quarta-feira, 8 de abril de 2009

A invasão do pássaro


Pelos vistos, Alfred Hithcock já conhecia o Twiter!!!

Absolut (12)

Berlusconi


Sismo? «É como acampar ao fim-de-semana», diz Berlusconi

É bom ter responsáveis com este espirito prático! Ou será apenas estupidez natural?

Galeria do Nunca (43)


Paul Klee
Castelo e Sol - 1928

terça-feira, 7 de abril de 2009

Tempestades


« - O Secular das Nuvens é quem faz as tempestades. Anda pelas nuvens a batalhar e faz as tempestades e leva-as para onde ele quer. (…)
- Do que eu gostava era de ser um Secular das Nuvens. Era isso que eu queria. (…)
E assim, à meia-noite, Gonçalo Nuno Mesquita de Reboredo e Sande, herdeiro dos condes de São Sadorninho, e José Eduardo Pintado, em toda a vida Zé da Pinta, entoaram a Encomendação das Almas em recíproca intenção. (…)
Para formar um Secular das Nuvens mata-se um homem, mas tem de ser devagar e por partes. (…) Tem de se cortar tudo até à cabeça sem perder nada. (…) Mete-se tudo dentro de uma tina(…). Ao fim de algum tempo, sai o Secular das Nuvens e vai cumprir o seu fadário. (…)
Pelas três horas da manhã, rebentou uma formidável tempestade. (…) tinha dois núcleos, duas nuvens gigantescas (…) os trovões que abalavam os ares eram dois tons, um cavo e profundo, outro mais estridente e metálico. Baixo e tenor.»

João Aguiar – A Encomendação das Almas, 1995

É na vontade sincera que, muito provavelmente, reside toda a força necessária, mesmo que doa, mesmo que não haja retorno, mesmo que o destino seja vogar sem destino.
É esse o material de que são feitos os sonhos. De vontades que permitem tornar os destinos em caminhos únicos, onde o único retorno é o consolo de saber que podemos voltar a nós sempre que o desejarmos.

O Coelho da Páscoa e a Capuchinho Vermelho


Daqui trouxe este desafio :

"Era uma vez, a Capuchinho Vermelho, que acreditava no Coelhinho da Páscoa..."

ao qual respondi assim:

Sobretudo depois de experimentar os cogumelos mágicos e sentir que se elevava a uma estatura nunca antes imaginada, de onde conseguia ver Alice correndo atrás do coelho, não o da Páscoa, mas aquele completamente branco e que parecia estar em constante atraso.
Deu então a mão ao Lobo e juntos lá foram caminhando pela estrada fora cantarolando aquela música a que Grace Slick e os seus Jefferson Airplane chamaram White Rabbit.
Ao longe podiam ver a avózinha que os esperava à porta de sua casa, segurando na mão um pequeno coelho, de uma alvura imaculada, que os olhava fixamente por detrás dos seus brilhantes olhos rubros, sorrindo e deixando antever os dentes de onde pingava ainda um gota de chocolate quente.
E tu – perguntou a Capuchinho dirigindo-se ao Lobo – acreditas no coelhinho da Páscoa?

Nas Palavras dos Outros de hoje (ali no lado direito)

"O orgulho é o complemento da ignorância"
Fontenelle, Bernard


Porque os verdadeiros sábios são aqueles que fazem da humildade a fonte de todo o conhecimento, da discrição o caminho para o seu aprofundamento e da partilha desinteressada a sua grandeza!

