sexta-feira, 13 de março de 2009

O alegre inchaço


Já por aqui referi aquela fábula em que uma rã, vaidosa, ao querer mostrar às suas congéneres, a sua, mal avaliada, importância, começou a inchar, a inchar, até alcançar o tamanho duma vaca. Também todos sabemos o resultado.

Está a parecer-me que Manuel Alegre anda um bocadinho para o inchado!!??
Alegre: "Se eu fosse às reuniões do grupo parlamentar, se calhar já não havia grupo, nem governo"
(No Público online)

Galeria do Nunca (25)


Rembrandt Van Rijn
A Ronda da Noite - 1642

quinta-feira, 12 de março de 2009

Comercial- 30 anos


Parece que a Rádio Comercial faz hoje 30 anos! É bonito, sem dúvida, uma rádio chegar a tal idade e, ao que parece, estar aí pujante e cheia de vida. Por isso lhe deixo os meus muito sinceros parabéns.
Acrescento ainda que, por estes dias, passo os meus ouvidos pela Comercial, mas é só isso mesmo, passar os ouvidos. E tenho pena que assim seja, porque já fui um fidelíssimo comercialista! Sobretudo nos primeiros anos, naqueles em que a rádio era ainda pouca, mas era, sem dúvida, boa!
Não me consigo rever nesta rádio feita a correr, sem tempo para esperar. Muito jovem, muito dinâmica, muito pouco cheia daquilo que nos faz bem. Das músicas ligadas às palavras, da inovação calma, dos programas de autor, dos autores dos programas, das músicas certas, escolhidas pelas vozes certas e não por playlists acéfalas.
Vou continuar a passar os ouvidos pela Comercial, esperando, talvez sem sucesso, pela rádio que já foi minha e não vou esquecer que, se hoje gosto de rádio, a grande culpada foi, de facto, a Rádio Comercial!

The special wrestler


No Expresso online:

«Mourinho acusado de agredir adepto do Manchester
O treinador português terá dado um soco na face do adepto, no final do jogo da Liga dos Campeões. A Polícia britânica já investiga o alegado incidente. (…)»


Ora aí está o que parece ser uma das máximas do Special One: Nunca deixar os seus créditos por punhos alheios!!!!

A continuação da memória


Um momento parado no tempo?
Uma memória viva?
Um documento histórico?
Uma prova de vida?
Uma recordação boa? Dolorosa?
Um afago? Um sorriso?
Arte? Efemeridade? Permanência?
Eternidade…
Olhares únicos que nos continuam a observar para lá do tempo.
Instantes que gostamos de reter, porque nos tornam imortais.
Nostalgias que nos emudecem a alma e nos transportam para lá daqui.
Marcas indeléveis que teimam em perpetuar-se em nós.
São calores, carinhos, necessidades, que buscamos, que estão ali, ao nosso alcance. Substitutos de algumas realidades, daquelas que estão longe e até daquelas que, se calhar, nunca existiram realmente.
Olhares… fixos mas vivos. Nossos e de quem nos fita ali, imóvel mas presente, pelo menos presente em nós que não o queremos perder, que queremos que a perpetuação que a fotografia nos oferece, seja mais que um momento fixado por uma máquina.
Queremos, isso sim, que se transforme na imortalidade dos momentos que nos alimentam a vida, na ininterrupta continuação da memória.

Galeria do Nunca (24)


Henri Toulouse-Lautrec
No Moulin Rouge - 1892/1895

quarta-feira, 11 de março de 2009

Espelho meu...


No Expresso online:

«A vez do homem neossexual
Esqueça o metrossexual, que esbateu as diferenças de comportamento entre os dois sexos. Segundo um estudo encomendado pela Axe, elas preferem um homem capaz de encontrar um equilíbrio entre a virilidade e a sensibilidade. Que realce o seu lado mais forte e tradicional mas sem receio de ser sensível e emocional. Chamam-lhe neossexual e é o preferido de 80 por cento das 2800 mulheres, com idades compreendidas entre os 18 e 35 anos, inquiridas pela empresa de estudos de mercado argentina Datos Claros em 14 países da Europa, América do Norte, América do Sul e Ásia. (…)»


E se em vez de metro, homo, hetero, retro, bi ou neo, procurassem apenas o homem, ou a mulher, ou, ainda melhor, a pessoa?
Esta necessidade, absurda, de rotular, de catalogar, de arrumar é, no mínimo, um sintoma de que não conseguimos sobreviver sem nos expormos de forma contínua e artificial. Esta preocupação, doentia, em nos enquadrarmos numa qualquer embalagem, muitas das vezes sem termos a noção do que isso é, parece-me redutora perante a possibilidade, que devíamos aproveitar, de sermos apenas nós próprios, esquecendo espelhos que mais não são que espartilhos a um desenvolvimento salutar das personalidades que, desejavelmente, deviam esclarecer exactamente aquilo que somos e desejamos e não reproduzir meras imagens de gosto duvidoso.
A imagem, por muito agradável à vista que seja, não passa disso mesmo, uma mera imagem quantas vezes reflectida num espelho danificado.
E depois todos nos lembramos, ou devíamos lembrar, do que aconteceu à madrasta da Branca de Neve!

