segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

No Museu da Cidade


Às vezes há momentos tão simples, tão singelos, tão inteiros e verdadeiros que, mesmo quase sem disso nos apercebermos, nos completam e nos oferecem uma plenitude extrema!
Ver um sorriso de criança sincero, enorme, feliz, faz com que saibamos, naquele momento exacto, que a vida vale a pena, mesmo que seja só para manter vivo esse sorriso!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A crise dos casamentos


Afinal parece que o problema maior não é a crise financeira, não são as falências sucessivas, não é o desemprego! Afinal o Sr. Presidente explicou tudo! O surgimento de novos pobres deve-se, sobretudo, à permissividade que a lei do divórcio veio proporcionar ! Afinal parece que a solução até é simples! Acabam-se os divórcios e diz-se adeus à crise!!! Senhores legisladores, porque esperam?

As pontes do Porto


Sou lisboeta. Melhor, sou arrabaldino, mas convictamente lisboeta! Aqui vivo, aqui fiz grande parte dos estudos, aqui nasceram meus filhos e minha mulher, aqui conheço e sinto cada pedaço de rua, cada edifício que me encanta, aqui saboreio cada momento que me atrai nesta cidade tantas vezes maltratada, mas com um coração maior que o mundo, com uma história ímpar e com aquela luz que habita em cada um de nós, que dela tanto gostamos!
Apesar de sentir Lisboa como nenhum outro sitio, gosto de viajar e conhecer outras cidades, cá dentro e lá fora. Normalmente dou por mim a gostar mais de Lisboa cada vez que me descubro noutros locais. Porque não consigo evitar a comparação. De qualquer forma há vários outro lugares que me foram conquistando, o Porto por exemplo. Não alinho em guerrilhas parolas do tipo Lisboa vs. Porto. Antes pelo contrário, sou por um Porto igual a si próprio, por um Porto que sabe viver na sua grandiosidade e na sua pequenez, nas suas avenidas, nas suas ruelas, nas suas histórias e também no seu provincianismo. Num Porto que se chega ao seu rio, tal como se abre perante o mar que lhe bate as costas.
O Porto não é contra Lisboa, tal como o Lisboa se deve orgulhar de ser irmã do Porto. É por isso que me sinto na obrigação de expressar um desejo muito sincero, usando as palavras de um tripeiro muito badalado:

«Que nunca caiam as pontes entre nós!»

Um mundo desaparecido


Este era discreto, passava quase despercebido. Ficava ali muito quietinho, entalado entre dois prédios que mal o deixavam respirar. A sua cave albergava uma discoteca que, possivelmente, lhe tirava a hipótese de algum protagonismo, embora não me pareça que procurasse isso. Também foi uma sala única, com tamanho suficiente para competir com algumas outras salas que por aqui existiam. Depois, cortaram-no, dividiram-no em três, como aconteceu noutros lados.
Vi lá alguns dos melhores filmes da minha vida, Ran do Kurosawa, Room With a Viem de Ivory, Full Metal Jacket de Kubrick, por exemplo. Também por lá passaram actores ao vivo, teatro a sério. Hoje já fechou, como tantos outros de que gostávamos, nesta Lisboa que os parece querer esquecer.
Bom fim de semana!

Cartaz Tintin

A estreia está prevista para daqui a dois anos.
As filmagens devem iniciar-se no próximo mês.
O primeiro cartaz já está cá fora:

O reflexo do melhor do mundo!


No DN de hoje:

«Mau feitio de Cristiano Ronaldo volta a traí-lo perante os adeptos
(…)
vê-se o português a festejar com alguma raiva e, de seguida, virado para os adeptos por trás da baliza, a gritar: "Filhos da p...".
(…)
Este episódio recupera um outro de 2005, no Estádio da Luz, (…). Na altura, irritado, o português mostrou o dedo médio aos espectadores nas bancadas.(…) Mais recentemente, em Outubro de 2008, outro gesto do jogador causou polémica: gestualmente, pediu aos adeptos, no Estádio Municipal de Braga, que se calassem (…)»


O melhor do mundo, continua a não se saber comportar!
Se, como dizem os seus acérrimos defensores, ele não precisa de saber falar, não precisar de saber escrever, não precisa de saber comer, etc. etc., porque é, simplesmente, o melhor naquilo que faz, jogar futebol, talvez devessem avisá-lo que respeitar quem vai assistir aos seus jogos, quem, directa ou indirectamente, lhe proporciona o insultuoso vencimento de que usufrui, também faz parte do jogo de futebol!
Se bem que quem só se preocupa com a sua fútil imagem, quem só tem olhos para si próprio, nunca saberá que as outras pessoas, mesmo que não sejam as melhores do mundo, são sempre mais importantes que uma imagem devolvida por um espelho, que não passa dum mero reflexo!

