sexta-feira, 3 de abril de 2009

Absolut (9)

O anti-herói


Creio que deve ter sentido um nó no estômago, uma angústia desmedida, um medo inominável. Mas, por outro lado, devia estar pleno de uma tenacidade sem fronteiras, de uma vontade indómita, de uma certeza inabalável.
O momento era único, a decisão era a certa, a dúvida, mesmo que assomasse, era fútil.
A sua expressão denotava coragem, determinação e um enorme sentido do dever. Do dever para consigo próprio, mas sobretudo perante aqueles que dele dependiam naquele dia e esses éramos todos nós.
Todos os que se esforçaram, todos os que batalharam e sofreram, todos os que já não o viram, todos os que vieram a usufruir dessa hora. Todos nós, os que nele colocaram, mesmo sem o saberem, todas as esperanças que haviam ficado caladas por demasiado tempo.
É dele a verdadeira glória daquele dia. É nele que devemos guardar essa memória. É graças a ele que hoje podemos, ainda, embalar este desejo de sermos felizes.
Era bom que o recordássemos, não como alguém que passou a figurar nos livros de História, mas como alguém que deverá ficar sempre presente nas tomadas de decisão e nas atitudes perante a adversidade, perante aqueles, que ainda hoje, nos querem espezinhar sem clemência.
Salgueiro Maia deixou-nos há 17 anos! Obrigado por tudo!

Galeria do Nunca (40)


Francisco Goya
A Maja Nua - 1800

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Ilusão de óptica?


Agora por esta não esperava eu!!!!????
Ou será que, afinal, o homem até teve bons princípios???!!!



(Copiada daqui.)

Era uma vez...


Era uma vez…
Um pequeno pato que era posto de lado, vítima de intolerância, até que notou que, afinal, era um cisne.
Um pequeno soldado de chumbo que se enamorou por uma bailarina, viveu desventuras imensas até acabar no fogo de uma paixão impossível.
Uma pequena sereia que se apaixonou por um homem, renunciando à sua natureza por aquilo em que mais acreditava.
Uma princesa tão sensível que, apesar de todas as dificuldades conseguia sentir uma pequena ervilha onde mais ninguém a poderia adivinhar.
Uma menina que queria dançar e que não olhava a meios para o conseguir. Uma ambição desmedida a troco de uns sapatos vermelhos que não mais lhe dariam descanso.
Um rei que era o cúmulo da soberba arrogância. Apenas a roupa lhe interessava, até perceber que só estando nu poderia mostrar aquilo que, verdadeiramente, era.
E tantas, tantas outras histórias, que nos fizeram sonhar e imaginar mundos e pessoas, situações fantásticas e aterradoras, castigos exemplares e recompensas felizes.
Hans Christian Adersen nasceu há 204 anos, as suas histórias continuam a encantar-nos!
Também hoje se comemora o Dia Internacional do Livro Infantil.

Absolut (8)

O calor da neve


O Inverno está no fim. A manhã está fria mas soalheira. Sinto uns ténues raios de sol a acariciar-me todo o corpo. É uma sensação confortável mas desesperante.
Gosto de ver o sol reflectido na neve que se espalha por todo o espaço que a vista alcança.
Lá ao fundo as crianças brincam atirando bolas de neve umas às outras. Riem, riem muito… é agradável vê-las tão alegres.
Não há vento.
A meu lado o pequeno cachorrinho senta-se quieto olhando as brincadeiras infantis.
Ontem brincaram comigo. Foram horas bem dispostas. Até me deram este berrante cachecol que ainda trago comigo.
Espero que o sol não aqueça muito mais… já sinto as primeiros gotas a soltarem-se…
É pena não conseguir chegar-me ao telheiro que fica mesmo aqui atrás. Lá está sombra, o sol não lhe chega com facilidade. Aqui não terei muito mais tempo. O cachecol está já todo encharcado. O sol está mais quente agora, já não vejo as crianças, embora as consiga ouvir. A custo vejo que o cachorro se levanta devagar e abocanha qualquer coisa... uma cenoura...


