segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Merry Christmas - Band Aid


Esta não é uma improvável canção de Natal! Este é, isso sim, um grito para evitar que haja Natais improváveis! Tal como dizem na canção, há muitas pessoas, muitas crianças, que não sabem que há Natal, que não sabem o que é amor, um colo, um carinho! Para esses é que o Natal devia significar tudo isso todos os dias!
Bob Geldof juntou uns amigos, fizeram esta canção, engraçada, com as vozes que, na altura, reinavam nos tops. Hoje, tantos anos depois, continuamos a constatar que o Natal ainda não é quando o Homem quer. Pelo menos para as pessoas a quem a canção é dedicada!

O Mundo do Calçado


Ontem Bush foi alvo de um atentado!
Ontem Alegre tentou acertar no seu alvo preferido dos últimos tempos!
A Bush atiraram-lhe sapatos!
Alegre disparou apenas palavras!
Bush, apesar da sapatada, vai descalçar uma grande bota!
Alegre parece querer tirar os sapatos a alguém a quem devia, em vez disso, oferecer uma calçadeira!
Bush ficará mais descansado, descalço ou de pantufas!
Alegre prepara-se, talvez, para não conseguir descalçar todas as botas que teima em calçar sem olhar a pés!

Ou seja, um verdeiro Mundo do Calçado!

O senhor Scott


Foi uma das minhas grandes companhias durante os anos 80. Passámos muitas horas juntos. Como que descobri uma nova forma de ouvir música com as canções que ele me foi oferecendo. De entre todos aqueles que despontaram naquele início de década, foi este Mike, que mais me conquistou. Ele e os seus amigos Waterboys, ele e os seus discos The Waterboys, A Pagan Place, This is the Sea, Fisherman’s Blues, Room to Roam e Dream Harder.
Ele as suas canções imortais, A Girl Called Johnny, Gala, December, Glastonbury Song, Rags, Old England, Preparing to Fly, The Big Music, Red Army Blues, Sweet Thing, The Stolen Child, Wonders of Lewis e tantas, tantas outras.
Não terá gostado das luzes da ribalta, ele que tantas vezes se escondeu, se refugiou na sua Escócia natal ou na sua vizinha Irlanda. Ele que tantas vezes bebeu nessas paisagens os sons e as palavras que depois nos daria. Felizes, duras, suaves, destroçadas, no entanto todas elas grandes, todas elas fortes, todas elas do tamanho de uma lua imensa que, graças a ele, todos nós podemos contemplar com um imenso prazer!
Fez ontem 50 anos este senhor Scott!

«I have heard
the big music
and I'll never be the same
something so pure
just called my name(…)»

Pelas boas causas


Vivemos numa desenfreada era onde tudo se compra e tudo se vende, muitas das vezes sem olhar a escrúpulos, a necessidades mais prementes, a um humanismo que creio necessário em todas as actividades humanas, mas que amiúde não se consegue vislumbrar.
Também os clubes de futebol, ou em larga medida os clubes de futebol, não olham a meios para fazer mais dinheiro, tudo vendendo, tudo hipotecando em nome do deus cifrão. Tanto assim é que os ordenados e os dinheiros que se movimentam nesta actividade me parecem perfeitamente insultuosos perante as carências que a maior parte das pessoas experimentam. No entanto há uma excepção que acho por bem assinalar. O Barcelona, clube de grande dimensão e bem conhecido por todo o mundo, optou por não ter publicidade paga nas suas camisolas, prática que é utilizada por todos os outros clubes para angariarem mais dinheiro. Assim o Barcelona doou a sua camisola a uma causa que me parece bastante mais útil e humana. Por isso lhe quero aqui prestar uma homenagem, porque as crianças valem muito mais que qualquer craque vaidoso e inutilmente malabarista da bola.

No Ar (6)


Não me lembro exactamente das datas, mas tenho uma ideia muito concreta de que gostava bastante deste programa da Rádio Comercial que se chamava Mão na Música da autoria de António Macedo, locutor que continuo a reconhecer como dos melhores que já ouvi. Continua em grande todas as manhãs na Antena 1!

Marcas na História (19)


6 de Agosto de 1945 - Morte e devastação sobre Hiroshima

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Descendo a Avenida


Era um grande cinema! O maior de todos, creio. Se não em tamanho, certamente em significado, pelo menos para mim. Foi o cinema que mais gostei de frequentar, bonito, enorme, confortável, com uma localização magnífica. Lembro-me de descer, desde o Liceu Camões, em passo de corrida, a Fontes Pereira de Melo e a Avenida, de propósito para lá ir, no dia em que estreava o filme Hair. Por lá passei muitas horas e até mesmo quando o partiram continuei a gostar de lá ir, a sala 1 era (e é) impressionante!
Felizmente ainda hoje se mantém, não com a cadência filmica de outros tempos, mas pelo menos existe e ainda se pode ver e apreciar. De vez em quando ainda lá passam filmes.
Espero que esta nova Lisboa não o despeje definitivamente!
Bom fim de semana!

