quinta-feira, 25 de junho de 2009

Mad Hatter

Este é o Chapeleiro Louco de Alice in Wonderland, redesenhado por Tim Burton para a sua próxima loucura:


E este é o Chapeleiro Louco da The Famous Charisma Label , que ilustrava os discos que foram a minha primeira loucura!

No labirinto das letras


Percorro as letras do alfabeto à procura das palavras certas, daquelas que ainda não conheço e que quero criar. Paro à volta das vogais, os olhos passeando por cada uma delas, fugindo do u, para o a, deixando rebolar o o, vendo o i subir lentamente como um balão enquanto o e se vai desprendendo do meu olhar. Tento agarrá-las, dar-lhes a minha consistência, misturá-las com as consoante que se mantém ali tão quietinhas, à espera que eu lhes pegue. Tento confundi-las, ouvir-lhes os segredos, explicar-lhes o que quero. Mas elas trocam-me as ideias, pulverizam-se à minha frente, explodindo em mil gritarias, mostrando-me mil faces diferentes.
Percorro todos os caminhos das letras, tentando perceber todas as palavras que sabem formar, escolhê-las para mim, trazê-las comigo. Mas elas não se deixam prender, querem ser livres, são livres, até que alguém as cative e lhes dê o uso que esperam e aí sim, ficam aparentemente sossegadas, a deliciarem-se com todos os sentidos que fazem, com todos os significados que adquirem, com a beleza que ajudaram a criar. Até que outro alguém lhes surja ao caminho e as desafie de novo, as leve consigo numa outra viagem, numa nova volta ao mundo, onde só elas permitem ver para além do óbvio!

Ícones do século XX (4)

Absolut (66)

Une belle histoire

Há muitos anos atrás, estava eu no inicio da puberdade, quando vi um filme francês, que nos mostrava a história de dois jovens, pouco mais velhos que eu, que se conheciam quase por acaso e que acabavam por acreditar que se tinham apaixonado. Lembro-me que, na altura, este filme me deixou uma séria impressão. Nunca mais o vi e não me consigo lembrar do nome. A verdade é que, sempre que ouço esta canção de Michel Fugain, me recordo daquele filme e acredito que foi feita de propósito para ele.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Colditz


Ao vaguear pela rede, ao ver nostalgias várias, lembrei-me desta série, que deve ter passado na RTP lá pela segunda metade dos 70. Era uma realização da BBC e, como tal, era duma qualidade assinalável. Contava a história de um conjunto de oficiais aliados, sobretudo ingleses, mas também americanos e franceses e das suas desventuras numa prisão de alta segurança alemã, situada num castelo de nome Colditz, que existe de facto.
A trama central de série passava pelas tentativas de evasão que os prisioneiros levavam a cabo, mas, ao mesmo tempo, dava-nos várias histórias baseadas nas relações humanas que entretanto se formavam no interior do presídio, quer entre os diferentes prisioneiros, quer entre estes e os seus carcereiros.
Tenho uma ideia um tanto difusa dos episódios que vi, mas sei que gostei muito, a ponto de ter comprado, nessa altura, dois livros da autoria de P.R.Reid (que foi prisioneiro no castelo) que estiveram na origem da série e dos filmes que antes e depois dela foram realizados a partir das memórias de Reid.

Neda somos nós


Esta jovem morreu em Teerão, atingida a tiro por alguém que estava do outro lado duma barricada. Esta jovem tornou-se um símbolo de uma vontade de mudança. Era necessário que esta jovem morresse, esta ou uma outra qualquer, mas era fundamental que houvesse uma morte em directo, uma morte que corresse mundo, que mostrasse aos nossos corações deitados no sofá que há lutas justas que se sucedem a muitos milhares de quilómetros e que nos fazem tremer de raiva, nos fazem soltar impropérios perante as injustiças do mundo, perante os regimes opressores que grassam pelo planeta, nos confundem na nossa placidez quotidiana, nos abanem, ainda que por breves momentos, na nossa surdez perante o que se passa lá fora.
Somos assim, clamantes pela justiça, ofendidos pela crueza e desumanidade a que todos os dias assistimos pela televisão.
Neda morreu, atingida por um tiro.
Na verdade, todos os dias vários tiros atingem muitas Nedas por todo o mundo, até aqui no nosso recanto, onde pensamos que coisas destas não acontecem. A voracidade mediática traz-nos as imagens, desconforta-nos e tranquiliza-nos por as sabermos longe.
A vida, hoje, faz-se em directo e nós, todos, estamos no centro da acção, porque, quando menos esperarmos, uma bala perdida pode vir atingir-nos e, mesmo que não o desconfiemos, há sempre uma câmara apontada na nossa direcção.

Ícones do século XX (3)

...


Pôs o dedal no dedo para não se picar.
Para poder colher as rosas que quisesse sem se espetar. Para poder segurá-las e levá-las consigo, sem sangramentos inúteis, não mais do que aqueles que, com a sua vermelhidão escura, iam enchendo a paisagem.
Olhou-as contraluz e reparou na sua fina translucidez, que ia deixando passar fios de uma luminosidade ténue e rubra, pingando sobre a sua mão onde o dedal ainda jazia.
Foi enchendo os caminhos de pétalas vermelhas, deixando que cada uma voasse ao sabor dos ventos que começavam a soprar.
Pousou o dedal no fim do caminho.
Ainda o sangue pingava quando a última pétala o sobrevoou, levada pela derradeira brisa do dia.
Quando a lua assomou, já há muito que os caminhos estavam limpos. Na sua cadência infinita o tempo não esperou e quando o sol acordou na manhã seguinte já o dedal tinha desaparecido…

Absolut (65)

terça-feira, 23 de junho de 2009

A banda de António Pinho


Há tempos atrás, como poderão ver aqui, falei duma banda portuguesa que nos anos 70/80 liderava a vanguarda da música feita em Portugal e, estou certo, se hoje ainda existisse o continuaria a fazer. Vem isto a propósito de ter conhecido, hoje mesmo, um dos seus membros mais destacados, António Pinho. Um senhor da música e sobretudo das palavras, daquelas que escreveu para a sua banda e das outras com que, muito gostosamente, nos vai contando histórias imperdíveis de momentos que lhe marcaram a vida e que, a nós, nos deixam um gosto de profunda satisfação.
Malfamagrifada - Banda do Casaco

PSD / Contemporâneos

Mais uma vez com pontaria certeira e humor delirante.
Imperdível e impagável!

The Return of Rael


Está em circulação online, uma petição para voltar a reunir os cinco mais emblemáticos elementos dos Genesis. Ou seja, trazer de volta Peter Gabriel e Steve Hackett ao convivio, ainda que breve, dos seus mates Mike Rutheford e Tony Banks e do inenarrável Phil Collins. A ideia é retomar The Lamb Lies Down on Broadway e mostrar a todos os que nunca o viram e/ou ouviram, a excelência das suas músicas. Confesso que me custa ver reunidos à mesma mesa o mágico Gabriel e a máquina registadora Collins mas, por outro lado, se o segundo ficasse escondido atrás dos tambores e deixasse que o verdadeiro Rael se movimentasse à vontade, mostrando toda a sua magia, o meu lugar seria, com toda a certeza, na primeira fila.
Entretanto, devo acrescentar, já subscrevi a petição.

Ícones do século XX (2)

Absolut (64)