sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

No universo encantado da adolescência


Inspirado pelo que li aqui, entrei numa espécie de máquina do tempo e voltei aos meus primeiros anos da adolescência, quando os Genesis e o seu universo sonoro, onírico, fantástico, ocupavam todos os meus minutos verdadeiramente úteis. Aqueles vinis negros que eu, muito cuidadosamente, ia limpando de cada vez que os colocava no gira-discos. Aquelas capas enormes que eu admirava cada vez que ia ouvindo os sons que me encantavam. Aquele universo que eu, inocentemente, ia ligando a uma atmosfera sombria e densa, mas muito encantatória, que eu imaginava ser a de Londres, que eu acabei por descobrir ser a da minha Londres!
Foram momentos muito belos, em que me fui descobrindo, em que me fui formando e em que aprendi a desfrutar da melhor música do universo. Pelo menos do universo que criei a partir da beleza que, também, os Genesis me quiseram oferecer.
E para além da música e das palavras, de tudo o que elas contêm, um outro membro dos Genesis me ajudou a tanto gostar! Paul Withehead!
Não tocava, não compunha, não cantava, mas desenhava as imagens que muito me tocavam igualmente. Desde a figura do Chapeleiro Louco que ilustrava a marca da editora The Famous Charisma Label, até às capas de Trespass, Nursery Cryme ou Foxtrot!
Deixo aqui uma composição do mesmo artista, que agrega em si todo o universo encantado da música dos verdadeiros Genesis!

Marcas na História (50)


A História marca os nossos dias. Todos os nossos dias. Todos os momentos das nossas vidas devem ser entendidos como marcantes, como algo que devemos guardar na memória, de que nos devemos lembrar e sentir, como forma de nos mantermos vivos, actuantes, pessoas. Por isso deixo aqui esta ideia de que a maior Marca da História é o dia de hoje, como foi o de ontem e será o de amanhã. Porque nem só dos factos ditos relevantes é feita a vida, aliás, esta é construída, sobretudo, a partir dos instantes a que não damos muito importância, mas que são aqueles que nos fazem ser!

Regresso


O prometido é devido! Ei-los de volta! No dia 11 de Julho irei, com toda a certeza, confirmar aquilo que previ em 25 de Maio de 2007!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Na gaveta...


Guardado na gaveta desde 4 de Fevereiro de 1983:

Ao chegar a casa tirou o casaco, pendurou-o no bengaleiro. Sentia-se ligeiramente atordoado.
Dirigiu-se à sala. Vazia!
Rumou à cozinha. Vazia!
Bateu na porta da casa de banho. Abriu-a. Vazia!
No quarto notou um vulto deitado. Pensou ser Ana. Estava escuro, chegou-se à cama. Recuou assustado enquanto o gato se esgueirava por entre os lençóis.
Estranhou. 7.30 e ninguém em casa. Costumava estar cheia aquela hora.
Dirigiu-se à sala. Ligou o rádio. Tocava aquela música conhecida... daquele tipo negro... não conseguia lembrar-se do nome.
Pegou numa revista, começou a folheá-la.
8 horas, ninguém ainda. Era hábito estarem a jantar a esta hora. Mas nem sentia fome. Só uma sensação de estranheza.
Puxou do maço de cigarros. Acendeu um com uma dificuldade fora do comum. Soltou uma longa baforada quase sem a sentir.
No rádio continuava a passar a mesma música. Há meia hora!!!
Às 9 horas preocupou-se. Pegou no telefone e ligou para casa dos pais...? Dos sogros...? Para o hospital...? Para a policia...? Sem sinal! O aparelho deve estar avariado! Ainda de manhã estava bom.
Ligou o televisor. Uma imagem de guerra ocupava todo o ecrã. Fixa num tiroteio. Com a morte ocupando todo o espaço.
Às 9.30 ouviu a chave a rodar na fechadura. A porta a abrir-se.
Ana, os pais, os sogros, até o Damião...todos de negro, todos calados, todos sombrios.
Dirigiu-se-lhes. Passaram por ele sem lhe falarem.
Sentaram-se na sala. Calados. Não baixaram o volume do rádio, onde se continuava a ouvir a mesma música. Lembrou-se então que o aparelho se tinha avariado naquela manhã.
Alguém disse, que pena!
O quê? - perguntou. Ninguém lhe respondeu!
Sentiu-se agoniado! Correu para a casa de banho! O gato estava empoleirado no lavatório mirando-se no espelho.
Abriu a torneira e olhou-se também...
Estacou! O gato continuava a olhar-se no espelho... sozinho!

Em trânsito


Descobri no Verão passado, graças a uma amiga, a escrita de José Eduardo Agualusa. Li com surpresa e gosto o seu Vendedor de Passados. Rendi-me então a uma escrita escorreita, a uma história densamente povoada de fantasmas fantásticos, de enredos sabiamente construídos, de uma imaginação contagiante. Gostei! Gostei muito! Agora peguei num outro livro. Uma colecção de pequenos contos que nos transportam por viagens (im)possíveis, por lugares bonitos, por personagens gigantes na sua maneira de encarar a vida, de viver o mundo. Passageiros em Trânsito, assim se chama esta obra. Contos que nos convocam para a vida, que nos trocam os sentidos, que nos mostram que todos nós estamos em trânsito, em corridas ora lentas, ora céleres, feitas num caminho sem retorno, mas que, com alguma vontade e querer, podem ser enchidas de poesia e beleza.
É assim esta escrita de Agualusa, poética, fantástica e muito, muito bela!