Absolut (11)

O tolkeniano precoce


«A Lenda de Sigurd e Gudrún", obra inédita e póstuma de J. R. Tolkien, com anotações do filho do escritor, vai ser publicada em Portugal em edição bilingue "o mais tardar em Novembro", informou hoje a editora.(…)»

Ora esta é mais uma boa noticia para os amantes da Terra Média e do universo ficcional de Tolkien, se bem que esta Lenda não se enquadre na corrente do Senhor dos Anéis e não seja, ao que me parece, fruto da imaginação do escritor, mas sim uma sua interpretação de antigas lendas nórdicas, onde ele aliás, muito se inspirou para criar Arda.
Agora a propósito de Tolkien e do Senhor dos Anéis, apetece-me deixar aqui uma breve observação que vem, de alguma forma, contrariar uma ideia minha. A de que a leitura desta obra tinha lugar, sobretudo, no fim da adolescência, tal como dizem os GNR na sua canção SUB-16: «(…) e aos dezasseis nunca se teve tempo de ler O Senhor dos Anéis(…)»
A verdade é que o filho mais velho duns amigos meus, que por acaso é meu homónimo e nasceu no mesmo dia que eu (embora alguns anitos mais tarde), já leu a trilogia completa(aos 10 anos) e ficou completamente fascinado!
Devo então concluir que hoje em dia, ou os jovens são, de facto, mais precoces, ou que este jovem amigo tem uma apetência especial para a leitura, ou então que esta coisa ataca forte os Franciscos que nasceram a 21 de Março!

Galeria do Nunca (42)


Betty Swanwick
O Sonho - 1973 (Selling England by the Pound)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A outra Barcelona


Há poucos dias acabei de ler o Guia da Barcelona de Carlos Ruiz Zafón, da autoria de Sergi Doria.
Poderia, à primeira vista, dizer-se que era apenas um aproveitamento da onda Zafoniana para se vender uma espécie de guia turístico, sem mais nada para oferecer do que fotos e alguma espécie de dicas que todo o guia turístico sobre a cidade já ofereceria antes.
Mas não é assim! Primeiro não é turismo o que ali se oferece, depois nem é Barcelona que ali se vende, pelo menos aquela Barcelona que qualquer um pode conhecer quando a visita. Esta é uma Barcelona diferente! Mais viva mas, ao mesmo tempo, mais escondida. Uma cidade vibrante de uma vida que, aparentemente, só os iniciados podem descortinar. Uma cidade, à imagem dos livros de Zafón, cheia de uma escuridão atraente, duma poesia que nos espreita em cada esquina, duma beleza rara e surpreendente. Esta é uma cidade cheia de uma História única, repleta de mistérios e maravilhas, de pequenas e inebriantes histórias. Recheada de um espírito gótico, que lhe é dado pelo bairro mais antigo da cidade mas que, ao mesmo tempo, lhe é continuado por entre as paredes dos magníficos edifícios modernistas que a pontuam por todo o lado. É uma cidade mágica esta que Zafón retrata e que Doria nos mostra assim, de uma forma clara. Com este guia redescobri uma outra cidade, recuperei os olhares que lá deixei e percebi que a verdadeira Barcelona está muito para lá daquilo que nos é mostrado quando a visitamos.

Ainda agora aqui estava...


Que raio de dias estes que passam dum sol que nos convida ao sorriso, a uma nebulosidade que nos tapa as vontades!!!! Irra!

Absolut (10)

Realidades...


Quando abriu os olhos nem sabia em que acreditar.
Não se mexeu. Não queria abandonar aquela sensação.
Não sabia até onde a realidade o vinha acompanhando.
Fechou novamente os olhos e esforçou-se por voltar a ver as imagens.
Nada…
Nem o cheiro, nem o toque, nem a luz… nada!
Terá sido sonho?
Terá sido fantasia?
Até onde é possível compreender se aquilo que vemos, sentimos, tocamos é só sonho?
São tão fortes assim as fantasias que o nosso inconsciente cria, que nos obrigam a confundir realidades?
Abriu novamente os olhos e sorriu então.
Saltou da cama e voou até à nuvem mais próxima. Estava bonito o mar hoje, de um vermelho vivo, muito doce.
Antes de se dirigir ao bosque de tílias, onde iria assistir ao concerto dos nibelungos, resolveu encher o peito de ar e sorrir perante aquele dia que amanhecia acolhedor. Lá no alto os sóis enchiam a atmosfera de brilhantes luzinhas coloridas…

Galeria do Nunca (41)


Pierre-Auguste Renoir
O Baile no Moinho de La Galette - 1876