domingo, 12 de abril de 2009

ET - 27 anos depois


O que dizer se ao fim de 27 anos, ao rever o ET, me emociono na mesma?
Que continuo impressionável? Que afinal estes anos todos só vieram confirmar que o ET continua a fazer-me efeito, embora, na altura, eu não o quisesse admitir.
Ou, simplesmente, que uma história bem contada e melhor filmada, por muito que não o queiramos, continua a tocar-nos naqueles pontos que, inevitavelmente, nos fazem ser mais pessoas?
Quero crer que é um pouco disto tudo e tudo o resto que me faz gostar de ver e sobretudo sentir, que uma emoção sincera, mesmo que provocada por um filme, é sempre um momento bem preenchido e que é também isso que nos faz crescer mais um bocadinho, mais que não seja na percepção da nossa finitude e da necessidade de sermos felizes.

sábado, 11 de abril de 2009

Corin Tellado


Os romances de cordel foram uma das modas literárias mais populares do século XIX. Aí amores, desamores, enredos tortuosos e turbulentos tinham lugar, animavam aqueles que não procuravam a grande literatura e faziam sonhar muitas almas desesperançadas. No fundo é esse o leit-motiv dos chamados romances light que na actualidade tanto vendem. No entanto, antes da actualidade, também se escreveram histórias light, que mais não serviam, digo eu, que para aquecer aqueles que de outro modo não acalentariam veleidades leitoras, mas que, por aí, sempre pegavam em livros que, mais não fosse, tinham essa qualidade, a de fazer com que os livros fossem objectos de sonho e de imaginação. Não posso dizer que tenha lido esses livros, muito menos posso dizer que alguma vez tenha tido vontade o fazer, não tive, tal como não tenho hoje, tal como, muito provavelmente, não terei amanhã, no entanto não consigo, nem quero, deixar de afirmar alguns desses autores como responsáveis por alguma felicidade que atingiu quem os leu e isso, creio, é um bem inestimável. Uma das grandes autoras desse tipo de livros chamou-se Corin Tellado e morreu hoje com quase 82 anos. Ela, que depois de Cervantes, é a escritora espanhola com mais leitores.

Gran Torino 1972


Um carro como metáfora da bondade!
Ou um carro como condutor de um percurso que nos leva duma antipática indiferença até a um verdadeiro e sentido afecto.
A assunção de que a vingança não pode vingar, porque nunca é definitiva e só a capacidade de perdoar, sobretudo a nós próprios, consegue, ainda que a custo, ainda que com dor, causar uma verdadeira redenção.
A sobrevivência depende muito mais da capacidade e vontade de superarmos as nossas falhas, do que na de ultrapassar as dos outros, mesmo que para isso tenhamos que fazer sacrifícios, mesmo que para isso tenhamos que redefinir os nossos caminhos, mesmo que para isso tenhamos que oferecer a vida pelos outros.
Foi isso que eu vi no Gran Torino, foi isso que, mais uma vez, a excelência de Clint Eastwood nos mostrou de uma maneira soberba. Dura e, ao mesmo tempo, emotivamente terna.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Filme de Qualidade


Houve um tempo em que para ver um filme de qualidade tínhamos que ir ao Quarteto. Mas um dia o Quarteto mudou e num outro dia o Quarteto parou. Nessa altura um outro cinema já nos oferecia esses filmes de qualidade. Filmes que mais não são que uma espécie de resistência aquilo que Hollywood nos mostra. Filmes que mais não são que rupturas com a filmografia oficial, filmes que nos arranham, que nos abanam e que, por vezes, temos dificuldade em entender, mas são sempre filmes que valem a pena, mais que não fosse porque nos mostram outros caminhos, outros olhares, outras sensibilidades e nos permitem saber que não precisamos de nos estupidificar para podermos olhar o cinema.
Esses filmes, hoje, podem ser vistos no King. King que já foi Vox , numa altura em que Lisboa tinha salas de cinema, numa altura em que a rua era animada, tinha vida, em que Lisboa se podia ver e viver, numa altura em que as salas de cinema eram apenas uma extensão daquilo que estava cá fora.
Bom fim de semana!
E Boa Páscoa!

Absolut (14)

Galeria do Nunca (45)


Piet Mondrian
Composição A - 1920

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Absolut (13)

Piroseira vintage


Está anunciado para finais de Maio um concerto com alguns dos mais representativos cantores mainstream da década de 80. Pois é, RICK ASTLEY, KIM WILDE, BELINDA CARLISLE, ABC, NICK KERSHAW e CURIOSITY KILLED THE CAT vêm, todos juntos, animar uma noite de um certo revivalismo dos tops de 80.
Com a excepção dos ABC e um poucochinho dos Curiosity, naquela altura achava os outros o cúmulo da piroseira. O certo é que há pouco tempo, ao ouvi-los novamente, dei por mim a concluir que, apesar de tudo, os pirosos da década de 80 são incomparavelmente melhores dos que os actuais!!!

Galeria do Nunca (44)


Amadeo Modigliani
Nu Vermelho - 1917

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Alguém lhe liga?

Uma enorme mancha cinzenta azulada, debruada por um laranja envergonhado e com um número verde no canto, talvez para ligar à senhora que nos olha com um ar infelicíssimo

Será que alguém lhe liga?

A invasão do pássaro


Pelos vistos, Alfred Hithcock já conhecia o Twiter!!!

Absolut (12)

Berlusconi


Sismo? «É como acampar ao fim-de-semana», diz Berlusconi

É bom ter responsáveis com este espirito prático! Ou será apenas estupidez natural?

Galeria do Nunca (43)


Paul Klee
Castelo e Sol - 1928

terça-feira, 7 de abril de 2009

Tempestades


« - O Secular das Nuvens é quem faz as tempestades. Anda pelas nuvens a batalhar e faz as tempestades e leva-as para onde ele quer. (…)
- Do que eu gostava era de ser um Secular das Nuvens. Era isso que eu queria. (…)
E assim, à meia-noite, Gonçalo Nuno Mesquita de Reboredo e Sande, herdeiro dos condes de São Sadorninho, e José Eduardo Pintado, em toda a vida Zé da Pinta, entoaram a Encomendação das Almas em recíproca intenção. (…)
Para formar um Secular das Nuvens mata-se um homem, mas tem de ser devagar e por partes. (…) Tem de se cortar tudo até à cabeça sem perder nada. (…) Mete-se tudo dentro de uma tina(…). Ao fim de algum tempo, sai o Secular das Nuvens e vai cumprir o seu fadário. (…)
Pelas três horas da manhã, rebentou uma formidável tempestade. (…) tinha dois núcleos, duas nuvens gigantescas (…) os trovões que abalavam os ares eram dois tons, um cavo e profundo, outro mais estridente e metálico. Baixo e tenor.»

João Aguiar – A Encomendação das Almas, 1995

É na vontade sincera que, muito provavelmente, reside toda a força necessária, mesmo que doa, mesmo que não haja retorno, mesmo que o destino seja vogar sem destino.
É esse o material de que são feitos os sonhos. De vontades que permitem tornar os destinos em caminhos únicos, onde o único retorno é o consolo de saber que podemos voltar a nós sempre que o desejarmos.