Marcas na História (49)


Albert Einstein, 1905 - E=mc²

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A Juventude Irrequieta? Ou apenas imbecil?


A luta politica é suja, todos nós o sabemos. As intrigas da corte são muito antigas. Os golpes baixos, feitos às escondidas, são mais que muitos. As campanhas negras não foram descobertas só agora.
Creio no entanto que, na politica como em tudo na vida, o respeito pelo adversário deveria ser ponto de honra. Deviam, por isso, ter a decência, sobretudo às claras, de nos fazer acreditar que, pelo menos os mais jovens, apesar da sua natural irreverência, não embarcaram já pela estupidez grosseira!
Este cartaz é, no mínimo, infeliz!

O Carteiro de Cavaco Silva


«Lisboa, 03 Fev (Lusa) -- O Presidente da República vetou hoje a alteração à Lei Eleitoral que punha fim ao voto por correspondência dos emigrantes(…)»
Mais uma vez o nosso, sempre atento e perspicaz, presidente, toma em mãos a gestão da crise, pelo menos de alguma crise.
Consegue, desta forma, garantir que os carteiros (profissão em perigo de extinção) mantenham os seus empregos, ao mesmo tempo que dinamiza a arte filatélica e o correio tradicional, embora tenha aderido recentemente ao Twitter e ao YouTube. E já agora, quem sabe, até pode inspirar um romance do tipo O Carteiro de Cavaco Silva!

Descoberta!


Stephen Hero é o nome de uma obra, póstuma, de James Joyce. É um livro autobiográfico que contém muitas das ideias que o escritor, ainda em vida, explanou em O Retrato do Artista Enquanto Jovem.

Stephen Hero é o nome de uma banda imaginada pelo músico Patrick Fitzgerald, outrora membro e mentor dos Kitchens of Distinction, grupo pouco conhecido por estes lados, mas de uma qualidade assinalável.

Há poucos dias liguei o rádio, sintonizado na Radar. Aí, António Sérgio mostrava-nos, como sempre foi seu hábito, músicas que raramente conseguimos ouvir noutro lado. Duas das músicas que ouvi ficaram-me, muito, no ouvido. Uma voz inquietantemente contagiante, acompanhada por sons que me tocaram imediatamente, ressaltou de entre todas.
Tentei perceber quem cantava. Ontem descobri. Stephen Hero era o seu nome, as músicas chamavam-se My Beautiful One e Foolish Things. O disco, onde se podem encontrar, chama-se Darkness and the Day.
Ao pesquisar algo mais, deparei-me com estas palavras:
«(…)Fitzgerald ploughs a melodramatic pop groove, somewhere between David Bowie and The Divine Comedy (…)», escritas na Q Magazine em Abril de 2002, ano em que este disco foi editado.
Melhores referências eram impossíveis!
Comprei-o ontem e ainda não parei de o ouvir! Não vou parar tão cedo!

Marcas na História (48)


21 de Novembro de 1887 - Thomas Edison e o Fonógrafo

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O som das bicicletas


Nunca fui um grande apreciador dos Queen. É verdade que achei graça a algumas das suas criações, sobretudo dos primeiros tempos, mas também sempre achei que eram muito seguidistas. Ou seja, alinhavam em tudo o que estava na moda! Fizeram canções dentro de todos os estilos que iam aparecendo, nunca se definindo concretamente, ou melhor, definindo-se como uma espécie de cata ventos do que estava na mó de cima. É, na verdade, uma opção tão legitima como qualquer outra, se bem que, na minha opinião, não engrandeça quem a toma.
Vem isto a propósito de uma música desta banda a que me afeiçoei no exacto momento em que a ouvi. Lembro-me que foi num dia chuvoso dos primeiros de Dezembro em 1978, enquanto esperava pelo início do casamento de uma prima minha. Na rádio do carro soou então uma música nova. O som era agradável, uma novidade em termos de arranjos, embora tivesse a marca usual da banda. Ao contrário do que costumava acontecer, gostei logo dela. Mais tarde vi o disco em que vinha incluída e o poster que nele era oferecido. Era, sem dúvida, uma novidade naquele Portugal ainda a viver uma democracia imberbe!
Ah, é verdade, a canção chamava-se Bicylce Race!

Marcas na História (47)


6 e 7 de Março de 1975 - Pavilhão de Cascais
Genesis ao vivo em Portugal

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Deixem-no jogar!!!


Apesar de todas as promessas, de todos os floreados, de algum salero até, o meu Benfica não tem tido, aparentemente, melhoras assinaláveis. No entanto, e se calhar adivinhando algo fora do comum, no sábado fui à Luz, onde já não ia há quase cinco anos!
E se o jogo foi mau, se futebol praticamente não se viu, senti-me compensado! Deixaram o Mantorras jogar e ele agradeceu! Tal como nós!

Marcas na História (46)


Galileu Galilei - E, no entanto, ela move-se!

No Museu da Cidade


Às vezes há momentos tão simples, tão singelos, tão inteiros e verdadeiros que, mesmo quase sem disso nos apercebermos, nos completam e nos oferecem uma plenitude extrema!
Ver um sorriso de criança sincero, enorme, feliz, faz com que saibamos, naquele momento exacto, que a vida vale a pena, mesmo que seja só para manter vivo esse sorriso!