quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Anormalidades ?


No CM:

«“A homossexualidade não é normal”, diz D. José Saraiva Martins
(...)Apesar de respeitar a dignidade humana dos homossexuais, D. José Saraiva Martins, que tem assento no Vaticano e que participou no Concílio que elegeu o Papa Bento XVI, entende que “a homossexualidade não é normal”. Uma afirmação que justifica com o facto de na Bíblia estar escrito que quando Deus “criou o ser humano, criou o homem e a mulher”.(...)»

Mais um elemento do alto clero português que desata a língua, deixando, no entanto, que o nó que tem preso no cérebro lhe tolde aquilo que, por principio, a Igreja tenta ensinar aos seus seguidores, a tolerância e o amor pelo próximo. Ou será que os homossexuais não fazem parte desse próximo?
E já agora, pergunta parva mas que me assalta neste momento, se Deus criou homem e mulher e lhes ofereceu a instituição do matrimónio, porque será que não permite o casamento aos seu representantes na Terra? Será porque estes também não são normais?

Partir o espelho


Até onde estaremos dispostos a ir pelos outros?
Quão grande será o nosso altruísmo?
Qual a verdadeira dimensão do nosso ego?
Será que o conseguimos dominar?
Dominar aquilo que nos acalenta o brio? Aquilo que nos faz sentir o orgulho? Aquilo que nos forma a personalidade, nos enforma, deforma...?
Abrir mão de nós mesmos é difícil. Abrir as mãos e soltar um sorriso, dá-lo, sinceramente, ao outro, libertá-lo sem retorno, sem esperar recompensa!
É possível? É real? É quimera?
O que nos vem mostrando o mundo, as pessoas, as suas atitudes, é que nunca seremos capazes de olhar os olhos dos outros de forma completa, absoluta, límpida.
É assim a condição humana? Será esse o sentido da vida?
Só conseguimos ver o que se passa à nossa volta pelos nossos olhos, pelas nossas cores. Por muito que queiramos acreditar que somos pelos outros, nunca o seremos verdadeiramente enquanto aqueles forem vistos e sentidos apenas através dos nossos olhos... enquanto reduzirmos o mundo apenas à nossa (falta de) visão!
Talvez o consigamos quando partirmos os espelhos e deixarmos que a imagem do outro se reflicta nos nossos olhos.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A Resposta?


«(...)- Que se pode fazer se não se pode vender nada - repetiu a mulher
- Então já será 20 de Janeiro - disse o coronel, perfeitamente consciente. - Os vinte por cento são pagos no mesmo dia.
- Se o galo ganhar - insistiu a mulher. - E se perder, você não pensou que o galo pode perder.
- Um galo desses não pode perder.
- Vamos supor que perca.
- Faltam ainda quarenta e cinco dias para pensar nisso. - disse o coronel.
A mulher desesperou-se.
- E, entretanto, que vamos comer - perguntou e agarrou o coronel pelo peito da camisa. Sacudiu-o com força:
- Diga, que vamos comer.
O coronel precisou de setenta e cinco anos - os setenta e cinco anos da sua vida, minuto a minuto - para chegar aquele instante. Sentiu-se puro, explícito, invencível, no momento de responder:
- Merda.»


Gabriel García Marquez - Ninguém Escreve ao Coronel

E a nós, a quem o galo parece definhar lentamente. O que será que nos resta?

A volta está concluída


Por aqui ainda a volta estava em andamento!
Agora o livrovoltou a casa! São, salvo e, decerto, com muitas histórias para contar!
Parabéns a todos os que nela participaram!

Back on the chain gang


Estão a passar na rádio agora. Fazem-me lembrar uma espécie de salto que dei no final da minha juventude, quando, já cheio de sinfonismo no rock que ouvia, decidi partir por outros caminhos. Não estava bem certo do que era o punk, que, confesso, me assustava um pouquinho, não estava também numa nova onda, que me parecia muito flat em termos musicais. No entanto estava precisar de ouvir algo de novo, algo que me entusiasmasse para além das longas tiradas de teclados, dos intermináveis solos de guitarra. Algo que fosse mais ligeiro, mais imediato, mas, ao mesmo tempo, que transmitisse o conforto de uma audição suave e melódica.
Na montra da discoteca lá estava ele. A capa era simples, três homens com roupa escura e uma mulher de vermelho. No fundo branco, uma palavras sobressaía, Pretenders. Entrei, comprei, ouvi e conclui (avant la lettre), I'm back on the train, back on the chain gang!

Galeria do Nunca (7)


Almada Negreiros
Retrato de Fernando Pessoa - 1954

Correntes d'Escritas


Decorreu por estes dias uma das mais nobres iniciativas realizadas em Portugal sobre a escrita e os escritores. Já vai na sua décima edição e congrega muita gente ligada a esta coisa das letras. Editores, escritores, jornalistas da área. É um evento que já ganhou, justamente creio eu, contornos de obrigatoriedade. Chama-se Correntes d’Escritas e realiza-se na Póvoa do Varzim. Trata das palavras escritas nas línguas que Camões e Cervantes imortalizaram, nas expressões que Garcia Marquez, Amado, Borges, Pepetela, Craveirinha, Saramago, Ballester e tantos outros continuaram.
Parece-me, sem nunca lá ter ido, que deve ser um local bonito, calculo que seja bom lá ir, ouvir, ver, saber, possivelmente até ler.
Acho apenas que devia ter mais visibilidade, maior divulgação, sob pena de se ficar por uma iniciativa meramente corporativa, não chegando ao grande público, aquele que se devia motivar a ler, a ler a sério!
Às vezes as correntes podem servir apenas para prender…esperemos que não tenha sido este o caso!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Jornalismo???!!!!