A Primavera está a chegar… a neve vai derretendo lentamente. As primeiras flores já se assomam, bem em frente ao telheiro, onde os miúdos costumam fazer o boneco de neve…

Galeria do Nunca (39)


Jackson Pollock
A Chave - 1946

El ultimo tango?


Record online:

«BOLÍVIA EM GOLEADA HISTÓRICA (6-1) SOBRE A ARGENTINA
A Bolívia, treinada por Erwin "Platini" Sánchez, o antigo jogador do Benfica, Boavista e Estoril, conseguiu uma incrível e histórica goleada (6-1) sobre a Argentina de Diego Maradona, nos 3.660 metros de altitude de La Paz, em jogo da 12.ª jornada da fase de qualificação sul-americana para o Mundial'2010(...)»

Será este o último tango de Maradona ou, afinal, Deus sempre castiga quem utiliza o seu nome em vão?

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Adeus às armas


Se já não fosse tão evidente, eis aqui a prova de que o Benfica desistiu da luta pelo actual campeonato!

Convent Garden


A primeira vez que lá fomos era já noite. Um grupo de saltimbancos brincava com o fogo, contornando o frio que aquele mês de Janeiro lançava sem piedade.
Olhei à minha volta e senti uma incontrolável vontade de cantar as músicas que conheci em My Fair Lady, ainda as cantarolei, baixinho, para não assustar ninguém e ao mesmo tempo para me sentir cheio da ambiência daquele lugar. Passeei por lá deixando que cada pedaço daquele lugar me enchesse de sensações boas. Percorri cada centímetro com um gozo crescente e até entrei numa livraria atípica, a Banana Bookshop, onde, a preços indizíveis, comprei um livro sobre Tolkien.
Anos mais tarde, em passeio familiar, voltámos para mostrar à filha um local único, mas também para recuperar um pouco da magia do lugar. Os artistas de rua continuavam a actuar, música clássica e performances de one man show que nos fizeram ficar, com um permanente sorriso, pregados ao chão. De entre todos os lugares de todas as cidades que conheço este é, sem dúvida, um dos meus preferidos. Ainda por cima, logo ali, ao virar da esquina, fica a Tintin Shop!

Españas...


Há 70 anos atrás acabava, formalmente, a Guerra Civil Espanhola. Guerra que funcionou como antecâmara da outra que despoletaria meses mais tarde. No entanto, Espanha foi mais que isso. Foi um grito de revolta, de esperança, mas também palco de sangrentas e inolvidáveis traições, onde se escancararam feridas que tardaram a sarar, abrindo caminho a mais uma intolerância que, a partir daí, reinou. Marcou, indelevelmente, um século XX pródigo em ismos que mataram, ou ajudaram a matar, milhões de pessoas. Também o nosso país ficou marcado por esta guerra. Também o senhor António de Santa Comba se sentiu aconchegado pelo Paco que lhe protegia as costas europeias. Também a Guerra Civil Espanhola nos obrigou a partilhar um fascismo mascarado, mas não menos cruel.
Depois destes anos todos, creio que podíamos, se calhar devíamos, olhar para esses tempos e perceber todo o seu alcance, entender o seu significado. Talvez nos pudessem ajudar nos passos que temos que dar.

Uns de Abril


Será que precisamos de um dia, como o de hoje, para celebrarmos a mentira, quando ela grassa a todas as horas a partir dos mais variados recantos?
Hoje ninguém nos levará a mal (?) por escondermos a verdade atrás de um qualquer biombo, por não a deixarmos espreitar livre. Mas, e nos outros dias? O que fazer quando a mantemos submersa em teias que, por vezes, nem nos apercebemos que criámos?
O que fazer com as mentiras com que, mesmo inocentemente, vamos pintando os dias?
Será que já nem as distinguimos? Será que de tantas vezes repetidas e interiorizadas as transformamos em realidades?
Ou será que é apenas a realidade que se engana?

Absolut (7)

Galeria do Nunca (38)


Claude Monet
As Casas do Parlamento - 1904