terça-feira, 16 de junho de 2009
segunda-feira, 15 de junho de 2009
histórias de Rosa Branca

IV
Rosa Branca pode ficar nas cercanias da serra, ali onde o sol se esconde e onde os invernos gostam de trazer os flocos, tornando as paisagens mais próximas da perfeição branca.
Ou pode ficar naquela planura cor de cobre, pontuada por pequenas vírgulas verdes, que mal se vislumbram quando o sol, inclemente, nos olha em todo o seu esplendor.
Também pode ficar nas fronteiras da cidade, nos arrabaldes hortícolas que, ao longo dos tempos, correram as longas madrugadas para que nada faltasse à urbe.
Ou pode ser apenas ali, naquele sítio onde todas estas imagens se fundem, onde as várias paisagens ganham vida própria e a transformam num lugar único. Naquele que só os seus habitantes conhecem, naquele em que só aos iniciados é permitido entrar.
Rosa Branca fica mesmo aí, no fim desse caminho, que mais não é que o inicio de um outro…
(continuará)
Uma vez na vida
Os dias correm naturalmente... naturalmente sem nada que os assinale de forma particular. Até que, quando menos se espera, sem trombetas ou sinais luminosos, nos assoma uma sensação única, que nunca é passageira, que marca, que se mantém, que se espraia pelo tempo, que nos nos deixa a sensação de ter sido um momento inesquecível, irrepetível, daqueles que nos fazem dizer; once in a lifetime!
Felizes aqueles que o conseguem repetir muitas vezes!
Felizes aqueles que o conseguem repetir muitas vezes!
Convém mas é não confundir género humano com Manuel Germano

«(...)O Beco das Sardinheiras é um beco como outro qualquer, encafuado na parte velha de Lisboa. Uns dizem que é de Alfama, outros que é já de Mouraria e sustentam as suas opiniões com sólidos argumentos topográficos, abonados pela doutrina de olisiponenses egrégios. Eu, por mim, não me pronuncio. Tenho ideia de que é mais Alfama, mas não ficaria muito escarmentado se me provassem que afinal é Mouraria.(…)
Recomendaram-me que desenhasse um mapa neste livro para que o Beco pudesse ser encontrado sem custo. Lérias! Basta ir por Alfama abaixo ou por Mouraria acima, meter o nariz em todas as vielas e pracetas e o Beco surgirá, sem sombra de dúvidas de que é aquele. Para quê entrar em mais pormenores.(...)»
Quando um dia me atrever a escrever alguma coisa, espero ser bafejado por uma gota do talento deste senhor!
O Museu
Parem!

Todo este ruído à volta dos dinheiros que Cristiano Ronaldo gasta por noite em hotéis norte-americanos e dos dinheiros que o Real Madrid irá pagar pela sua transferência, me causa nojo. Pela imoralidade de que tudo isto se reveste, pela irrelevância que tudo isto transporta, pela importância vazia que tudo isto tem.
Que lhe paguem o que ele quer, que gastem os rios de dinheiro que queiram, mas não nos digam, não façam disso alarde, não brinquem com os milhões de pessoas que, em Portugal, mal têm dinheiro para manterem um quotidiano digno.
Não discuto as importâncias, mas renego as luzes que lhe teimam em dirigir. Não precisamos de saber da vida deste senhor, precisamos, sim, que a nossa vida se possa realizar com a seriedade que todos merecemos!
sábado, 13 de junho de 2009
Á espreita do Rossio

Se há zonas nobres em Lisboa, esta é a mais nobre das nobres. A praça por excelência, o local onde todos vão, o coração da baixa, provavelmente da própria cidade. No lado oposto a este ergue-se, imponente o D.Maria, aqui, logo depois do arco, fica esta salinha, com uma fachada bonita, com um nome singelo, com uma história de muitos filmes. Degenerou entretanto e passou a peep-show, a loja de outras artes, a local de prazeres escondidos. O Animatógrafo já só anima almas solitárias em buscas quase desesperadas de prazeres quase clandestinos. O coração da baixa também guarda, talvez em demasia, rostos que se vão perdendo no esquecimento daquilo que já foram, como esta Lisboa que teima em fugir de nós.
Bom fim de semana!
sexta-feira, 12 de junho de 2009
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Eleições
quarta-feira, 10 de junho de 2009
terça-feira, 9 de junho de 2009
histórias de Rosa Branca

III
Teodoro Vitorino, com os seus pequenos óculos de aros redondos encavalitados na ponta do nariz, abanava a cabeça manifestando assim a sua condescendência perante uma Rosa Branca que conhecia melhor que qualquer outra pessoa.
Chegara muito novo, acabado de se formar em medicina, com uma maleta cheia de esperanças, com uma vida inteira para preencher.
Agora que estava quase completa, a sua história dava-lhe uma certa autoridade para poder julgar, e não condenar, aqueles que, à sua volta, ainda não sabiam o que ele já vira.
Olhou nostálgico para o casarão vermelho, de onde Mariana Estrela espreitava a rua.
Sorriu quando a memória, sua eterna e fiel companheira, lhe voltou a mostrar tudo aquilo que parecia ter ficado tão lá atrás.
Teodoro sabia de cor o caminho que lhe faltava percorrer e sabia, igualmente, onde acabava. As ilusões já não o iludiam e quanto a sonhos, já possuía aquela sabedoria que só lhe permitia sonhar com o que muito bem lhe apetecesse.
Acenou em direcção de Mariana Estrela, sorriu-lhe e entrou em casa. Pôs um disco a tocar, o mesmo que ouvia há mais de 40 anos e sentou-se na sua velha poltrona.
Sabia que Zacarias Gorjão não tardaria e esperou…
(continuará)
Subscrever:
Mensagens (Atom)








