terça-feira, 28 de outubro de 2008

A Arte do Fingimento (37)


Ian McKellen (Burnley, 1939)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O passeio público


Não sei quantas mil pessoas foram, durante este fim-de-semana, para a Avenida da Liberdade ver carros a queimarem combustível, a ultrapassarem os decibéis permitidos e a tornarem mais poluída uma das mais poluídas avenidas europeias!
Nesta cidade que temos, com os dias luminosos que o Sol nos ofereceu, deviam era ter mandado fechar a Avenida para as pessoas ali passearem à vontade! Sem ruídos, sem poluições, sem bulícios citadinos!
E pensar que naquele mesma zona já existiu o Passeio Público!!!

In the backseat


A sede de protagonismo que grassa, de forma quase lunática, na nossa sociedade é uma coisa que me deixa abismado. Todos querem, ou pelo menos gostavam, de ser capa de revista, de aparecer na televisão, de estender os tão apregoados 5 minutos de fama, por uma interminável exposição pública que lhes desse, a qualquer preço, um lugar cativo sob as luzes da ribalta. São pessoas que gostam de se ver ao espelho, que gostam de ser contempladas, admiradas, mesmo que não haja nada para admirar (e a maior parte das vezes não há mesmo!)
São poucos aqueles que se quedam pelo chamado low profile, que se contentam em olhar os outros para melhor se perceberem a si próprios e o mundo que os rodeia. São raros os que querem aprender mais e melhor, para mais e melhor conseguirem serem maiores! Por isso vemos tanta inutilidade à solta, tantas figuras emergentes serem queimadas à velocidade de um fósforo a consumir-se a si próprio! Têm uma tão grande voragem, que não deixam espaço para mais do que para um auto fagismo inconsequente e logo desprovido de um sentido minimamente inteligente.
Parece-me que muitos daqueles que se deixam, aparentemente, ficar na sombra, no banco de trás, saberão melhor aquilo que a vida terá de bom para lhes oferecer, aprenderão melhor o que é viver, admirarão melhor as paisagens que lhes surgem pela frente e aproveitarão o tempo para aprender o seu sentido.
Como, por exemplo, é possível fazer ouvindo a música e as palavras dos Arcade Fire:

“I like the peace
in the backseat,
I don't have to drive,
I don't have to speak,
I can watch the country side,
and I can fall asleep.

(….)
I've been learning to drive.
My whole life,
I've been learning.”

Heróis de Papel (23)


Nome: Ran-Tan-Plan
Autor: Morris e Goscinny
Obra: Várias histórias de Lucky Luke e a sua própria série
Ano de Nascimento: 1960
Origem: Bélgica

A Arte do Fingimento (36)


Kevin Sapcey (South Orange, 1959)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Bom fim de semana!


Estamos a chegar ao fim da semana. De repente apeteceu-me passar por aqui, por este sitio onde passei tantas horas de tantos fins de semana!
Tenho, sem dúvida, muitas saudades de uma certa Lisboa que nos tem vindo a abandonar!
Bom fim de semana!

Coitado do senhor!

Segundo o Diário Económico de ontem:

«(…) seis presidentes de câmara têm o mandato em risco e 39 vereadores das principais autarquias do país estão numa situação de incumprimento por não terem actualizado a declarações de rendimentos junto do Tribunal Constitucional.Entre os presidentes de câmara(…) está o social-democrata Francisco Moita Flores (Santarém). Ao Diário Económico, Francisco Moita Flores diz desconhecer a obrigatoriedade de renovação anual da declaração de rendimentos: “Sou confrontado pela primeira vez com essa questão” e “amanhã mesmo vou tratar disso”»

Coitado do senhor, só lhe arranjam chatices!!
Então não sabem que o Francisco tem que comentar na SIC, dar aulas não sei bem onde, escrever telenovelas, séries e livros e ainda tem que pensar em todas as solicitações que lhe fazem, para além daquelas que lhe advêm do facto de ser presidente de câmara??!!!
Dêem-lhe paz e sossego, por favor! Agora só faltava mais esta coisa de ter que cumprir obrigações legais junto dos tribunais!
Coitado do senhor presidente, comentador, escritor, ex-policia e eu sei lá que mais!

Apagar memórias?!


No DN de hoje:

«'Pílula do esquecimento' apaga as más memórias

(…)Um grupo internacional de investigadores apagou, de forma selectiva, memórias do cérebro de ratos, através da manipulação de uma molécula. Nos humanos, a técnica é mais complexa, mas espera-se que, no futuro, alguns medos e recordações traumáticas possam ser apagados
Apagar memórias de forma selectiva é agora possível.(...)
»

E porque não apagar a consciência, eliminar os escrúpulos, destruir os medos, abater a emoção, expulsar as vivências, dinamitar as experiências, desfazer as vontades, afastar os sonhos, aniquilar a vida?
Porque, no fundo, é tudo isso que se pode prever a partir desta novidade! Ao cortarmos partes de nós, estamos a desaparecer lentamente e para isso não são necessárias pílulas, basta que deixemos o tempo correr!

