser um livro do Ballester, uma fantasia realista de Garcia Marquez, um sonho desenhado por Schuiten e imaginado por Peeters, tantas outras coisas.
Ontem acabei de ler um livro que se auto define como barroco, Barroco Tropical. Não sei se, no meu conceito, cabe como tal, sei que gostei, que me incomodei, que quase me convenci a abrir, no meu conceito, a chaveta tropical, mas, ainda, não abri, porque barroco é Europa, não é trópico, é frio, é cidade, é a ousadia fechada deste continente e não a imensa claridade africana.
No entanto, dou por mim a recordar as palavras e as imaginações de Agualusa e penso que se uma mulher pode cair do céu, se um anjo negro pode morar no mais profundo de África, se uma cantora encanta todo um mundo, talvez então estejamos perante a tal beleza plausível, aquela de que só uma imaginação barroca é capaz!

Ícones do século XX (12)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O novo modo de ouvir Cricket


O senhor Lewis e o senhor Duckworth cumpriram o prometido.
O cricket nunca foi ouvido deste modo!
O seu método é, de facto, imperdível!
Arriscaria, brilhante!
Experimentem!
Eu já estou, completamente, rendido a este método!

Ícones do século XX (11)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O GLORIOSO


«(...)Numa votação que decorreu das 10h00 até pouco depois das 22h00 e registou 20.672 votantes (243.785 votos), Luís Filipe Vieira, líder da Lista A, totalizou 223.656 votos (18.825 votantes), contra 6.610 votos (505 votantes) da lista B, encabeçada por Bruno Carvalho(...)»

Pode haver confusões, situações mal explicadas, espertezas saloias, mas há, sobretudo, um GRANDE CLUBE!
É impressionante a mobilização e a dinâmica que o Glorioso consegue alcançar, mesmo estando sem obter resultados desportivos, verdadeiramente dignos de registo, há tempo demais!
É isto que os do Campo Grande e os provincianos azulados nunca hão-de conseguir!

Dizer adeus à Graça


A publicidade fala do sítio do costume
E este deve ter sido, muito provavelmente, um sítio do costume para muita gente. Do costume de ir ver filmes, num bairro de puros alfacinhas, daqueles que viviam a sua cidade, ali naquela Graça que é tão bela, que é tão boa!
Fica entalado entre os prédios antigos, quase passa despercebido a quem passa distraído, mas ele lá está, ainda gracioso, no caminho que leva a um dos miradouros mais bonitos da cidade, o da Senhora do Monte, ali de onde se pode abraçar quase toda a cidade e até passar com o olhar pelo Rossio.
Agora dizem-nos que o pingo é doce, outrora foi Royal e se a cidade já se acostumou a estes desvarios, a nós resta-nos fazer com algumas das suas memórias nunca se apaguem.
Bom fim de semana!

A birra da João!


«(...)Amargurada, a pianista Maria João Pires quer deixar de ser portuguesa, passando a ser brasileira. A pianista queixa-se do desinteresse das autoridades pelos projectos que tentou desenvolver em Portugal e tenta seguir o seu caminho sem olhar para trás.
Segundo a Antena 2, já só falta chegarem os papéis para a decisão se tornar irreversível. Aliás, Maria João Pires deverá regressar ao Brasil já nesta sexta-feira, de onde não tenciona regressar.
Diz estar "farta de coices e pontapés em Portugal" e que por esta razão vai renunciar à nacionalidade portuguesa.(...)»

A senhora em causa faz o que muito bem lhe apetece, está no seu direito.
E o que dizer daqueles portugueses que todos os dias recebem "coices e pontapés"? Se vêem sem meios para viver dignamente? Sofrem os efeitos das mil crises que nos assolam? Caem no desemprego? Etc, Etc.
De todos os portugueses que veêm os seus projectos de VIDA chegarem a becos sem saída?
Será que todos eles vão, pura e simplesmente, mudar de nacionalidade? É esse o caminho? É desse modo que se resolvem os problemas? Virando as costas e fugindo?

Espero que, quando esta senhora aqui quiser voltar, o SEF esteja atento ao seu visto!

Le Gromm Vert-de-Gris


Spirou é um dos heróis mais famosos da banda desenhada belga. Apesar de ter sido criado por Rob-Vel, o seu grande desenhador foi, sem dúvida, Franquin, que lhe deu consistência e uma dimensão acima da média. Depois de muitos outros autores, os quais foram conduzindo Spirou a patamares inferiores, surgiu agora uma nova aventura, Le Groom Vert-de-Gris da autoria de Schwartz (desenhos) e Yann (argumento). Uma nova e imensa lufada de ar fesco surge neste livro, passado em Bruxelas no tempo da ocupação nazi.
Para além da trama e dos excelentes desenhos, esta dupla de autores resolveu prestar homenagem a alguns monstros sagrados da BD belga.
De entres os vários homenageados destaco o incontornável Hergé, o mestre.

Vejamos alguns exemplos:

Quick e Flupke, les gamins de Bruxelles


Le Jeu de Balle, le marché aux puces, a feira da ladra bruxelense, onde podemos ver Hergé tomando notas e, logo atrás, Aristides Filoselle tentando dar uso à sua arte.


Finalmente podemos ver Raymond Leblanc, grande responsável pela criação do Journal Tintin, quando estava preso pelos nazis e desmonstrava, já, a sua paixão pelas Aventuras de Tintin!

Uma excelente história, um bom exercicio de memórias, uma homenagem merecida a todos aqueles para quem um album de banda desenhada, é muito mais que apenas um livro!

Ícones do século XX (10)

A grande tourada



E assim o ministro das gafes recolhe aos curros...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Mãe



Este disco ARREPIA!