Bloody Sunday


Há 37 anos em Derry City (ou Londonderry), paraquedistas ingleses transformaram uma manifestação pelos direitos civis, num dos episódios mais macabros e indesculpáveis de toda a longa luta entre republicanos e lealistas, entre católicos e protestantes, entre o bom senso e a estupidez, entre a vida e a morte!

«(...) How long, how long must we sing this song? (...)» (U2, Sunday Bloody Sunday)

A Sort of Homecoming


Os U2 são, talvez, o último super-grupo ainda em actividade. Se bem que, na minha simples opinião, essa actividade não traga nada de novo. Dito assim até parece que não gosto desta banda. Não é verdade! Gosto! Comedidamente, mas gosto. Têm músicas simpáticas, muito audíveis, trauteáveis e, algumas delas, até acrescentam alguma coisa a uma hipotética história (relevante) da música popular. Mas, creio, desde meados da década de 80 que não trazem relevância assinalável. Aliás, atrevo-me a afirmar que foi quando a sua fama se alargou, de forma evidente, ao lado de lá do Atlântico, que os U2, realmente, se perderam! Tenho para mim que Boy, October, War e sobretudo The Unforgettable Fire, contêm tudo o que vale a pena ouvir!
A confirmar esta minha convicção vejo hoje titulado no DN:

«U2 sem grandes surpresas num álbum introspectivo»

O que reforça, de algum modo, aquilo que venho pensando. Quando engordamos e nos sentamos à sombra da bananeira, podemos continuar a facturar e a ter milhões de aficionados, mas acabou-se a inovação, a renovação, o golpe de asa!
E se Bono e seus comparsas têm feito imenso na tentativa de resolução, ou de chamada de atenção para alguns dos mais graves, e aparentemente irresolúveis, problemas que atravessam o nosso planeta, a sua música nunca mais conseguiu voltar a patentear o antigo orgulho! Talvez esteja na altura de assumirem A Sort of Homecoming!

Marcas na História (45)


30 de Janeiro de 1969 - Concerto dos Beatles no telhado da Apple!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Touradas em Alcochete (II)


Afinal, desta vez, o toureiro até fez uma boa faena!

Touradas em Alcochete


Alcochete tem andando nas bocas do mundo por estes dias! Até os ingleses querem perceber melhor o que se passa naquela vila ribeirinha, com tantas tradições taurinas!
A propósito de touros, parece-me que há alguém, conhecido de todos nós, que se deve sentir quase como um toureiro antes de entrar na arena.
Um pouco como David Sylvian descreveu numa das suas mais bonitas canções e que se chama, exactamente, Before the Bullfight:
«(...)
When all's forgiven
Still every fault's my own
I will take my turn
To fight the bullfight
Say a prayer for my release
When every hope in the world is asleep
And my strength will return
To fight the bullfight»

Tintin no cinema

Segundo as últimas noticias,

Este:

Será este:


Este:

Será este:


Estes:

Serão estes:


Agora, tenho cá para mim, que a magia natural das Aventuras de Tintin dificilmente se repetirá, simplesmente porque,
Este:

Não é este:

Marcas na História (44)


24 de Novembro de 1859 - A Origem das Espécies (On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life), Charles Darwin

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Pollock

E do caos virá a harmonia...


Jackson Pollock nasceu há 97 anos

Estrada Fora


Depois de nos apercebermos que a morte nos virá visitar, durante quanto mais tempo é possível segurar a vida?
Se a conseguirmos ver, em toda a sua dimensão, será que conseguimos recuar?
Ou será a vida mais forte?
A verdade é que a vida é só esta corrida, esta corrida ora lenta, ora sôfrega, que nos leva para os braços eternos da senhora de negro.
A verdade é que não estamos aptos a parar a corrida, a trocar de caminho, a iludir a estrada.
A verdade é que o sentido é único. Sem recuos, sem sobressaltos, sem desvios.
Resta, por isso, ir florindo as bermas desta estrada, poder olhar-nos e aos outros, estender as mãos, colher um sorriso, pegar numa mão, piscar os olhos confundidos pela luz do Sol.
Aproveitar o dia, roubar um beijo, erguer as mãos e receber a água que desce dos céus.
E perceber que a vida cresce em vez de se dissipar em fumo. Saber que, afinal, a estrada pode ter muitos atalhos e que, mesmo não iludindo o fim, o podemos colorir se, no seu percurso, soubermos que a felicidade, mais que uma conquista impossível, é apenas um estado de alma ao alcance de um simples bom dia sincero!