Heróis de Papel (22)


Nome: Philip Mortimer
Autor: E.P.Jacobs
Obra: As Aventuras de Blake e Mortimer
Ano de Nascimento: 1946
Origem: Bélgica

Nota: Depois da morte de Jcobs as Aventuras foram retomadas por Bob de Moor e pelas duplas Ted Benoît/Jean Van Hamme e André Juillard/Yves Sente

A Arte do Fingimento (35)


Michel Picolli (Paris, 1925)

O prazer e o best-seller


«(...)Temos supostamente grandes autores, mas ninguém os consegue ler, são intragáveis. Mas como ninguém os pode culpar, porque são tão bons que ai daquele que os criticar, a culpa é sempre dos leitores. Grande parte dos escritores portugueses gosta de uma escrita experimental, mas a generalidade dos leitores detesta-a. Creio que foram justamente esses leitores que eu fui buscar.(...)
Os meus romances são muito meus. Não conheço nenhum autor que escreva os romances como eu os escrevo.(...)
Sinto-me à vontade com qualquer género, o que importa é que eu e o leitor tenhamos prazer.(...)»
(sublinhados meus)

Estes são excertos de uma entrevista que José Rodrigues dos Santos concedeu ao DN, a propósito do lançamento do seu último livro.
Eu, que até já li três livros deste senhor, e sou apenas um mero e simples leitor, confesso que o prazer que tive ao lê-los, foi diminuindo à medida que o fazia! De um codex com algumas esperançosas expectativas, passei a uma fórmula que me deixou muitas dúvidas e a um selo que me causou desconforto, talvez porque a experimentação ali tentada tenha sido tão desastrada que não deixou nenhum espaço para uma réstia de prazer.
Creio que ainda ninguém explicou ao senhor pivot, que o conceito de best-seller não é equivalente ao de qualidade! Creio que ninguém lhe conseguiu dizer que, pelo facto de aparecer quase todas as noites a debitar noticias, não lhe dá estatuto de verdadeiro escritor! Ao contrário de outros!!
É óbvio que lhe dou (e quem sou eu para lhe dar alguma coisa!) alguma admiração por ter capacidade para escrever e publicar, mas sendo leitor assíduo de muitas leituras e gostando de ter prazer nessa actividade, também lhe gostava de dizer que com as suas letras não consigo, embora ainda tente, obter mais que uma gritante impotência que resulta, se calhar, de uma incapacidade (minha) em gerir um arrazoado de bazófias de quem, no mínimo, deveria gostar de ser mais que um mero vendedor de livros por atacado!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Dúvida persistente


Será que os Simpsons têm memórias amarelas???

A persistência da memória


Antes que a memória nos falte, devemos guardar tudo o que nos faz ir mais além, ou simplesmente tudo o que nos faz ficar melhor connosco próprios. Devemos ser capazes de rever aquilo que nos trouxe até aqui, sem medos, sem recuos, sem mágoas, sem feridas por sarar. Devemos poder abrir o nosso baú e ver que nele se guardam os momentos marcantes e até aqueles que se resumem a cheiros, sons e simples hiatos de tempo, mas que nos ajudaram a crescer, a saber e a conhecer. Aprenderemos assim, que a vida é apenas uma sucessão de tempos que nos ajudam a percorrê-la fazendo sentido, mesmo que, a esse, só o venhamos a conhecer no seu limite!
No fundo e tal como diz Carlos Záfon no seu Jogo do Anjo: não se aprende nada de importante na vida; apenas se recorda!

Schtroumpfando


Pequenos, azuis e muito divertidos!
Peyo pensou-os e criou-os há 50 anos na páginas da Revista Spirou!
Ainda hoje schtroumpfeiam por aqui e por ali, com carradas de schtroumpfeitos!
Schtroumpfs a vocês, nesta data querida!

A realidade enganada


«É impossível sobreviver num estado prolongado de realidade (…)» (Carlos Ruiz Zafon no Jogo do Anjo)

É doloroso estarmos sempre presentes. É insuportável o sufoco que nos aperta quando não temos possibilidade, ou capacidade, ou vontade de sair do quotidiano que nos cerca e nos faz correr atrás dos dias, sem reparar que a vida nos desaparece por entre os dedos.
A realidade engana-nos tantas vezes, que nem damos conta da sua malícia, das suas máscaras, das suas garras aguçadas, prontas a prenderem-nos subtil mas eficazmente.
É por isso necessário que nos deixemos assomar pelo sonho, nos deixemos tomar pela fantasia. É fundamental tornear a realidade e fazê-la vacilar, conseguir que se confunda, dar-lhe, a ela própria, a possibilidade de viver de uma outra forma, ajudá-la no fundo, para que, calmamente, possamos, com um sorriso nos lábios, dizer-lhe:
Não te inquietes, estás apenas enganada!