Il Postino


Serão, os inspirados poetas, capazes de se chegarem à simplicidade de um homem que é grande mesmo sem o saber?
Serão, os fazedores de palavras, capazes de se reverem na naturalidade daqueles que os motivam?
Estarão, os imortais, conscientes da enormidade daqueles que passam despercebidos, não por serem menores, mas por serem, de facto, a verdadeira bomba que movimenta o coração?
Será, um homem simples, capaz de mexer no mundo, de o fazer avançar, de lhe dar razão, de transformar a simplicidade na maior beleza possível?
Sim, é!
Basta ver estas imagens e imediatamente saberemos que a vida não se extingue depois de, aparentemente, ter acabado, muitas vezes é aí que abrimos a oportunidade para, verdadeiramente, a conhecermos.

«Algum dia, em qualquer parte, em qualquer lugar, indefectivelmente, encontrar-te-ás a ti mesmo e essa, só essa, pode ser a mais feliz ou a mais amarga das tuas horas»
Pablo Neruda

Galeria do Nunca (23)


Dante Gabriel Rossetti
Beata Beatrix - 1864/1870

terça-feira, 10 de março de 2009

Boris


Há 89 anos nascia Boris Vian!

«(...)Y a du soleil dans la rue
J'aime le soleil mais j'aime pas la rue
Alors je reste chez moi
En attendant que le monde vienne
Avec ses tours dorées
Et ses cascades blanches
Avec ses voix de larmes
Et les chansons des gens qui sont gais
Ou qui sont payés pour chanter(...)»

O rabejador


Nesta grande tourada, tenho-me sentido mais como o rabejador do que como o pegador de caras!

Tibete


Há 50 anos que não o deixam ser no seu país!!!

Acenando...


Às vezes sentimo-nos esmagados, sem capacidade para dar mais um passo, para erguer os olhos, para levantar a cabeça. É como se todo o peso do mundo nos esmagasse perante uma impossibilidade, provocando-nos as dores mais universais, porque, com efeito, são aquelas que, fisicamente não se sentem.
Olhamos à nossa volta e não conseguimos ver os caminhos, embora eles ali estejam, a pedir-nos que os sigamos. Volteamos e volteamos sem que o discernimento nos acompanhe, sem que a bússola nos faça parar e seguir.
Sabemos, ainda bem, que o desnorte é passageiro, mas não conseguimos deixar de pensar na possibilidade do dia em que os olhos se vão fechando e a nossa capacidade de escolha se limite a um pestanejar longo ou lento, a um balbuciar quase inaudível que mais não fará que ajudar a que a palavra se desvaneça por completo, se extinga inexoravelmente. Até lá vamos levantando um braço após o outro e continuando a acenar para que alguém nos veja e retribua.
Enfim…

Galeria do Nunca (22)


Eugène Delacroix
A Liberdade Guiando o Povo - 1830

segunda-feira, 9 de março de 2009

A nossa verdadeira dimensão


Andamos completamente cegos com tanta soberba à solta, com tanta falta de humildade, com tantos deuses com pés de barro.
São tantas as vidas que se constroem baseadas em desavenças, em invejas e mesquinhices.
Não damos atenção a sinais pequenos mas enormes no seu significado. Não vemos o que estragamos todos os dias. Não olhamos para o outro, não lhe damos a importância que tem. Não o consideramos, porque, normalmente, estamos cheios de nós, da nossa relevância que, no fundo, é sempre irrelevante perante as grandezas verdadeiramente grandes.
Ontem estive a reler Cosmos de Carl Sagan e, mais uma vez, tive a revelação exacta da nossa dimensão e mais uma vez constatei que Sagan foi, para além dum excelente divulgador da ciência cósmica, uma voz directa e incisiva no dimensionamento da nossa existência. Deixou-nos verdadeiros ensinamentos que não devíamos ignorar em nenhum segundo das nossas vidas. Não passamos de seres animados que vivem numa minúscula «partícula de poeira suspensa num raio solar.»
Se alcançarmos essa sabedoria e interiorizarmos essa noção talvez, então, possamos ser felizes…