Só agora, há poucos minutos atrás, tive oportunidade de ver a peça que passou no Jornal Nacional da TVI na 6ª feira da última semana, sobre o cartaz da JSD em que José Sócrates é apelidado de Pinócrates. Acerca do cartaz já me pronunciei aqui. O que me interessa agora, e me repugna, foi o que acabei de ver. Se a minha opinião sobre a TVI, a sua forma de fazer jornalismo e esta senhora em particular, não eram muito positivas, neste momento estou completamente esclarecido! Isto não é jornalismo, isto não é factual, isto não é sério, isto é, verdadeiramente, uma atitude de pocilga, uma autêntica MERDA!!!

Happy Goth


Uma menina, talvez com 7 ou 8 anos, vestida normalmente, pelo menos sem nenhum sinal destoante perante aquilo que é considerado normal numa menina dessa idade. Ia de mão dada com uma senhora, que julguei ser sua mãe, aparentando cerca de 30 anos. Esta vestia de preto, carregado, usava cabelo vermelho vivo, botas Doc Martens, meias riscadas pretas e brancas, com um blusão de cabedal adornado de correntes. A juntar a isto tinha também alguns piercings espalhados pela cara, calculo que também usasse tatuagens, embora não tivesse confirmado nenhuma!
Esta cena, presenciada no último fim de semana, não tem, muito provavelmente, significado especial. Fez-me pensar, no entanto, se não estaremos perante uma mudança de paradigma a nível das atitudes. Ou seja, é normal os filhos serem rebeldes, tomarem atitudes de ruptura perante o mundo dos seus pais, fazerem valer, ou pelo menos tentarem, os seus ponto de vista, normalmente antagónicos perante aquilo que a geração anterior personificou. Neste caso o que me chamou a atenção foi o facto de estarmos ao contrário. A filha normal, a mãe rebelde, ou talvez não fosse nada disso!?
Pode ser só uma questão de imagem e não ter outro significado. Ou então, como nos diz Neil Hannon, é apenas um contra senso e esta é uma gótica feliz!!!

«(...)Well her clothes are blacker than the blackest cloth
And her face is whiter than the snows of Hoth.
She wears Dr. Martens and a heavy cross,
But on the inside she's a happy goth.(...)»

Ou, porque é que cada vez gosto mais dele!


Retirado daqui:

«Peter Gabriel deu um “não” aos Oscares. Ou, para sermos mais precisos, declinou o convite para actuar na cerimónia de dia 22. O motivo? O facto de ver a sua actuação reduzida a 65 segundos(...), mas adiantou que estará presente na sala.(...)»

Sem dúvida uma das mais bonitas canções que, nos últimos anos, está a concurso. No entanto, por isso mesmo, não precisa de estatuetas para provar o seu real valor!
Já agora acrescento que Wall E foi, igualmente, um dos melhores filmes a que assisti nos últimos tempos!

Galeria do Nunca (6)


Peter Paul Rubens
A Queda de Féton - 1604/1605

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

444


Sei que ficava ali na Avenida Defensores de Chaves, creio que muito perto do Campo Pequeno. Já não me recordo bem. Fui lá poucas vezes. Lembro-me de uma. O filme era o Barry Lyndon do Stanley Kubrick. Filme grande, extenso e intenso. Demorado para uma sala que, naquela altura, já não oferecia grande qualidade de assentos.
Estúdio 444, sala discreta, tão discreta que hoje, se lá passar, acho que não a consigo identificar. Não me ficou mais memória, tal como outras que se vão perdendo, nesta Lisboa tão desmemoriada!
Bom fim de semana!

A Trick of the Tail


Hoje, dia em Peter Gabriel completa 59 anos, li algures que o primeiro disco dos Genesis pós-Gabriel, A Trick of the Tail comemora igualmente o seu lançamento, há 33 anos atrás. Parece-me, no entanto, que não será exactamente assim. Que foi, segundo a página oficial da banda, no dia 2 de Fevereiro, embora também tenha lido, num outro sitio, que foi no dia 20 de Fevereiro. Para o caso tanto faz, o que interessará reter é esta coincidência temporal de aniversários, realçando a grandiosidade da obra de uns e de outro e a possibilidade, aqui relatada, de uma nova reunião.Como grande admirador da banda e do seu líder natural, fico com uma enorme expectativa.
Para comemorar estas datas, irei hoje ouvir algumas das canções que me ajudaram a atravessar a adolescência. Aquelas em que se podia ouvir a voz de Gabriel. Concedo, no entanto, uma excepção a esta regra. Exactamente este A Trick of the Tail!

Peter Gabriel - 59 anos!

Walking across the sitting-room, I turn the television off.
Sitting beside you, I look into your eyes.


Cuckoo cocoon have I come to, too soon for you?

Today I don't need a replacement
I'll tell them what the smile on my face meant
My heart going boom boom boom
"Hey" I said "You can keep my things,
they've come to take me home."


If looks could kill they probably will
In games without frontiers-war without tears


Anne, with her father is out in the boat
riding the water
riding the waves on the sea


I can feel it in my bones
that blood of eden keeps rushing through me
taking back what it owns


Downside up
Upside down
Take my weight off the ground
Falling deep in the sky
Slipping into the unknown


one by one
you watch them fall
and wonder where they're falling to

Galeria do Nunca (5)


Leonardo da Vinci
La Gioconda - 1503/1506