Cais das Colunas


Lisboa continua a ser muito maltratada! Por todos!
Aqueles que nela passam todos os dias, aqueles que nela vivem sem a verem, aqueles que nela mandam sem o saberem fazer!
Hoje as colunas voltaram ao cais, onze anos depois de terem sido dali retiradas!
Poderia isto ser uma forma simbólica de dizer que Lisboa vai voltar a ter luz, vida, pessoas a passarem e a ficarem. Mas tenho receio que assim não seja. Basta olhar para o Terreiro do Paço, uma das mais bonitas praças do mundo, que, apesar de nos querem tapar os olhos com as tardes de domingo, se mantém como a face visível duma Lisboa abandonada, de uma Lisboa vazia. Atentemos na Baixa, onde um comércio decadente nos vai mostrando o corpo definhante de uma cidade que já viveu bem melhor.
Pensemos nas ruas desertas que todas as noites percorremos nesta cidade quase fantasma.
Que bom seria que esta imagem bonita, cheia de uma luminosidade tão própria desta cidade, fosse um prenúncio de uma nova luz para Lisboa, daquela luz que habita nas pessoas que fazem as cidades!

Merry Christmas - The Pretenders


Na senda das improváveis canções de Natal, chego hoje aquela que, pelo menos até onde a minha memória conseguiu chegar, me aquece mais nestes dias friorentos. De uma banda a quem tributo um afecto especial, The Pretenders, um inesquecível 2000 Miles, para que neste, e em todos os Natais, possamos estar perto de quem gostamos, apesar de todas as distâncias.

No Ar (5)


Muitas foram as noites em que, com o ouvido colado ao pequeno rádio transístor, ia ouvindo as queixas, as desditas, as alegrias, até os insultos que os intervenientes no Passageiro da Noite, iam enviando ao Cândido Mota, que, normalmente, com uma paciência ilimitada, os ia escutando, aconselhando, conversando. Foi, talvez, a primeira linha S.O.S que existiu no nosso país. De tudo se ouvia ali, uma espécie de reality show avant la lettre, um escape para quem ia acumulando dores e queria desabafar. Até aquele dia em que o próprio locutor desabafou em directo e o programa acabou…

Marcas na História (18)


A Bíblia de Gutemberg - 1450/1455

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

100 ANOS


Incontornável é, no dia de hoje, este senhor! Chegar a esta idade com a sua lucidez e capacidade é, no mínimo, assinalável.
A propósito, há exactamente um ano, escrevi uma nota a que chamei Ignorâncias. Por a achar bastante actual e por dizer, no fundo, aquilo que sei e sinto sobre este senhor, proponho-lhes que a entendam como a minha forma de saudar os 100 anos de Oliveira.

Merry Christmas - Jona Lewie


Em 1980 surgiu uma canção que nunca pretendeu ser uma alusão à época natalícia, mas que, a propósito de uma breve frase expressa por um soldado inglês entrincheirado nos campos de guerra franceses durante a I Guerra, “I wish I was at home for Christmas”, se tornou na primeira e talvez única referência da corrente new wave pós-punk ao Natal. É mais uma improvável canção de Natal esta que Jona Lewie nos ofereceu.

No Ar (4)


No princípio dos 80 as manhãs de sábado eram passadas a ouvir o Júlio Isidro que a partir do Cinema Nimas, para todo o país, nos oferecia A Febre de Sábado de Manhã. Programa histórico que nos trouxe, ao vivo, muitas das bandas e músicos que despontavam na altura. Portugueses e de outras latitudes! Nunca as manhãs de sábado foram tão celebradas!

Suspensos...


Qual é a cola que une os pedaços de vida que vamos deixando cair a cada dia que passa?
Qual o milagre a que podemos almejar, quando vemos os bocadinhos de tempo que desejamos, ficarem para trás, perdidos num espaço que não nos deixa tempo para os rever?
Quando será que nos permitimos parar, suspender o tempo que ainda vamos tendo e descobrir que o minuto seguinte pode ser o tal? O que não podemos deixar fugir por entre os nosso dedos. Aquele que nos dá hipótese de o estendermos, de o prolongarmos, de o transformarmos no único momento decisivo, naquele único momento em que nos conseguimos ver por dentro e descobrir, afinal estamos vivos e não somos apenas mais um!
Assim seria se esse minuto não fosse só um minuto mais, que logo passa, continuando nós, outra vez, à sua procura e à procura do tal milagre.
Até conseguirmos suspender-nos! A nós e a todos os minutos que nos esperam.
Mas aí, nesse tempo, nesse espaço, já não estamos por aqui, mas lá, onde os milagres são possíveis, sem colas, sem tempo, sem espaço.
Suspensos...